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Turistas em Lisboa

Não nego que numa cidade que não está preparada, o turismo traga problemas. Mas é preciso analisar o fenómeno
10 de Setembro de 2017 às 15:00

Todas as semanas, passo diante do Terreiro do Paço, em Lisboa, olhando com prazer uma das mais belas praças da Europa. Trabalhei ali, numa profissão imbecil relacionada com a Saúde, entre os meus 19 e os meus 26 anos. Ou porque odiasse o que tinha a fazer ou por a praça estar cheia de carros, nunca lhe prestei atenção.

Há alguns meses, ao circular na Ribeira das Naus, deparei-me com uma espécie de arranha- -céus tombado. Só quando me aproximei percebi ser um cruzeiro de grandes dimensões. A capacidade destes navios é incrível: muitos conseguem albergar mais de cinco mil pessoas. Vi, com espanto, os indivíduos que deles saíam, de mochila às costas e bonés na cabeça, a caminho do centro da cidade.

Gente como eu

Preocupada com outras coisas, até à chegada ao hospital não pensei mais no assunto. Depois, notei que todas as madrugadas despertava a ouvir rodinhas de malas na rua. No Jardim da Estrela era mais frequente ouvir falar francês do que português. E até tive de responder a um casal de adolescentes germânicos que não, o meu rés-do-chão não se destinava a "aluguer de curta duração".

Pouco saio, mas contaram-me ser agora impossível andar no Chiado e, devido aos tuques-tuques, estar o trânsito infernal na capital portuguesa. Não nego que os turistas, especialmente numa cidade que ainda não regulamentou o acesso a certos monumentos nem preparou devidamente os transportes públicos, possam estragar a cidade onde nasci, mas é preciso analisar o fenómeno com calma.

Desde logo, notei que os indivíduos mais críticos do acréscimo do turismo eram gente que há trinta anos iria a Veneza com placitude; gente habituada a hotéis de luxo; gente deliciando-se em praias desertas. Enfim, gente como eu.

*antiga ortografia

Livro

O fermento da desigualdade social

Não é a fatia dos milionários americanos (1%) que mais tem entesourado, mas, como o escreve R. Reeves , a alta classe média. Este facto é tanto mais difícil de ser aceite nos EUA quanto a ideia da meritocracia ser uma das bases da nação. É fora da escola que as desigualdades começam e é fora dela que elas têm de ser combatidas.

Livro

Memória de uma mulher num país conservador

Descobri Edna O´Brien tarde. Comecei pelas suas memórias. Vindo de quem, como eu, nasceu e viveu num país conservador, a Irlanda, sob o duro olhar da Igreja Católica, a obra não podia deixar de me atrair. O´Brien não nos fala apenas da sua adolescência, mas da sua ulterior vida, quando o êxito veio premiar a carreira.

Homossexualidade

A secretária de estado que nos disse calmamente

Esquecemo-nos de quão recente é a abolição de leis bárbaras. Alan Turing conseguiu descodificar ‘o Enigma Nazi’, o que permitiu aos Aliados vencer a guerra. Em vez de ser aclamado, foi condenado pela prática de actos homossexuais. Parabéns à Secretária de Estado Graça Fonseca por nos ter dito ser lésbica.

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