TOUREIROS: EL MATADOR

O toureio a pé tem poucas tradições entre nós porque as corridas com touros de morte continuam a ser proibidas. Ainda assim, os matadores portugueses estão entre os melhores do mundo.
20.04.03
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“Lá no meio da arena, sozinho, Romero, o ‘matador’, aproximou-se tanto do touro que o via claramente, expondo o corpo, expondo-o outra vez um pouco mais perto, o touro a olhar sombriamente, depois tão perto que o touro julgava que o apanhava, expondo-o outra vez e finalmente provocando a corrida do bicho, dando ao touro o pano vermelho, para que ele o seguisse…”. O escritor Ernest Heminghway desceu às arenas de Pamplona, em Espanha, e descreveu como poucos a luta entre o homem e o animal, imortalizando a ‘fiesta’ brava na literatura mundial.
No país vizinho, a tradição manda que o touro tem de ser morto na arena, perante o júbilo da plateia. Já em Portugal, as touradas de morte são expressamente proibidas por lei desde 1836, por imposição do rei D. Miguel, curiosamente um grande adepto de touradas. E o touro sai com vida da praça. “Aqueles que querem ver um matador em acção costumam viajar até Espanha”, refere Maurício do Vale, um dos maiores especialistas de tauromaquia em Portugal.
Ainda assim, Portugal conheceu alguns dos melhores matadores de touros – a hierarquia máxima do toureio apeado. Nomes como Diamantino Viseu, Manuel dos Santos ou José Falcão levaram ao rubro praças em Espanha, França e até Venezuela.
Actualmente, Alexandre Pedro, mais conhecido como ‘Pedrito de Portugal’, é o mais mediático e controverso ‘descendente’ desta nobre linhagem. Em Setembro de 1998, o País susteve a respiração quando o toureiro português foi gravemente colhido na praça de touros de Salamanca. A cornada atingiu a sua zona genital, o que obrigou a uma intervenção cirúrgica de emergência, efectuada na própria enfermaria da praça e que foi seguida atentamente pelos aficcionados.
Três anos depois, Pedrito voltava a dar que falar no seu País de origem, após ter morto um dos touros da sua lide, durante uma corrida das festas da Moita. À saída da praça foi detido pela Polícia, para descontentamento da população. Em 2003, os aficcionados irão vê-lo novamente no seu estilo inconfundível, armado com uma capa vermelha e a colocar o rojão entre as omoplatas de touros, provavelmente em praças bem distantes de Portugal. nMatadores do passado
Em Portugal, a lide a pé é recente. Diamantino Viseu, já falecido, foi o primeiro matador de touros português. Estávamos em 1947. O seu grande rival era Manuel dos Santos, que entre 1948 e 1953 toureou em praças de todo o mundo, sendo um dos matadores mais activos do seu tempo. Entretanto, em 1951, na praça de touros do Campo Pequeno, tornou-se o primeiro matador português a matar um touro no País, o que o levou a julgamento, no qual foi absolvido. Augusto Gomes, o primeiro toureiro a partir para Espanha, José Falcão, colhido mortalmente em Agosto de 1974 em Barcelona, e Vítor Mendes, que se encontra retirado mas continua a participar em alguns festivais, são outros dos imortais matadores de sangue luso.

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