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Os problemas dos outros

Em campanhas como as do Banco Alimentar Contra a Fome também me passa a ideia de que quem ajuda será quem menos tem.
24 de Janeiro de 2010 às 00:00
Os problemas dos outros
Os problemas dos outros

Fui ao site da AMI na Internet e fiz uma transferência para a conta de ajuda à sua missão no Haiti. Ontem falava disso com um amigo no café e ele disse-me que estava à espera de um dinheiro para poder contribuir também. Não deixa de ser curioso que, de tantas pessoas, a única que me confessou essa vontade seja precisamente uma das que têm um emprego mais incerto e algo precário. Ou não: num artigo do jornal ‘i’, nesta semana, falava-se que, apesar do mediatismo dos Estados Unidos neste tipo de acontecimentos, este é um dos países com menor percentagem prevista nos seus orçamentos para a ajuda internacional, sendo de esperar que um país de "pobreza digna" como Cuba contribua de forma mais substancial do que outros.

Em campanhas como as do Banco Alimentar Contra a Fome também me passa a ideia de que quem mais ajuda será quem menos tem. Será porque quando temos pouco somos menos apegados àquilo que possuímos? Ou será porque quando temos pouco nos sentimos mais próximos daqueles que nada têm? Não deixa de ser triste saber que todos podíamos e devíamos fazer mais pelos outros e que os mais ricos serão sempre os últimos a tomar a iniciativa neste tipo de situações. É triste também ver que muitos haitianos recorrem a assaltos de toda a forma e feitio no meio do caos instalado mas dificilmente censurável quando se trata de algo como a sobrevivência.

E nestas alturas lembro-me da aparente loucura do protagonista de ‘Fight Club’, que pretendia bombardear os bancos do Mundo de modo a desestabilizar, para além de qualquer reparo, as reservas, contas e dinheiros das pessoas e empresas, de forma a que ficássemos todos "a zero", logo em igualdade de circunstâncias financeiras e sociais. E aí poderíamos começar tudo de novo. Claro está que seria apenas uma questão de tempo para as coisas voltarem ao mesmo, e a isso poderá chamar-se "a triste condição humana". Mas que às vezes parece uma ideia brilhante, lá isso parece, sem dúvida alguma.

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