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Terapias do bem-estar para gente pequena

A ‘pintainha’ com um ano e dois meses acaba de aprender a palavra ‘mãe’. Leonor repete-a sem parar enquanto a progenitora ‘galinha’, como qualquer marinheiro de primeira viagem, lhe muda a fralda.
29 de Abril de 2007 às 00:00
Terapias do bem-estar para gente pequena
Terapias do bem-estar para gente pequena FOTO: Sérgio Lemos
Distraída com peluches, está mais que ambientada à sessão do dia. “Ela é bem disposta mas é um pisco. Está na linha dela de crescimento, mas tem pouco apetite, come pouco”, diz Ana Duarte Ferreira que a segue de perto na marquesa numa manhã para descontrair. Leonor nunca tomou antibióticos. O medicamento que melhor conhece são os dedos sábios de Filomena Silva, terapeuta que aqui substitui as agulhas da acupunctura pelas próprias mãos, no âmbito da massagem chinesa Tuina. “Ela tem um apetite pobre e prisão de ventre. Estou a estimulá-la nesse sentido. Na coluna, tento fortalecer o sistema imunitário”.
Esta é apenas uma entre as terapias alternativas que começam a acompanhar a fauna urbana desde os primeiros passos. Filomena segue 6 ou 7 bebés fixos. Sazonalmente, chegam a ser mais de vinte. Casos de profilaxia, para evitar “miúdos encharcados em químicos”, mas muitos de “doença pura e dura” passam-lhe pelas mãos quando em desespero os pais assumem que “já tentaram tudo”. Crianças bipolares, maníaco-depressivas, casos oncológicos. “Acompanho bebés a partir do primeiro mês”. É na Clínica Força Vital que os ensinamentos e práticas do Oriente se fazem sentir. “As pessoas vêm quando precisam. Faz-se prevenção. É possível atacar o mal pela raiz, explica Filomena, massajando os vários pontos de pressão, como a cabeça. “Os bebés gostam porque não dói”. Segue-se uma pose acrobática, uma pressão no pulso. para estimular pulmões e vias respiratórias. São eles quem determina o andamento da terapia. “O tempo da massagem é o que eles permitirem. Aqui mandam eles! Quando o bebé não precisa de mais, não deixa que lhe toquem. Há uma ligação muito grande ao cordão umbilical. Muitas das coisas que as mães têm passa para eles. Stress, hábitos de alimentação. Então quando estão a mamar, são o que a mãe é”.
As mães chegam à Tuina através de outras mães. O passa-palavra e as conversas de creche dão um empurrão. “Já fiz acupunctura e preferi recorrer à Filomena”, diz Ana.
Quinze minutos depois do primeiro toque, chega o soninho. E Leonor segue “mansinha” para casa.
DO OUTRO LADO DA CIDADE
Do outro lado da cidade, as manas Marta e Madalena precipitam-se para o cantinho da sala – o “do chulé” – e desembaraçam-se automaticamente dos sapatos. Manuel segue-lhes o passo miudinho. Zé Maria, Marta, Matilde e Frederico já estão dispostos em semicírculo. Conhecem a postura na ponta dos músculos. As pestanas de cima colam--se às de baixo à medida que trancam os olhos. Sorriem e começam os exercícios de respiração. Um deles deixa escapar um bocejo. “Como foi a semana?”, pergunta Patrícia Almeida. “Fiquei nervosa antes de uma ficha e fiz a respiração”, conta Matilde. “Eu também, quando não conseguia resolver um problema”, lança Frederico.
Os exercícios de meditação com que ocupam as manhãs de sábado vão com eles para casa. Quem os vê entrar esbaforidos duvida que a sessão lhes consiga encurtar a rédea. Duvida mesmo que as correrias desenfreadas e a barulheira das tropelias amansem sem dar muita água pela barba a Patrícia Almeida. “Não são fáceis, mas é óptimo para os obrigar a relaxar! Aprendem uns com os outros. Cada vez temos mais formas de comunicar mas comunicamos menos”.
