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Correio da Manhã

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OS SONHOS QUE COMPRAMOS

Já pensaram por que é que preferem o carro A e não o B; ou as bolachas G em vez das H; ou o shampoo X e não o Y? Porque, no dia-a-dia, os nossos gestos e impulsos são conduzidos milimetricamente para a compra de determinados bens em detrimento de outros. Como? Puro marketing.
5 de Julho de 2002 às 19:44
Esta palavra mágica, aliada à publicidade, faz com que sejamos “escravos” das imagens e emoções que tratam de criar no nosso imaginário e que nos fazem ansiar por ser perfeito ou ter o produto que nos tornará perfeitos: ter um cabelo fantástico como a menina do anúncio; não ter, depois de uma gravidez, um grama de gordura como a Patrícia Tavares; ter o charme do Martini Man, etc. Enfim, um mundo de sonhos. Isto tudo para dizer que, graças ao marketing, a Espanha conseguiu tornar--se no segundo maior destino turístico do Mundo.

Vejam bem, do Mundo, não da Europa. E o que é que nuestros hermanos têm que nós não temos? Praias? Gastronomia? O que eles têm, sobretudo, é uma grande capacidade de se “venderem”. Vender o seu país como um destino turístico maravilhoso. Nada é deixado ao acaso em termos de promoção. Não que as praias sejam melhores do que as nossas, mas estão suficientemente publicitadas. O atendimento é profissional e, até os preços, são mais acessíveis. A verdade é que passar férias em Espanha chega a ser mais barato do que ir para o Algarve! Não acham que se poderia fazer mais pelo nosso turismo? Neste momento, ele representa 10% do nosso produto interno, o que revela o seu potencial, mas está muito subaproveitado. Precisamos de uma oferta de qualidade e, sobretudo, de profissionalismo.

Esta semana também foi inaugurado – sem pompa ou circunstância - o Tribunal Internacional Penal, que julgará crimes contra a Humanidade. Os Estados Unidos voltaram à carga e deixaram bem claro que retirariam os seus soldados das missões de paz se não fosse criado um regime de excepção para os americanos, que não querem ver julgados por esta instância. Uma forma bem clara de “lembrar” ao mundo que são eles os guardiões do planeta. Querem, podem e mandam. Trata-se de uma chantagem inaceitável. Não há homens acima da lei. Nem mesmo o argumento utilizado por alguns de que o TPI põe em causa a soberania dos países e dos dirigentes que foram “eleitos democraticamente” vale, porque a história já provou inúmeras vezes que estes líderes cometeram as maiores atrocidades. Se não existisse uma ordem internacional, os seus crimes teriam ficado impunes. É verdade que são homens a decidir o destino de outros , mas se não houver um voto de “confiança” na sua actuação imparcial nos julgamentos e num tribunal justo e equilibrado, em quem acre-ditaremos? Na verdade, hoje, nada é absolutamente independente. Somos humanos e erramos.
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