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Sorrir é melhor

O sorriso, porque não mostra os dentes, é mais envolvente do que o riso.
Fernando Ilharco 27 de Agosto de 2017 às 11:41
Rir é bom, como se sabe, mas sorrir pode ser melhor. Por vezes, quando se ouve uma história engraçada, alguém comenta "é de morrer a rir". É um facto: o riso pode matar uma pessoa, literalmente. Rir é bom, mas torna a respiração mais difícil, a tensão arterial sobe, a pressão no tórax aumenta. Enquanto rimos não conseguimos fazer mais nada, só pensamos no que nos faz rir…
e pode ser perigoso.

Desde a Grécia antiga até hoje são conhecidos casos de pessoas que morreram a rir. Em 1989, um profissional de saúde dinamarquês, de nome Ole Bentzen, morreu a rir enquanto via ‘Um Peixe Chamado Wanda’; uma comédia inglesa de morrer a rir…
O coração parou, depois de ultrapassar os 250 batimentos por minuto. Há uns dez anos, na Tailândia, um homem, um vendedor de gelados, morreu a rir enquanto dormia… e sonhava. Ao fim de dois minutos a rir intensamente, não tendo a mulher conseguido acordá-lo, deixou de respirar e morreu. Asfixia terá sido a causa da morte.

Entre outros problemas, o riso pode provocar desmaios, ataques de asma, dificuldades musculares, dores de cabeça, deslocar os maxilares, etc. Mas, com conta, peso e medida, rir faz bem. O riso aligeira a situação, faz-nos sentir mais leves, menos preocupados. Rir liberta endorfinas, a química do exercício físico, que nos faz sentir bem.

O riso é contagioso, não apenas cultural ou simbolicamente mas também neuralmente. Robert Levenson, investigador na Universidade da Califórnia em Berkeley, refere que em geral as pessoas estão prontas para se juntarem a quem se está a rir. Relata experiências em que em pessoas a quem fora dito para não se rirem, mas que ouviam ao fundo gente a rir-
-se, se via claramente, através de scannings cerebrais, padrões mentais a formarem-se, indicando que estavam desejosas de se juntar a quem se ria.

Rir é bom, mas cuidado. Diz o provérbio ‘começas a rir e acabas a chorar’. Há quem não goste e quem tenha medo de rir; os chamados gelotofobos, um tipo de pessoas estudado há menos de 10 anos. Os britânicos parecem ter a taxa mais alta de gelotofobia: 13% da população. O riso com os dentes à mostra não deixa de ser agressivo. A sua origem está na caça, na alimentação que nos faz sobreviver e sentir bem.

Rir conjuntamente é bom, mas nunca demasiado alto. E se puder sorrir em vez de rir, pode ser melhor. No sorriso, os lábios escondem os dentes e a agressividade
do riso cai. O sorriso, evolução do riso com centenas de milhares ou milhões de anos, mantém o bem-estar, o envolvimento
e a força do riso, sem a agressividade dos dentes à mostra. Por isso, se rir é bom, sorrir é melhor.

ANTIGA ORTOGRAFIA

Grécia Peixe Chamado Wanda Universidade da Califórnia
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