A instrutora não tem mãos a medir durante as sessões de meditação na creche ‘Gente Pequena’. É aqui que o projecto ‘Zuddhakidz’ (sinónimo da pureza e simplicidade infantil) levanta voo. “Já faço meditação há dez anos, comecei nos Estados Unidos. Ando há muito tempo a estudar este projecto”. Patrícia continua a reservar um tempo de abstracção para si. “Às vezes estou a trabalhar no computador e faço uma pequena meditação para desbloquear. Acredito muito na lei da atracção. Se procurarmos pensamentos positivos, ajuda. Nos Estados Unidos há escolas que meditam 10 minutos de manhã e à tarde, patrocinadas por institutos de saúde. Cá a receptividade está a mudar muito. Chega-me gente de todos os níveis sociais”. Uma filosofia do optimismo aberta a todas as idades. “Há um ano, numa meditação em grupo, apercebi-me que havia pessoas muito idosas a iniciar-se, e achei que as crianças podiam começar cedo, tirar daí os melhores benefícios. Sem esperarem pela crise dos 50 para começarem a fazer meditação!”, brinca.
Melhoria da auto-estima, autoconfiança e das formas de comunicação são algumas das mais-valias endereçadas a todas as crianças. “Eles têm a facilidade de conseguir meditar de olhos abertos. Sentam-se ou deitam-se e é como contar uma história. Trago jogos, música, cantam, pintam. Os miúdos têm stress como os adultos, mas não reconhecem. Dou-lhes técnicas para aprenderem a lidar com o dia-a-dia.”
Ora sentados, ora deitados, as regras não são rígidas. Lei, só uma: papá não entra. Só entra na rotina semanal de trazer e levar o filhote. “Não somos daqueles pais que os querem sobrecarregar com actividades, mas achei graça a este projecto. Sou a favor de tudo o que possa contribuir para um crescimento saudável, que lhes permita arcabouço emocional. Esta actividade pode ajudá-lo a lidar melhor com os stress. Também não me importava de estar lá dentro!”, diz Margarida Cabral, mãe de Manuel, de cinco anos. Os benefícios são mútuos, e pelo sucesso até à data, a actividade é para manter. “Nota-se o efeito à saída. O Manuel é tímido e parece outro, quer continuar com os outros miúdos. Se fosse chato não viria com boa disposição”, acrescenta o pai, Filipe Cabral.
TAMBÉM DE MANHÃ
É também de manhã que começa o dia de Dinis. A música doce de fundo embala os sentidos e abate a frieza dos espelhos do ginásio de cores garridas. “Quem manda aqui são eles. Qualquer que seja a necessidade, a mãe deve prestá-la: colinho, fralda... São um ovinho Kinder, uma caixinha de surpresas. É espectacular a entrega”, frisa Sandra Matos, instrutora de Babyoga na Clínica das Conchas. As primeiras horas são as melhores para o exercício. Para Dinis, de três meses e meio, é dia de estreia. A mãe do rebento, Tânia Barros, entregou-se à nova experiência. Fez massagem a seguir ao parto – o segundo – e ficou com curiosidade em descobrir mais “para acalmar um bocadinho os bebés. Ele chora muito, tem muitas dores de barriga e acaba por aborrecer--se. Pensei que talvez eu própria conseguisse ajudá-lo a acalmar”.
O conforto do bebé é o mais importante. “A primeira aula é de adaptação, para ver a entrega da mãe e do bebé. Cada movimento para ele é um turbilhão de emoções”, diz Sandra. Mãe e instrutora estão frente a frente, sentadas no chão. No centro, um ou outro boneco para “ajudar o treino visual” e entreter o exercitado num momento de impaciência. Sandra usa um boneco de brincar para simular as várias posturas. A cada uma está associada uma canção. “É importante o tacto, pele com pele, uma estimulação adequada. Se ele não está receptivo, não flui. Há uma consciência mais desperta para as necessidades do bebé. O pai do Yoga diz que este se desenvolveu a partir da observação de animais e crianças. Eles têm a postura e respiração perfeitas, nós é que vamos desaprendendo”.
