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Vá de férias e volte depois da plástica

O telemóvel guarda as fotografias. A câmara de filmar regista os momentos em filme. Pedaços da filha de 5 anos que vão adelgaçar as saudades enquanto a mãe cuida do corpo.
18 de Novembro de 2007 às 00:00
A três horas de distância de avião. Em Tunis, capital da Tunísia. Destino turístico onde à vista desarmada uma operação estética parece um item inóspito num programa de viagem. Não foi fácil convencer os amigos que o terreno magrebino era fértil. Mas Lucibel Silva, 34 anos, não tem dúvidas: “Penso nisto há muitos anos. É o sonho de uma vida”.
O perfil encaixa no de milhares de pessoas em todo o mundo que todos os anos viajam para destinos a milhas aéreas de distância do país de origem em busca de uma figura mais esbelta, um peito mais firme, um nariz mais perfeito.
É o filão do turismo estético, um segmento que aposta no binómio férias/tratamentos e coloca as cirurgias plásticas no topo da demanda. Anonimato, preços baixos e o exotismo das paisagens (factores não necessariamente por esta ordem) são a alma deste negócio cada vez mais global.
Um clique na Internet, plataforma preferencial para este sector, bastou para aproximar oferta e procura.
Lucibel parte para uma estada de dez dias com 78 quilos na bagagem para 1,64 metros de altura. Lipoaspiração geral e abdomenoplastia (intervenção cirúrgica na zona abdominal) é o menu escolhido. “É a primeira vez na Tunísia e a primeira vez a ir à faca! Mas foi um processo de conversação muito grande. A cesariana foi a única operação”. A cruzada é um deja vu. Devorou revistas de boa forma.
Consultou nutricionistas, testou dietas, suou as estopinhas no ginásio. Esforços inglórios para caber nos tamanhos médios da roupa. Perdeu trinta quilos graças a um regime de batidos energéticos iniciado há dois anos. A balança ainda acusava excesso depois desta assinalável conquista. E o negócio de família, uma padaria e pastelaria em Ovar, não ajudava.
“O pão estraga tudo!”. Com o falhanço, a angústia e a ansiedade instalaram-se. “Sempre fui muito complexada e sentia inferioridade. Só me via a um espelho para me pentear. Sempre tive tendência para engordar, sobretudo depois do nascimento da minha filha. Cheguei a pesar 103 quilos e meio!”, explica.
O passo é maior do que os quilos a abater. Mas a dimensão do golpe na carteira é para muitos um dos mais ponderados.
Um pouco por todo o Mundo, as preocupações estéticas e de saúde tentam ir ao encontro do útil e do agradável. Do económico também, claro. Este sector de turismo expande-se a uma velocidade vertiginosa ao sabor das modas e destinos exóticos mais apetecíveis.
A procura do Brasil de Pitanguy, mas também da Tailândia, Malásia, Singapura, Índia ou África do Sul, é uma realidade justificada pelos serviços prestados com baixíssimos custos, onde, por exemplo, um by-pass coronário chega a ser sete vezes inferior ao praticado nos E.U.A. ou Europa. Paralelamente, as agências de turismo investem no fabrico de pacotes específicos nestas áreas, às quais se associa a indústria hoteleira da saúde e os sistemas de crédito. Estima-se que em 2012, este segmento represente um volume global de negócio na casa de 1,5 biliões de euros.
A liberalização destes serviços segue a passos largos.
“Quando vim à Tunísia propor o negócio, fiz de cliente mistério para saber como seria tratada. Achei que em Portugal estávamos mal servidos com preços muito caros para as cirurgias estéticas.
Durante um ano e meio desenvolvi um trabalho em colaboração com outra empresa, mas havia coisas que achava que não se adaptavam ao cliente português, como a organização, as expectativas. Decidi há um ano criar a minha própria empresa, sedeada em Portugal”, explica Carla Curto, responsável pela Liberis, agência pioneira em Portugal na oferta de Turismo Estético e de Bem-Estar. Apesar da aposta, Carla reconhece alguns obstáculos no desenvolvimento do conceito. “Acho que o problema em Portugal passa por credibilizar o conceito.
É muito estranho para um português dizer que vai para África fazer uma cirurgia estética. Se fosse para o Brasil era diferente, já tem nome. Ainda há preconceito em relação aos países árabes. Daí a importância do acompanhamento português.”
O processo, depois do clique inicial, é menos lento e doloroso do que o pós-operatório. “Enviei fotos sem roupa com as zonas críticas. Depois eles avaliam, pedem exames, mandam fotos com o resultado e o orçamento”, enumera Lucibel, já em pleno voo. Falando e escrevendo de números, são estes: 5350 euros para dez dias.
