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Correio da Manhã

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Sessões de Gargalhada

O triste fado marcou gerações e um País amorfo ainda deixa o riso na esfera do circo, às mãos dos palhaços. Mas os estudos “falam por si” e a sociedade moderna vai-se despindo de preconceitos, rendida às virtudes de uma saudável gargalhada. Ainda que seja induzida. O riso “estimula o espírito de liderança, a criatividade e atitude positiva perante a vida”. E há “explicação física” para este sucesso, recordam à Domingo Cristina Batista e Isabel de Botton, as fundadoras e responsáveis da Associação Sorrir, em Lisboa. É lá que as sessões de riso marcam a agenda semanal de quarta-feira, logo depois das 20h30.
15 de Outubro de 2006 às 00:00
Crianças e idosos são os mais espontâneos, mas as classes são “heterogéneas” e a “idade não conta”, apesar da média rondar os 35 anos. Destaca-se o jovem executivo, que ali pendura o fato e gravata e aproveita para “aliviar o stress e controlar a ansiedade”. São 10 a 15 pessoas por sessão. Deixam todas “as tensões do dia-a-dia” à porta e, uma hora e meia por semana, entregam-se às ordens de Sabrina Taccon, a facilitadora do riso que tem por missão fazer “exercitar a gargalhada”. O que até consegue sem grandes segredos, começando pelo inevitável trabalho de desinibição, que passa por “quebrar o gelo e evitar alguns constrangimentos”, conta com orgulho a simpática espanhola ao serviço da Sorrir.
Sabrina dispõe os alunos pela sala, de pé, e apela ao ridículo, “um autêntico jogo do faz de conta”. Há o clássico “riso do telemóvel”, em que se simulam animadas conversas telefónicas, e há, por exemplo, “o riso das facturas”, quando se encaram contas astronómicas de sorriso nos lábios... Tudo o resto “é contagiante”, numa altura em que já pouco importa se as gargalhadas iniciais foram “falsas ou verdadeiras”. O riso “provoca a contracção dos músculos abdominais” e, consequentemente, “activa o diafragma”. Ao fazê-lo, “aumenta a capacidade inspiratória e a porta de oxigénio, apelando às nossas criatividade e sociabilidade – o que nos ajuda a resolver os problemas”, diz Cristina Batista. “A gargalhada ilumina-nos” e, de resto, “há estudos que o sustentam”.
Outro aspecto positivo “são as endorfinas, substâncias naturais segregadas pelo organismo e que causam não só dependência mas também sensação de bem-estar”. Tal como os conhecidos químicos, “com a diferença que aqui a dependência é salutar...” Basicamente, resume Isabel de Botton, “rir tem uma função preventiva contra eventuais depressões, o que está cientificamente comprovado.” E só há vantagens em “encarar a vida com um sorriso”, levantando a moral de um País deprimido, habituado “a lastimar os problemas.”
O sucesso junto de jovens executivos, para quem estas sessões “estão bastante vocacionadas”, já levou a associação a promover “sessões próprias para empresas. É muitas vezes importante”, para além do que foi atrás referido, “para desbloquear relações tensas, mesmo ao nível hierárquico, facilitando as comunicações dentro do trabalho”. Os primeiros 40 minutos de sessão “são muito cansativos, de actividade constante.” Sabrina conta que já viu “pessoas a entrarem preocupadas, cabisbaixas, e, em meia hora, mudarem radicalmente o seu estado de espírito...”
“Os químicos são um refúgio e é triste ver que são muitas vezes o recurso para jovens de 20, 25 anos. O que temos aqui é um espaço lúdico, onde se promove o sorriso interior, contra o isolamento. A divulgação é feita pelo “passa palavra, nos media” – e através de voluntariado, “em sessões públicas nos jardins, lares ou juntas de freguesia”. A Sorrir tem actualmente “três empresas que procuram sessões pontuais” para os seus quadros. “Mínimo dez pessoas.”
Cristina Batista recorda que a associação “foi a primeira a apoiar o riso no nosso país, através de Madam Kataria, que há dez anos fundou os clubes do riso na Índia.” E entre ontem e hoje, domingo, é a vez de Sabrina Taccon marcar presença em Berlim, na Alemanha, onde “vai ser nomeada embaixadora do riso em Portugal”, numa reunião entre os vários líderes europeus da especialidade.
Mas esta associação “sem fins lucrativos”, cujas fundadoras têm “profissões paralelas” e não são remuneradas, não se dedica exclusivamente ao riso. E no preenchido mapa de actividades semanais estão ainda abertas inscrições para aulas de yoga, danças orientais, teatro de iniciação ou adiantamento. No plano das massagens já existem as variantes shiatsu, tuiná, relaxamento, biodinâmica, acupunctura ou drenagem linfática – e, em termos de psicoterapias, destacam-se a astrologia, terapia sacro-craneana, psicologia ou a programação neurolinguística.
VAI GOSTAR SE...enfrenta o stress do dia-a-dia, com momentos de grande tensão, e sente necessidade de descomprimir. Método natural, saudável, que evita o recurso aos químicos.
PERGUNTAS SOBRE A SORRIR
Onde se dirigir: Rua Martins Barata, nº 3 A (a seguir ao Museu da Marinha, Belém), 1400-247 Lisboa
Contactos: 21 362 49 62 (telefone), 91 976 10 24 (telemóvel), ou através do email: geral@sorrir.com. Site: www.sorrir.com
Dias e preço das sessões do riso: Todas as quartas-feiras, entre as 20h30 e as 22h00. O preço mensal é de 20 euros. A primeira sessão do riso é experimental e gratuita.
Demonstração: No próximo domingo, 22 de Outubro, terá lugar nos jardins de Belém, Lisboa, a Feira da Sorrir, com demonstrações gratuitas das várias actividades promovidas pela associação, entre elas sessões do riso. Entre as 10h00 e as 18h00.
Outras actividades: Aulas de yoga, às segundas, quartas e sextas-feiras, 19h00-20h30 (40 euros mensais); danças orientais, às segundas e sextas-feiras, 20h30-22h00 (30 euros); teatro, quartas e quintas-feiras, 20h00-21h30 (25 euros); meditação, às quintas-feiras, 20h00-22h00 (150 euros, curso de 20 horas); chi-kung, às quintas-feiras, 19h00, e sábado, 10h00 (30 euros).
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