Barra Cofina

Correio da Manhã

Mais CM
8

POLÍTICOS: MEU QUERIDO CÃO

O que têm em comum Cavaco, Ferro Rodrigues, George W. Bush e Clinton? Um cão a seguir-lhes os passos. Talvez o único amigo fiel até à morte...
28 de Setembro de 2003 às 14:00
“Se queres ter um amigo em Washington, o melhor é comprares um cão”. Depois de ter servido dois mandatos como presidente dos Estados Unidos, durante a década de 40/50, o democrata Harry Truman concluiu que apenas os dois cães, Feller e Mike, se mantiveram ao seu lado, nos piores e melhores momentos. “Só percebemos o sentido da palavra fidelidade quando descobrimos que eles são capazes de fazer tudo por nós, sem pedirem nada em troca”, confessou o ex-presidente dos EUA, falecido em 1972. Razões de sobra para a maioria dos políticos americanos que passaram pela Casa Branca, como Franklin Roosevelt, John F.Kenndy, Richard Nixon ou Bill Clinton, não terem dispensado a companhia do fiel amigo. Actualmente, todas as atenções estão viradas para os ‘melhores amigos’ de George W.Bush, Barney, um Scottish Terrier, e Spot, um Springer Spaniel. É a brincar com eles no relvado da Casa Branca que o político recupera as energias – ou reflecte sobre os diversos assuntos de Estado. Recorde-se que os fotógrafos ‘apanharam-no’ a divertir-se à grande com os dois cães, a menos de 48 horas do início da guerra do Iraque.
Em Portugal, a ‘moda’ canina ainda não pegou como nos EUA. O historiador Manuel Rosado avança com uma simples explicação: “A moradia é a habitação ideal para criar um cão. Mas a grande parte da nossa classe política vive em apartamentos pequenos demais para as brincadeiras de um animal de estimação”. Talvez seja isso que esteja a impedir Durão Barroso ou Jorge Sampaio, (ambos vivem num andar) de adquirir um simpático canino, para lhes fazer companhia. Um ‘pormenor’ que não impediu o líder da oposição, Ferro Rodrigues (que vive num andar na Lapa) de conviver amigavelmente com o Gastão, de raça Shar-pei, há três anos.
Mais habituado aos extensos relvados da casa de Almoçageme - onde a família passa os fins-de-semana - do que ao urbanismo da cidade de Lisboa, o cão pregou um valente susto ao secretário-geral do PS, quando desapareceu durante três longos dias. Na madrugada de Domingo, 14 de Setembro, após o casamento do filho João, o casal Ferro Rodrigues aproveitou para passear o Gastão, pela Lapa - mas foram surpreendidos com a genica do cão, que fugiu subitamente. Arrasada com a notícia ficou a filha Rita, que durante duas noites não ‘pregou olho’, sempre na esperança de encontrar o pequeno animal, meio perdido, a vaguear pela cidade. “O meu pai está muito triste. É como se tivesse desaparecido uma pessoa da família”, confidenciou a jornalista da SIC Notícias. Três dias depois, e para grande alegria dos Ferro Rodrigues, o cão regressou a casa são e salvo.
O CHARLIE DE CAVACO SILVA
Se recuarmos alguns anos, em plena década de 90, outro Shar-pei já havia dado que falar. De seu nome Charlie, o cão tornou-se numa presença assídua na residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, quando cargo era ocupado por Cavaco Silva.
“Era um cão muito meigo e brincalhão. De vez em quando ia lá visitar-nos. E era sempre uma festa”, recorda Elisabete Parrinha, secretária do ex-primeiro ministro. Durante anos a fio, Charlie foi o companheiro inseparável de Cavaco Silva. Com os filhos já criados, a chegada do cão - uma prenda do ex-governador de Macau, Rocha Vieira - foi uma lufada de ar fresco em São Bento. “Durante uma viagem oficial ao ex-território português, o casal Cavaco Silva adorou os cães do general. Assim que nasceu a primeira ninhada, um dos cachorrinhos foi logo entregue ao professor”, explica a secretária. Quando a casa da Travessa do Possolo começava a tornar-se pequena demais para as rebeldias de Charlie, a família fazia-lhe a vontade e viajava até ao Algarve, para a vivenda Mariani, em Montechoro, onde ele podia expandir-se à vontade.
Quando abandonou a vida política, depois da candidatura ao cargo de Presidente da República, em 1996, Cavaco Silva ia ter mais tempo livre para desfrutar do seu fiel amigo, mas não foi isso que aconteceu. O cão viria a falecer pouco tempo depois. “Foi um grande desgosto. Desde então, nunca mais quiseram ter mais animais de estimação”, recorda Elisabete Parrinha.
NOBRES E INTELIGENTES
Se para alguns políticos, perder o ‘melhor amigo do homem’ é razão suficiente para nunca mais querer ter outro cachorro, outros aprenderam a lidar com o desgosto. Luís Nandin de Carvalho, actual vereador da Câmara Municipal de Alenquer, já perdeu a conta ao número de cães que passaram pela sua vida. “Durante a minha infância, em África, passava muito tempo a brincar com o meu primeiro cão, o ‘mutzi’”, recorda o empresário. Dono de uma moradia com dimensões suficientes para instalar, comodamente, cinco filhos e dois cães, ao longo dos anos Nandin de Carvalho tornou-se num verdadeiro ‘expert’ em assuntos caninos. Só não gosta é de ensinar os animais a fazerem truques, como no circo: “Limito-me a explicar-lhes para não me roerem os sapatos”, conta, entre risos. Hoje, a Beta e o J (um casal de pastores alemães) fazem companhia à família – e servem ainda para proteger a casa dos intrusos.