O pacote inclui deslocação (500 euros), alojamento em hotel de quatro estrelas (a diária ronda os 80 euros) em regime de meia pensão, consultas, anestesias e operação (cerca de 3500 euros). O recurso ao crédito é uma das facilidades solicitada pela paciente, para quem os preços lusos se manifestavam ainda mais proibitivos para a modesta carteira.
“Quando apresentamos o orçamento damos várias dicas ao cliente. Uma delas é consultar o cirurgião local.
Para conhecerem a sua opinião e o orçamento em Portugal e tirarem todas as dúvidas sobre a cirurgia com uma pessoa que fala a mesma língua. Antes de irem digo-lhes tudo, sou muito realista quanto a dimensões de cicatrizes, dores, acho que é importante a verdade nua e crua”, acrescenta Carla.
ATRACÇÕES DO PAÍS
Praia, deserto, talassoterapia. Estas são algumas das atracções deste país do Magrebe, o primeiro, a partir de Janeiro, a manter uma zona de comércio livre com os 27. Depois do Brasil, os portugueses voltam-se para alternativas igualmente acessíveis com apetecíveis chamarizes turísticos. As belezas naturais e riqueza cultural complementam o martírio da operação.
Há-a para todos os gostos e necessidades. Redução de lábios vaginais, reconstrução do hímen e engrossamento do pénis não são fantasia nem ficção. Mais, muito mais está disponível. A lipoaspiração elimina gordura localizada.
O lipofilling encarrega-se de encher certas zonas do corpo como as pernas arqueadas. Neste e em outros casos, o recurso à própria gordura, que representa menos risco de rejeição, é a técnica eleita. Por sua vez, o bodylift elimina o excesso de pele em regiões como as nádegas, costas e barriga, afectadas após as cirurgias de obesidade.
Otoplastias (correcção de orelhas), rinoplastias (nariz), mamoplastias, lifting dos seios, redução de seios ou lifting facial continuam entre as preferências de mulheres e homens. Há dezenas de opções com ou sem recurso ao bisturi.
À chegada ao aeroporto de Tunis, Lucibel é encaminhada directamente para a policlínica El Menzah, onde oito quartos acolhem os pacientes. Nos corredores, aguarda-se a chegada de duas francesas e uma inglesa.
A aterragem e descolagem de pacientes na clínica é uma constante. A portuguesa Maria José, há vários anos na Tunísia, é uma das parceiras de Carla em solo magrebino e a garantia de acompanhamento permanente na língua-mãe, uma pérola para quem não domina a predominante língua gaulesa.
Na manhã seguinte à chegada, a consulta de esclarecimento e a assinatura do termo de responsabilidade antecedem a operação.
Dores e cicatrizes são ossos do ofício que esperam a paciente, sempre a tempo de recuar na decisão até à última da hora. Jejum e banho de betadine, para desinfecção, fazem parte do menu. O corpo de Lucibel vira mapa desenhado com as zonas visadas em destaque. A intervenção cirúrgica, de duas horas e meia, condiciona certas aventuras durante as férias tunisinas. Impedimentos que não o seriam o objectivo se se limitasse a uma correcção de orelhas ou nariz. Para Lucibel, isso é o menos. “Não vou poder andar de camelo”, graceja.
O efeito da anestesia geral apaga os últimos receios e galhofas. “Dormimos, e acabou”. E a entrada no bloco operatório é memória apenas para quem assiste.
Bom é quando tudo acaba sem que comecem complicações. Cá ou lá, ninguém está livre de riscos. “É uma cirurgia de superfície que pode desencadear problemas.
Há sempre risco em qualquer situação”, esclarece o cirurgião, Dr. Taher Djemel. Liftings, implantes capilares, lipoaspiração, implantes de silicone, cirurgias à barriga e nariz são das mais solicitadas. O grande ‘boom’ aconteceu em 2004 quando um dos cirurgiões locais esteve em França e encaminhou alguns casos para a Tunísia.
“Temos uma taxa de satisfação de 70%, as complicações representam 4% e correspondem a pessoas que regressam para corrigir aspectos como as cicatrizes. Nestes casos, as pessoas só pagam o bilhete de avião. Recebemos 350 estrangeiros e 1000 tunisinos por ano. Há umas 80 clínicas na Tunísia, mas apenas umas cinco fazem-no de forma séria”, repara o director da clínica, Dr. Smida, entusiasmado com o mercado ibérico. “Os estrangeiros são mais exigentes, pedem muita experiência.
