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Correio da Manhã

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Quando a crise entra em crise

Austero e monástico como a crise manda, em vez de passar o réveillon em St. Barths sujeitei-me estoicamente a Paris. Ao menos nos Champs-Élysées a dona crise baldou-se. Percebo que a avenida fervilhe à noite, à grande e à francesa, com as luzes feéricas do fim-de-ano. Mas ao meio-dia, aquela multidão quilométrica a serpentear à porta de uma espelunca chamada Louis Vuitton? Já ouviu falar?
11 de Janeiro de 2009 às 00:00
Quando a crise entra em crise
Quando a crise entra em crise

Dá calafrios só de pisar no seu passeio, de tão extorsiva que é. Pergunto a uma ruiva ergonómica, que organiza aquele caos, a razão da histeria. Saldos? Ou Carla Bruni vem aí? A coisinha fofa explica-me que, simplesmente, não cabe toda a gente lá dentro. E a crise? Ela encolhe os ombros de porcelana. Filas nos dois McDonald’s da artéria já faz todo o sentido. Mas o Fouquet’s também entupido? Foi nesse restaurante que Sarkozy celebrou o brilharete eleitoral em 2008. Regresso à loja sumptuosa, a ruminar no que a ruiva fará logo à noite. A galinha dos ovos de ouro da Vuitton, cujas receitas quadruplicaram nos últimos dez anos, chama-se Marc Jacobs.

Ideólogo da marca desde 1997, conferiu-lhe um ar modernaço, da Nova Iorque de ‘O Sexo e a Cidade’, rompendo com as tias emergentes de Miami. Anna Wintour, a lendária directora da ‘Vogue’ americana (calcificada por Meryl Streep n’ ‘O Diabo Veste Prada’), achou que a contratação não ia resultar, mas errou. Antes de ele lá desembarcar, aquilo era só uma empresa de acessórios – hoje, é um totem da moda. Não que os trapinhos da Vuitton sejam um sucesso comercial – representam apenas 10% dos lucros. Mas são um marketing talismânico. E foi Jacobs quem, em 2003, recrutou o artista plástico japonês Takashi Murakami para reciclar as malas da marca. As carteiras brancas, com o monograma colorido da Vuitton, venderam de caras 300 milhões de dólares. (Lembrei-me agora daquela velhota no ‘Telejornal’: 'Se não fossem os carteiristas no Metro, eu não tinha vida sexual!'). Moral da história? O talento é sempre o mais sábio investimento. Jacobs trocou o seu apartamento em Paris (do tamanho de uma caixa de ferramentas) por uma vivenda na zona mais nobre da cidade, com vista para a Torre Eiffel (onde uma casa de dez assoalhadas está anunciada por 6,7 milhões de euros). Volto a Portugal a amaldiçoar-me por não ter telefonado à ruiva aerodinâmica. Ah, sim, e por falar em malas, descubro às minhas custas de que são feitos os anéis de Saturno. Da bagagem perdida pela TAP.

QUEM SAI AOS SEUS, REGENERA

- A foto da esquerda é da actriz Monah Delacy, de quando ela tinha 51 anos. A da direita é da sua filha, a conhecida Christiane Torloni, com os mesmos 51. A comparação mostra o quanto a medicina (e uma mudança de comportamentos) abrandou em três décadas o processo de envelhecimento.

E LIEDSON?

- Um dos artilheiros da Série A, com 12 golos pela Juventus, o brasileiro Amauri, está prestes a obter o passaporte italiano. E Marcello Lippi admitiu chamá-lo à ‘squadra azzura’. A estreia pode ser no dia 10 de Fevereiro, num amigável da Itália em Londres, precisamente contra... o Brasil.

A CRISE, QUANDO NASCE…

- Pela primeira vez na sua história, o ‘NY Times’ publicou, esta semana, um anúncio na primeira página. Foi da rede televisiva CBS, por um preço não revelado. Em época de vacas magras, não se fica a pensar na morte da bezerra.

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