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Rodrigo Francisco: "Gosto dos atores que dão luta"

Autor, encenador e diretor, diz que nunca aceitaria um cargo político porque o poder não o fascina
Ana Maria Ribeiro 21 de Setembro de 2014 às 14:04

Nasceu em Lisboa em 1981 mas passou a infância e a adolescência em Almada, onde cresceu a devorar livros. Um dia foi pedir emprego à companhia de teatro de Almada porque "precisava de dinheiro para ir de férias com os amigos". E nunca mais saiu. O sonho de ser escritor ficou pelo caminho. Hoje, aos 33 anos, é – há dois – diretor da companhia Por morte do mestre, Joaquim Benite.

 

Rodrigo Francisco nunca tinha ido ao teatro antes de bater à porta da Companhia de Teatro de Almada para pedir emprego a Joaquim Benite, em 1997. Precisava de dinheiro para ir de férias. Mas quando, finalmente, viu o espetáculo em que tinha colaborado a montar o cenário (‘O Carteiro de Pablo Neruda’) sentiu-se comovido. E foi ficando. Fazendo pequenos trabalhos. Até que o mestre reparou no "miúdo" que estava sempre a ler e o convidou para fazer outras coisas. Entregou-lhe a pasta das edições, as relações com a imprensa e, finalmente, a assistência de encenação. Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, e com o desejo de ser escritor, acabou por escrever para a cena, por traduzir, por encenar. E por suceder a Joaquim Benite por morte deste, em 2012.

*A resposta escolhida aparece sublinhada

 

Desde criança que desejava ser escritor. Porque...

a) Gosto de inventar histórias, criar personagens e imaginar dramas e soluções para as vidas alheias

b) Encanta-me a atividade. O lado oficinal da escrita, o jogo entre a forma e o conteúdo, a procura da palavra

c) Admiro os grandes escritores. Na infância, a leitura era a grande companhia e espero conseguir dar a outros leitores o prazer que recebi

Começou no teatro com Joaquim Benite. Como foi trabalhar com o mestre?

a) Um acaso. Podia ter sido outro e o meu percurso teria sido completamente distinto

b) Um privilégio, uma experiência que não trocaria por nada deste mundo

c) Um objetivo de vida. Escolhi trabalhar com o criador teatral que mais admirava

É o diretor mais jovem de uma das companhias históricas do País. Isso é...

a) Um susto. O peso da responsabilidade sobre os meus ombros é quase esmagador

b) Uma bênção. Liderar um grupo deste calibre é incrível

c) Tento não pensar muito nisso e fazer o melhor que posso e que sei

Escreve, encena e dirige uma companhia. É uma pessoa multifacetada por...

a) Necessidade. As circunstâncias obrigaram-me a experimentar tudo no teatro

b) Vocação. Qualquer uma das áreas me fascina e me preenche profissionalmente

c) Um objetivo de vida. Se pudesse, faria ainda mais. Por exemplo, seria também o cenógrafo do grupo e, por que não, o contabilista?

Convidado para secretário de Estado da Cultura...

a) Recusava. Os lugares de poder não me fascinam

b) Aceitava. Aproveitava o ensejo para lutar junto do Governo em prol dos artistas

c) Aceitava e convocava uma conferência de imprensa para denunciar a congénita falta de apoio às artes

Quando encena uma peça, prefere atores que...

a) Me dão luta e sugerem outras formas de abordar as personagens em que não tinha pensado antes

b) Que são técnicos na abordagem à personagem. Que trabalham no plano racional

c) Têm a escola do método e são emocionais no trabalho

Quando planeia uma temporada do grupo, pensa...

a) Como é que vou fazer omeletas sem ovos?

b) Por que é que não mudo de profissão?

c) Vamos lá fazer o melhor possível com o que há e tentar não defraudar o público

Se tivesse um orçamento maior para o Festival Internacional de Almada...

a) Traria ainda mais produções internacionais de grande nível a Portugal e convidaria mais criadores portugueses a mostrarem trabalho na festa

b) Tentaria alargar o âmbito geográfico do Festival, que neste momento acontece entre Almada, Lisboa e Porto

c) Alargaria as datas da festa e em vez de duas semanas faria um mês de festival

O mais importante na direção artística da companhia, tal como a concebe é?

a) Conseguir equilibrar as contas, entregar os papéis das candidaturas a horas e manter o elenco e a equipa técnica totalmente empenhados no trabalho

b) Apresentar a melhor e mais interessante programação possível, para captar a curiosidade da imprensa e, sobretudo, o interesse e o respeito do público

c) Gerir bem vontades, capacidades e talentos de uma equipa que, além de respeitar, muito admiro

Consegue imaginar-se daqui a 20 anos...

a) A lutar pela continuidade da companhia, tendo conseguido manter o grande fluxo de público, que é sempre o objetivo final de qualquer grupo de trabalho em teatro

b) A escrever em full-time, tendo deixado uma arte para abraçar outra

c) A ensinar. Quando acumular experiência suficiente, acho que vou gostar de a partilhar com os outros e de passar conhecimento às gerações vindouras 

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