Sérgio Monteiro: Força nas canelas

Faz 43 anos para o mês que vem, o gestor que se farta de pedalar. Aquele que já foi de Mangualde à Serra da Estrela, das PPP à TAP, corre agora o risco de derrapar agarrado ao Novo Banco
Por Miriam Assor|22.01.17
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Sérgio Monteiro: Força nas canelas

O amigo conterrâneo precipitou-se. O Opus Dei, afinal, não recrutou Sérgio da Silva Monteiro. Na adolescência, foi acólito, o padrinho é sacerdote, a falecida mãe, professora primária, era devota, a irmã assessorou um antigo presidente da Câmara de Mangualde, que é supranumerário. Coincidências. Sérgio Paulo Lopes da Silva Monteiro diz pela sua própria voz que nunca pertenceu à Prelatura pessoal da Igreja Católica. Casado e com descendentes, três raparigas e um rapaz, é fácil encontrá-lo, aos fins-de-semana , a passear os herdeiros de bicicleta, no Parque das Nações, em Lisboa, onde reside.

No passado, pedalou desde a sua terra natal, Mangualde, até ao infinito da Serra da Estrela. Agora, os pedais têm tempo limite: Abril próximo. A milionária prestação de serviço ao Banco de Portugal justifica-se numa alínea: encontrar comprador para o ‘banco bom’ após o naufrágio de Ricardo Salgado. Bem posicionado para ficar com o Novo Banco é o Lone Star Funds, comandado por John Grayken, tido como um oportunista que fez fortuna a partir dos erros alheios.

Próximo de Maria Luís

O governador Carlos Costa entusiasmou-se com a biografia do homem nascido em 19 de Fevereiro de 1974, sobretudo no que respeita a processos de privatização, sucedidos em 2013, e colocou-o à frente do projecto de um negócio que já viu as águas de bacalhau. Não é a estreia de Sérgio Monteiro na ribalta. Antes de ser secretário de Estado das Infra-estruturas e Transportes de Passos Coelho, administrou a Caixa Banco de Investimento da CGD, onde às suas costas caíam as Parcerias Público-Privadas (PPP). Dialogante, conciso e combativo. Travou batalhas.

Na TAP negociou com sindicatos de pilotos. No Metro retirou aos funcionários a regalia dos óculos escuros. Privatizou a ANA, resolveu a CP Carga, vendeu os CTT em Bolsa à finança internacional. Almas vivas do PSD não querem saber do CV de Monteiro: "Ainda para mais não é militante." É apenas adepto do Benfica.

No consulado de Passos Coelho, diz-se que o pós-graduado em Ciências Empresariais fez papel de ministro da Economia e que teve proximidade com Maria Luís Albuquerque. Há militantes do PSD que não digerem o facto de, em Janeiro de 2011, ter integrado o Grupo de Trabalho para a reavaliação das PPP e Concessões, por indicação de Governo socrático: "Sérgio Monteiro começa com os socialistas e a seguir vai para governo de coligação PSD/PP. E depois, continua no seu melhor?!" A ironia refere-se ao salário atual - 25, 4 mil € -, que teve direito a um prolongamento. A explicação do balúrdio veio em comunicado. Monteiro, filho de um bancário da CGD, recebe uma remuneração igual à que auferia no CaixaBI. Este detalhe provoca riso a fonte adjacente. O lugar de Monteiro terá sido preenchido e é improvável que volte a reunir tantos euros num só mês.

ANTIGA ORTOGRAFIA

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