Os passos desenrolam-se. Primeiro o toque ‘miminho’. A mãe toca firmemente o bebé. “Toques leves excitam-no”, justifica Sandra. Depois, deixar “a mochila de pensamentos lá fora e centrar na relação mamã/bebé”, inspirar e expirar só pelo nariz, profundamente. Segue-se o aquecimento das mãos e o toque lateral do bebé desde os ombros até à ponta dos pés. Sussurram-se ‘miminhos’. Sucedem-se alongamentos e relaxamentos. Reproduzem-se movimentos como ‘ o caracol’, para libertar o sistema digestivo, ou de ‘bicicleta’. “Nas primeiras vezes é normal eles resistirem. Depois quando começamos a cantar já sabem o que vem aí”. “Bico, com bico, calcanharito” ou “Sola com sola, rebola, rebola” acompanham os movimentos de Dinis, guiado pela mãe. “Os bebés aprendem através da repetição, dá-lhes segurança”. Cumprem-se mais exercícios, até que o “pisca, pisca, amorzinho, yoga dá um bom soninho” anuncia que Dinis está satisfeito enquanto se desfaz num chorinho de quem pede colo. “É sinal que integrou os estímulos”.
A partir das seis semanas de vida, todos os bebés são bem-vindos, reunidos em grupos de cinco ou seis. Por regra, vêm acompanhados pelas mães. “Nos primeiros cinco meses o bebé vive no universo materno, o pai é um elemento distractivo. No nível II já vão muitos pais. Tento aconselhar as mamãs a uma vez por semana, durante uma hora de manhã, tentarem conciliar as aulas com o trabalho”. Assim será, garante Tânia, que vai passar a marcar as sessões na agenda. “Gostei, gostava que o pai viesse também assistir a uma aula. Uma vez por semana consigo vir”.
MASSAGEM TUINA
PORQUÊ?
Porque esta técnica específica da Medicina Tradicional Chinesa corrige e restabelece desequilíbrios energéticos. Previne de otites, constipações, problemas gástricos
BENEFÍCIOS
- Tonifica e harmoniza a energia e o sangue de um meridiano, órgão ou região
- Descontrai e reorganiza as energias yin e yang do corpo
- Melhora o sono
- Reduz o choro
- Reduz o stress
PREÇO: 45 €, série de três massagens, 120 €
Contacto: 21 84 86 585
MEDITAÇÃO
PORQUÊ?
Porque as crianças obtêm um conhecimento do “viver o momento”, com consciência dele e de si mesmo. São explorados os 5 sentidos.
BENEFÍCIOS
- Desenvolve a concentração, controlo das emoções, auto-estima, autoconhecimento e a consciência dos sentimentos
- Melhora as relações com os outros
- Desenvolve a criatividade, imaginação, intuição, as capacidades desportivas e intelectuais
PREÇO MÉDIO: séries de 8 aulas: 100€
Contacto: www.zuddhakidz.com / 91 62 92 881
BABYOGA
PORQUÊ?
Porque equilibra o tempo que os bebés passam nas cadeirinhas (ovos), nos carros, parques ou andarilhos. Condicionar os movimentos dos bebés atrasa outras etapas de desenvolvimento e pode influenciar o desenvolvimento cognitivo.
BENEFÍCIOS
- Sono de maior qualidade
- Melhora a digestão e alivia as dores das cólicas
- Reduz a inquietação / irritação
- Ajuda o desenvolvimento neuromuscular
- Fortalece o sistema imunitário
- Aumenta a consciência corporal
PARA OS PAIS
- Construção de um vínculo afectivo profundo
- Aprender a acalmar o bebé
- Ajuda a adquirir confiança
- Reduz o stress e ansiedade
- Aprender técnicas de meditação
- Momentos especiais de dedicação ao bebé
PREÇO MÉDIO: 6 aulas + 1 gratuita
Sócios: 125 €
Não-sócios: 150 €
Contacto: babyoga.portugal@gmail.com 96 798 59 96
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