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Segurança máxima no ar

A desconfiança de novos ataques terroristas na Grã-Bretanha colocou de novo os aeroportos do Mundo em alerta vermelho. Após o 11 de Setembro, muita coisa mudou a nível de segurança. E muita coisa ainda vai mudar...
13 de Agosto de 2006 às 00:00
Segurança máxima no ar
Segurança máxima no ar FOTO: Toby Melville / Reuters
Horas e mais horas em filas intermináveis e painéis invadidos por luzes intermitentes, a alertar para os consecutivos voos cancelados, foram o prato do dia na última quinta-feira nos aeroportos da Grã-Bretanha. A confusão instalou-se depois de a polícia ter desvendado um plano terrorista que visava fazer explodir aviões em pleno ar, entre a Grã-Bretanha e os EUA. Plano A: tomar estritas medidas de segurança.
O comunicado era claro: “De acordo com o Governo, os passageiros não podem levar bagagem de mão a bordo dos aviões.” Emitido pela companhia britânica British Airways, o alerta adiantava ainda que os pertences pessoais tinham que ser transportados em sacos transparentes. Estava proibido o embarque com aparelhos electrónicos e substâncias líquidas. As medidas trouxeram à tona memórias do fatídico 11 de Setembro, o dia a partir do qual o Mundo nunca mais foi igual, assim como as medidas de segurança....
BAGAGEM DE MÃO
O controlo minucioso das malas dos passageiros passou a ser o pão nosso de cada dia nos aeroportos do Mundo. Para além da modernização dos equipamentos de raio-X, tornou-se frequente ver os seguranças inspeccioná-las manualmente, mesmo depois de monitorizadas. Os detectores de metais foram regulados para o seu mais alto nível, activando mais regularmente os temidos ‘bips’ que tão embaraçados deixam os passageiros.
OBJECTOS CORTANTES
Quaisquer utensílios capazes de causar danos físicos (corta-unhas, tesouras, entre outros) só no porão. Haja quem tenha ideias luminosas... Don Arturo, capelão do aeroporto de Milão, lembrou-se de recuperar todos os objectos apreendidos aos passageiros e enviá-los para África, Ásia e América Latina, onde são preciosos instrumentos para artesãos, costureiros e hospitais.
VAPORIZADORES
Também nos ataques de 11 de Setembro foi relatado o uso de um tipo de ‘spray’ químico nocivo, chamado gás de efeito moral para manter os passageiros longe da primeira classe. Para evitar a entrada de ‘sprays’ de pimenta e gás carbónico, está interdita a entrada nos aviões de todo o tipo de ‘sprays’, mesmo que se trate de um inofensivo desodorizante.
'CATERING'
Porque facas e outros objectos cortantes só podem constar da bagagem que é entregue no ‘check-in ‘, também os talheres de aço inox foram substituídos por garfo e faca descartáveis. A medida abrangeu até mesmo os passageiros que viajam em primeira classe. Objectos não-cortantes, mas susceptíveis de criar situações de perigo, como é o caso de coleiras e algemas também não estão autorizados a passar da porta de embarque.
ACESSO CONDICIONADO
O acesso à zona de partidas foi condicionado a passageiros com bilhete válido para o dia, ficando vedada a entrada de acompanhantes e proibida a visita às tentadoras ‘free-shops’.
EXPLOSÃO DE MALAS
Aconteceu depois do 11 de Setembro e intensificou-se após o atentado terrorista em Madrid. A 11 de Março de 2004, 10 mochilas carregadas com TNT (Trinitrotolueno) explodiram em quatro comboios, em diferentes pontos da capital espanhola. A partir daí, fosse em aeroportos, terminais de comboio ou de metro, as autoridades não pensavam duas vezes quando se deparavam com malas abandonadas: explodiam-nas.
TAXAS DE SEGURANÇA AÉREA
Esta sobretaxa de seguro aéreo foi introduzida sob o pretexto de garantia de uma segurança reforçada nos aeroportos. O preço pela intensificação destas medidas ronda os 2,50 e os 5,00 euros.
MEDICAMENTOS SEM RECEITA
Qualquer medicamento sem a devida receita médica corre o risco de ser considerado suspeito. Se isso acontecer, a segurança do aeroporto tem total liberdade para os apreender.
BLOQUEIO DO 'COCKPIT'
As famosas visitas à cabine do piloto já deixaram de ser um hábito tradicional para as crianças, já que, a tendência é reduzir ao máximo o contacto dos pilotos com os passageiros. Aliás, pouco depois do 11 de Setembro a alemã Lufthansa anunciou que havia reforçado as portas das cabines de pilotagem das suas aeronaves – medida preventiva contra arrombamento que, logo de seguida foi adoptada pelas principais companhias. Entre os estudos em andamento para fazer frente ao terrorismo estão a intenção de blindar a cabine de comando, com porta e casa de banho exclusivas para os pilotos, isolando o ‘cockpit’ do resto do avião; permitir aos pilotos o porte de armas que disparam balas de borracha e instalar circuitos internos de TV para o controle dos passageiros.
PÉS DESCALÇOS
Em alguns países, como é o caso do Qatar, passou a constar permanentemente dos novos regulamentos aeroportuários a obrigatoriedade de os passageiros tirarem os sapatos para que estes possam ser devidamente inspeccionados.
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