A predilecção de Nandin de Carvalho pelo ‘fiel amigo’ é sobejamente conhecida nos corredores do poder. Quando os seus cães têm filhotes, há sempre um político que não resiste ao encanto dos recém-nascidos. “Já dei dois pastores alemães a António Capucho e a Freitas do Amaral”, recorda. Uma raça que, na opinião do vereador, combina na perfeição com o poder. “Porque são cães nobres e muito inteligentes”.
Não é por acaso que os reis faziam questão de se retratar (e imortalizar) ao lado de um cachorro, de raça nobre e pose invejável. “Pode-se dizer que o cão substituiu o leão. É um animal gracioso, elegante, que transmite uma imagem de poder”, avança o historiador Manuel Rosado. No entanto, talvez seja um erro político pedir emprestado um cão só para ficar bem fotografia –que o diga o candidato presidencial Soares Carneiro, apoiado pela AD nas eleições de 1980. “Se por um lado o cão ajuda um político a aproximar-se mais do cidadão comum, passando a imagem de uma pessoa mais afável e próxima dos eleitores. Por outro, essa estratégia só resulta se o cão for mesmo dele”, frisa Manuel Rosado.
QUERIDA LOLA
Tal como a dona, a malhada Jack Russel de Bárbara Guimarães, de seu nome Lola, não resiste às luzes das câmaras e aos ‘flashes’ das máquinas fotográficas. Estreou-se na televisão, no programa ‘Terceiro Elemento’, quando ainda não passava de uma cadelinha. Enquanto a apresentadora falava com os convidados, lá andava Lola, à vontade, a desfrutar a vista da esplanada da discoteca Lux, onde o programa era gravado. Depois de ter acompanhado o casal Bárbara/Carrilho pela Provence, em França, durante a lua-de-mel, Lola teve de aprender a lidar com as mudanças e partilhar o seu espaço com Manuel Maria Carrilho, ex-ministro da Cultura do governo PS. “Quando chego a casa, fica muito contente e está sempre disponível. Desde que tenho a Lola, tornei-me mais responsável e a minha vida mudou”, confessou recentemente a apresentadora. Com a chegada do primeiro filho, previsto para o próximo ano, o dia-a-dia do casal é que nunca mais vai ser o mesmo. O melhor é Lola ir-se preparando para o que der e vier....
SÓ O CÃO OLHAVA PARA CLINTON
Há alturas na vida de um homem em que o cão é o único amigo que lhe resta. Que o diga o ex-presidente americano, Bill Clinton. Quando teve de contar a verdade à mulher, Hillary, e à filha, Chelsea, sobre o seu relacionamento com a estagiária Monica Lewinsky, o cão - o labrador Buddy – foi o único membro da família que lhe fez companhia, durante a zanga do casal. “Ele era o único disposto a isso”, contou Hillary Clinton na sua autobiografia. Ao longo da história, vários políticos contaram com a preciosa ajuda do ‘fiel amigo’ em momentos críticos. Adolf Hitler tinha um fascínio por Blondie, um pastor alemão que o obedecia cegamente. No final da II Guerra Mundial, com as tropas aliadas a avançar, o ditador refugia-se no seu ‘bunker’, com Blondie e a namorada Eva Braun. Antes de se suicidar, Hitler optou por se certificar que a cadela também tomava uma cápsula de cianeto, para morrer antes de ser apanhada pelos aliados. O já falecido ex-presidente francês, François Mitterrand, fez questão de manter a sua vida privada longe dos olhares dos media. No entanto, quando o escândalo sobre a sua filha ilegítima estalou, Mitterrand passeava pela praia, na companhia do seu labrador preto. Uma imagem melancólica de um homem só. A quem só lhe restava o cão.
OS CÃES DOS FAMOSOS
Pense duas vezes se quiser abordar a manequim Marisa Cruz para lhe pedir um autógrafo ou ‘meter’ conversa. A modelo que se tornou conhecida por saltar à corda na televisão, anda sempre acompanhada pelo seu Rotweiller, que carinhosamente trata por Hulk. No ‘jet set’ nacional, há quem leve o cão para todo o lado – o melhor exemplo é Maria João Saviotti. Apesar de ter cinco gatos persas e quatro cães, Jack, um cachorro de raça Jack Russel, é o seu preferido. E quando se tem uma dona famosa, tem-se direito a viajar em primeira classe. “Ele sabe tudo. E até compreende o português e o italiano”, confessou Saviotti, ‘babada’ com a inteligência do seu cachorro. Os ‘designers’ portugueses, Manuel Alves e José Manuel Gonçalves, também tratam a cadela nas ‘palminhas’. Há cinco anos que a Teresinha, de raça Cocker King Charles Spaniel, os acompanha 24 horas por dia, 365 dias por ano. “Ela é carinhosa, mas muito altiva’, confirmam os donos.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)