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Um mundo de risco e inovação

Uma retrospetiva integral do melhor que a mestiçagem do rock com a canção francesa tem para oferecer.
Adolfo Luxúria Canibal 14 de Abril de 2019 às 11:00
“A reedição destes  24 CDs e 308 títulos  é  um privilégio apenas reservado aos grandes da música francófona, caso  de Alain Bashung”
“A reedição destes 24 CDs e 308 títulos é um privilégio apenas reservado aos grandes da música francófona, caso de Alain Bashung” FOTO: Reuters

Dez anos depois da sua morte, Alain Bashung tem a obra musical integralmente reeditada numa caixa de 24 CDs e 308 títulos, um privilégio apenas reservado aos grandes da música francófona.

Nascido em Paris em Dezembro de 1947, de mãe bretã e pai argelino, que nunca conheceu, passou a infância no campo alsaciano, perto de Estrasburgo, com os pais do padrasto que a mãe desposara após o seu nascimento.

Foi aí que conheceu o rock & roll, através da rádio das bases americanas instaladas na Alemanha. Aos 11 anos retorna a Paris, viver com a mãe e estudar comércio. Em 1965 forma um primeiro grupo rockabilly, início de uma carreira fiel ao rock & roll mas incipiente durante largos anos, em grupos, na sombra ou em nome próprio – apenas em 1977, depois de vários singles passados desapercebidos, edita o primeiro álbum, ‘Roman-Photos’, sem qualquer sucesso.

Foi preciso esperar por 1980 e pela edição do single ‘Gaby, Oh Gaby’, com um milhão de exemplares vendidos, para Alain Bashung conseguir alguma notoriedade… É ainda na década de 80, passada a euforia comercial de ‘Gaby, Oh Gaby’ e de ‘Vertige de l’Amour’ (1981), que edita os primeiros álbuns relevantes – mais uma vez sem qualquer sucesso comercial –, como ‘Play Blessures’ (1982), com a colaboração de Serge Gainsbourg, e ‘Novice’ (1989), com a participação de Colin Newman (Wire), Dave Ball (Soft Cell), Blixa Bargeld (Einstürzende Neubauten) e Phil Manzanera (Roxy Music).

São discos de uma negritude extrema, marcados pela ‘cold wave’, que passam ao lado do público e da maior parte da crítica, para só em retrospectiva encontrarem o panteão que mereciam. Um panteão que apenas se começa a firmar nos anos 90, primeiro com ‘Osez Joséphine’ (1991), um disco de blues orquestral de uma beleza ímpar, depois com ‘Chatterton’ (1994), uma espécie de ‘country new age’ estranho, e finalmente com ‘Fantaisie Militaire’ (1998), a sua obra-prima.

A estes juntem-se os sombrios álbuns do novo milénio, ‘L’Imprudence’ (2002) e ‘Bleu Pétrole’ (2008), e eis o melhor de uma obra que é imprescindível conhecer.

UM SUAVE DESFALECIMENTO EXISTENCIAL
O segundo livro da conimbricense Maria Sousa é como um mergulho na solidão mais absoluta, lá onde a casa, metáfora do abrigo, perdidas as metáforas na penumbra da ausência e do silêncio, no reflexo da soledade, se transmuta no fluxo poético de um depósito sem fim de desvalidas e assombradas memórias.

AS BENFEITORIAS DO CAPITALISMO SELVAGEM
Um retrato da Rússia moderna na sua desumanidade mais selvática e impiedosa, através da história de Ayka, imigrante do Quirguistão que, sem papéis e com uma dívida à máfia russa, abandona a criança que acaba de dar à luz para, numa fuga sem fim pelo gélido Inverno moscovita, tentar sobreviver ao horror.

CELEBRANDO O PRAZER DA AUDIÇÃO MUSICAL
Ao segundo disco ,os bracarenses Dead Men Talking atingem a maturidade artística, conseguindo um feliz equilíbrio entre o ‘post-punk goth’ que lhes serve de matriz genética, de presença ainda identificável no tratamento da voz, e a electrónica mais contemporânea e envolvente. Uma delícia para os ouvidos…

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