Os franceses têm menos preconceitos porque sabem que os nossos médicos são formados em França. Penso que há muita possibilidade de mercado com Portugal e com Espanha, onde se dá importância à estética.”
CULTO 'NIP/TUCK'
Para uns, mero culto ‘Nip/Tuck’, com a banalização dos toques e retoques na pele e na carne. Uma questão de luxo ou capricho. Para outros, a liberalização do acesso a uma intervenção com resultados aguardadamente visíveis na saúde física e mental. Por menos euros.
A pechincha não se livra da acusação de concorrência desleal, sustentada pela localização em zonas francas de impostos sobre a Saúde. Mas a verdade é que isso inquieta mais o negócio alheio do que o bolso do turista. “Não tenho problemas em dizer para o que vou. Talvez até possa ajudar outras pessoas. Sempre fui bem-disposta, mas sentia-me em baixo”, confessa Lucibel.
Dois dias depois da operação, é encaminhada para o hotel.
O estado periclitante denuncia o impacto da cirurgia e inviabiliza mergulhos na apetecível piscina exterior. A varanda do quarto oferece a miragem possível do conceito de ‘férias’. “Isto vai, não vai”. O efeito demora a revelar-se à vista. “Só passado um mês se notam alguns resultados. De semana para semana perde-se volume. É uma motivação muito grande.
O corpo expele os resíduos, sangue, gordura. Fazendo uma dieta normal durante um ano, perde muito mais do que sem tendo feito a lipo. Está num processo de drenagem. O ideal é esperar um mês para regressar ao exercício, tempo de utilização da cinta que se ajusta ao corpo”, explica Carla a Lucibel, que vai digerindo as recomendações . “Sabemos para o que vimos, mas não sabemos como vai correr.
Correu tudo bem. Apaguei, não me lembro de nada da porta para fora. Era um sonho e virou realidade. Era mais do que querer, andava estimulada. Foi muito emocionante. A pele está lisinha, parece uma tabuazinha”, descreve.
Como em tudo, nem sempre o sonho é cor-de-rosa. Vozes discordantes alegam que a negociação de pacotes turísticos com cirurgias quebra o elo entre o profissional e o paciente, tornando o acto uma prática meramente comercial.
As discrepâncias entre o país de origem e o país de destino são outro grande busílis. O cirurgião plástico Biscaia Fraga levanta algumas interrogações. “É uma vertente profundamente negativa que a pessoa entregue um bem como o seu corpo a alguém a milhares de quilómetros de distância. A cirurgia é um acto agressivo. Como é feita a vigilância e tratamento de eventuais complicações? Todas as semanas recebo casos de complicações inacreditáveis. E como é que se acciona judicialmente uma questão destas?
Compreendo o aliciamento, mas há uma preparação na cirurgia estética para além da história clínica que implica o estudo do paciente e o diálogo”.
A lei da estética pode não ser universal, mas o desejo de melhorar, regra geral, toca a todas as geografias. E épocas. Alguns historiadores afirmam que as primeiras reconstruções faciais tiveram lugar na época dos faraós.
O Egipto poderia ser a Meca das cirurgias plásticas, mas segundo os especialistas, a falta de qualificação dos técnicos e do material, deixam muito a desejar. A Tunísia, uma terra de contrastes que promove a abertura ao ocidente enformada pela cultura muçulmana, atrai forasteiros europeus e os vizinhos argelinos e líbios.
No Médio Oriente, o Líbano realiza milhão e meio de operações por ano. Ao consultório de Paul Yazbek, um mago do bisturi naquele país, e um dos mais caros (apesar de praticar a metade dos preços vigentes nos E.U.A, por exemplo) chegam clientes munidas de fotografias de celebridades cujas partes do corpo querem ver reproduzidas.
A cantora libanesa Haifa Wehbe ou a actriz Angelina Jolie estão entre as preferências. 80% das pacientes são libanesas, muitas financiadas por um dos principais bancos, o First National Bank, que disponibiliza créditos.
Chegar com um nariz de bruxa má e entrar com um de Cleópatra, nem sempre é sinónimo de realização pessoal. “Acompanhei um destes casos de turismo estético por mau resultado, com uma grande insatisfação pelo que aconteceu. Há um conjunto de situações a que se chama dismorfobias, em que a pessoa não gosta de certas partes do seu corpo, mas não porque sejam feias.
O problema está na percepção. Com esta doença mental não vive confortável com o seu corpo.”, sublinha o psicólogo clínico Américo Baptista. Corpo são em mente sã, ou intervir na cabeça antes de atalhar caminho pela via do corpo, pode ser uma opção a considerar. “Não tenho nada contra a melhoria estética. Se a tecnologia me permite viver mais e melhor, porque não aproveitar?
