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Para acabar de vez com os estereótipos

“O real problema reside no facto de acharmos que certas pessoas vivem numa plataforma moral muito acima do resto de nós”
2 de Outubro de 2011 às 00:00
Sem pachorra para sermões

Pelas páginas de jornais e revistas somos bombardeados todos os dias com notícias de escândalos envolvendo pessoas acima, à partida, de qualquer suspeita. Se há coisa que a história, senão a vida, nos devia ter ensinado é que não existem pessoas acima de qualquer suspeita.

A religião católica também fez por isso, ao tentar mostrar que o homem é, por natureza e sem excepção, pecador e imperfeito, só para borrar a pintura ao tentar que os principais actores da sua evangelização fossem mais livres de qualquer erro ou pecado do que as simples ovelhas que os seguem. E toda a gente sabe – pequenas e traumatizadas crianças incluídas – como é que isso tem corrido.

Mesmo sabendo o que sabemos em relação à natureza humana, não podemos ainda assim deixar de sentir espanto e, ocasionalmente, um certo regozijo quando sabemos que um padre ‘vai às meninas’, que tal político é corrupto, que um polícia afinal até participa nalguns dos roubos que devia combater e por aí fora. Mais do que em acreditarmos que todos praticam o que pregam, o real problema reside no facto de acharmos que certas pessoas vivem numa plataforma moral muito acima do resto de nós, comuns mortais, e acabamos por misturar tudo numa salganhada que pouco sentido fará.

Se não veja-se o caso de Tiger Woods, que perdeu boa parte dos seus patrocínios aquando da revelação dos seus casos extramatrimoniais. Mas pagavam-lhe por e para jogar bom golfe ou por e para ser um extremoso, dedicado e irredutível marido e pai de família? Até que ponto pode ir a nossa hipocrisia ao perseguir supostas falhas e defeitos nos outros, plenamente conscientes de que pelas costas dos outros veremos as nossas?

Por outro lado, um médico ("e logo um neurocirurgião") colocou uma microcâmara na casa de banho utilizada pelas enfermeiras do serviço hospitalar onde trabalhava e, pelos vistos, dava azo a variadas taras. Daqui só podemos concluir – em vez de lamentar que uma pessoa assim tão "bem formada" tenha este tipo de comportamentos – que devemos acabar de uma vez por todas com os estereótipos que usamos diariamente para arrumar confortavelmente as pessoas que não conhecemos realmente. Bom domingo, minha gente.

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