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Precisam-se guarda-costas

“Pedro Passos Coelho nunca mais irá esperar dez minutos, sorridente, na fila do supermercado...”
Victor Bandarra 14 de Outubro de 2012 às 15:00
Victor Bandarra
Victor Bandarra FOTO: João Miguel Rodrigues

Teresinha, admiradora confessa do Mário (Soares), do Pedro (Passos Coelho) e das ‘Doce’, acaba de sofrer o ataque de coração que há muito anunciava ao seus, sobretudo ao filho-polícia. "Ai que ainda me dá uma coisa má!" Era grito de revolta, de cada vez que o rapagão insistia em candidatar-se ao Corpo de Segurança Pessoal da PSP. Teresinha chegou a votar PS, mas as cantigas das ‘Doce’ levaram-na a ganhar fraquinho por Pedro, barítono de voz, falsete na política. Nos seus 60 e picos, Teresinha resistiu ao ataque e já regressou a casa, agora seriamente zangada com o Pedro.

O sonho do jovem polícia, para desespero da mãe, sempre foi fazer parte da elite que guarda as costas de figuras e figurões. Chumbou no curso de 2010 (de 488 candidatos só passaram 75), mas crise e austeridade levam-no a acreditar que agora é que é. "Os tipos vão precisar de paletes de guarda-costas!" E como sempre diz o meu amigo Zé dos Pneus, "o que vai dar emprego à malta não é a troika, é a PSP!".

À cabeça de Teresinha, natural de Valpaços, assomem-lhe histórias do avô sobre um tal Manuel Buíça, filho de pároco de Vinhais que deu em livre-pensador e, um dia, matou a tiro de Winchester el-rei D. Carlos, que seguia de landau em pleno Terreiro do Paço. Buíça deu aulas de música e francês, foi instrutor de carreira de tiro e acabou linchado a seguir ao regicídio. "O rei não tinha guarda-costas a sério...", vai brincando o rapaz.

Mão no peito, Teresinha lê jornais e regista: Pedro já anda com 12 polícias à paisana, Gaspar leva 9 e Álvaro 6. Qualquer secretário de Estado tipo Moedas mobiliza carradas de agentes e viaturas. Os repórteres das TV, precavidos, andam agora com um olho no Passos, outro no polícia. As extremas ocupam a rua, sobretudo as de direita. Há homens e mulheres desesperados que se atiram para cima dos carros dos ministros. Sampaio avisa que excesso de austeridade não é bom para a Democracia. Outros, que Hitler chegou ao poder pela força do voto. Teresinha, preocupada, sabe que Pedro nunca mais irá esperar dez minutos, sorridente, na fila do supermercado. Sabe também que o filho não tem grande pontaria com armas, mas nunca se sabe – ainda acaba a guardar as costas do Pedro.

Certo é que o rapaz-polícia é teimoso, não desiste da carreira. Teresinha, lágrima no olho, deixa-se sossegar pela tirada do filho: "Ó mãe! Não se preocupe! Estes tipos não têm categoria para levar um tiro! Quanto muito, uns ovos podres..."

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