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PACO BANDEIRA: A NATUREZA É SAGRADA

Quando faz uma pausa nas digressões que o obrigam a palmilhar o país de lés-a-lés, Paco Bandeira refugia-se num monte alentejano ou na quinta de Sintra para recuperar energias e encher os pulmões com ar mais puro e saudável.
10 de Outubro de 2004 às 00:00
Tal fuga não é de agora. O campo tem sido um meio presente na sua vida desde a meninice, não o descartando em qualquer ocasião, até porque jamais imaginaria substituir a imagem da planície verdejante pelo cinzentismo da selva de betão.
Filho de um rendeiro, Paco tinha sete ou oito anos quando o pai alugou uma propriedade. Nunca mais abandonou esse meio. “É no campo que se passam as coisas mais lindas da vida. Os únicos milagres verdadeiros a que o ser humano tem acesso são os que se processam por pessoas semi-analfabetas inseridas nessa cultura, aqueles que transformam a terra em trigo e depois em pão. Noventa por cento do que utilizamos do planeta vem da terra, o resto é publicidade.”
Para provar que não é apenas um homem de palavras mas também de actos, ainda hoje cultiva o tradicional trigo e cria os tão amados cavalos. A paixão pelos bichos leva-o mesmo a afirmar-se “um cobardolas” quando o assunto é matar qualquer espécie. No resto diz-se um mestre: “Lavrei, semeei, colhi, ceifei e até sei mungir vacas, embora já não o faça há 50 anos”.
A experiência leva-o a jamais equacionar a participação num ‘reality show’, muito menos quando ele dá má imagem de uma realidade que tanto adora: “Andam a brincar com o campo, a faltar ao respeito à natureza, que para mim é algo tão sagrado como qualquer igreja, seja qual for a religião”, dispara antes de jurar: “Nem por dinheiro nenhum estaria ali, tão certo como nunca ter entrado numa campanha do PP”.
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