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Pedro Siza Vieira: Pronto para a pior ocasião

António Costa chamou para ministro-adjunto o amigo que há três décadas encaminhou para Macau.
Leonardo Ralha 29 de Outubro de 2017 às 01:35
Pedro Siza Vieira
Pedro Siza Vieira FOTO: Direitos Reservados

Saiu de Macau como entrou e o advogado Magalhães e Silva sublinha-o ao elogiar Pedro Siza Vieira, o advogado de 53 anos que aceitou ser ministro-adjunto de António Costa quando o amigo dos tempos da Faculdade de Direito de Lisboa enfrenta a maior crise no Governo.

Foi em 1988 que Magalhães e Silva conheceu o recém-licenciado que integrou a equipa de três jovens assessores que o ajudaram a ser secretário-adjunto para os Assuntos de Justiça do Governo de Macau. O sobrinho do arquiteto Siza Vieira foi-lhe recomendado por António Costa, seu colega no escritório de advogados fundado por Jorge Sampaio, tal como o atual ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e Diogo Lacerda Machado, o amigo do primeiro-ministro que representou o Estado em dossiês como o da TAP.

Em Pedro Siza Vieira, o "português suave, tranquilo e sereno" com quem trabalhou entre 1988 e 1990, Magalhães e Silva realça as qualidades de alguém que correspondeu ao perfil de "gente ainda sem vícios e com grande qualidade" que pedira a Costa. Essa falta de vícios, rara num território que não raras vezes "emporcalhava e tingia", é reforçada a outro nível pelo testemunho de um compatriota que o conheceu nesse tempo.

Até porque o jovem jurista, que mantinha o corpo são a jogar futebol na equipa formada por membros do governo macaense treinados por Jorge Coelho, tinha consigo a mulher de sempre e mãe dos seus três filhos, Cristina Vieira, colega de turma no curso de Direito que foi diretora-geral do Turismo e preside desde 2010 à Associação da Hotelaria de Portugal. Segue o exemplo familiar, pois os pais do ministro-adjunto, António e Irene, estão juntos há mais de 50 anos.

Mudança de rumo
Regressado de Macau, Pedro Siza Vieira ainda foi assessor jurídico de Jorge Sampaio quando este foi presidente   da   Câmara de Lisboa. A partir daí, dedicou-se à advocacia de corpo e alma. Já era sócio do influente escritório MLGTS quando foi um dos advogados que em 2002 deram origem à Linklaters Portugal, por si liderada até 2016.

Do Direito Administrativo passou para a arbitragem, reestruturações e insolvências de empresas. "Discreto e competentíssimo", como muitos o descrevem, envolveu-se na separação entre o "mau" Banco Espírito Santo e o Novo Banco ou na privatização da TAP.

Tido como um dos principais advogados portugueses, deixou a liderança da Linklaters Portugal em 2016, já então por razões que tinham que ver com a chegada do amigo a primeiro-ministro. Foi nomeado para a Estrutura de Missão para a Capitalização de Empresas, integrou o grupo de trabalho para a reforma do modelo de supervisão financeira, e o passo seguinte, esperado por muitos, foi a chegada ao Governo.

Dias após ser empossado, estava ao lado de António Costa na visita a Pedrógão Grande. "Traz prestígio e respeitabilidade", sublinha Jorge Coelho.

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