Mas é preciso ter cuidado com os critérios de exigência e idoneidade médica, científica e psicológica de quem opera”, continua o psicólogo, para quem este turismo levanta ainda outra questão. “Quando se vai fazer uma operação destas longe é porque não se quer assumir esse rejuvenescimento. Isso também indicia uma problemática que deve ser analisada”
Uma coisa é certa: o elixir da beleza, saúde e juventude pode não estar ainda à distância de um doce trago, mas novas e aliciantes alternativas vão pingando todos os dias. Para saciar a sede de mudança.
CIRURGIAS 'À LA CARTE'
Brunei, Cuba, Colômbia, Hong Kong, Hungria, Índia, Israel, Jordânia, Lituânia, Malásia, Filipinas, Singapura, África do Sul, Tailândia e Emirados Árabes Unidos estão entre os destinos mais populares ao nível do turismo médico. Por sua vez, Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, México, Turquia e Tunísia apostam na vertente estética.
Na Europa, países como a Polónia, Bélgica e Eslováquia vão aderindo cada vez mais a este negócio. Segundo uma pesquisa da Universidade norte-americana de Delaware, o custo de uma cirurgia na Bolívia ou Colômbia, em regime ‘low budget’, pode ficar por um décimo do pedido nos E.U.A. e na Europa Ocidental.
DEZASSEIS DESTINOS DE ELEIÇÃO
1 – ÁFRICA DO SUL
Conhecida pela cirurgia estética e reconstrutiva. Os safaris médicos são uma das atracções: “Faça um lifting e cruze-se com leões”
2 – ARGENTINA
Cirurgia plástica, transplantes capilares, dermatologia, fertilização assistida e cuidados dentários são as principais especialidades de um destino que começa a estar na berra
3 – BRASIL
Dos 5 milhões de visitantes que passam pelo Brasil, cerca de 800 mil deles vêm com o intuito de fazer tratamentos dentários, implantes e terapias estéticas. O ‘bumbum’ brasileiro é um dos mais procurados
4 – COSTA RICA
Procurada pelos tratamentos dentários
5 – CUBA
É um popular destino médico há mais de 20 anos. Em 2006, atraiu cerca de 20 mil turistas médicos
6 – COLÔMBIA
Aposta nas cirurgias estéticas e operações à vista, bem como transplantes e cirurgias cardiovasculares
7 – FILIPINAS
Investe em tecnologia moderna para intervir em áreas tão distintas como nádegas, seios, pálpebras, nariz e rosto
8 – HONG KONG
Soberbas estruturas, com 12 hospitais privados acreditados pelo Reino Unido (alguns entre os melhores do Mundo) e mais de 50 hospitais públicos. A desvantagem é que só as viagens podem chegar aos 2 mil euros.
9 – ÍNDIA
Cirurgias ao coração, próteses nas ancas, transplantes de fígado, e outras áreas de medicina avançada em infra-estruturas modernas. O preço baixo é o trunfo. As estimativas dizem que as intervenções podem custar um décimo do orçamento nos Estados Unidos ou Grã-Bretanha. O valor de negócio do turismo médico deverá rondar os 2 biliões de euros em 2012. Chennai, no sul do país, é considerada a capital do turismo de saúde indiana
10 – MALÁSIA
Com pessoal formado no Reino Unido e E.U.A. ambiciona tornar-se um destino de eleição. Os clientes britânicos e norte-americanos são um dos principais alvos
11 – MÉXICO
Guadalajara, a segunda maior cidade do país, é um destino ‘in’ para liposucções e abdomenoplastias
12 – PANAMÁ
Cirurgia estética, cuidados dentários, olhos, dermatologia e tratamentos de spa vão dando que falar. Pela localização geográfica é um destino apetecível para os norte-americanos
13 – SINGAPURA
Líder no mercado asiático, Singapura é famosa pelos avançados centros de investigação. Nove hospitais e duas clínicas são acreditados pelo Joint Commission International (JCI), a maior agência de acreditação nos E.U.A. Em 2005, o país recebeu 374 mil visitantes para turismo de saúde. Separação de gémeos siameses, cirurgias aos joelhos e aos olhos fazem parte do menu
14 – TAILÂNDIA
Mão-de-obra barata traduz-se em preços bem mais inferiores para os clientes. Mais de um milhão de pessoas visita o país anualmente em busca de cuidados estéticos e de saúde, nomeadamente na área cardiovascular e de transplante de órgãos, questões ortopédicas e de coluna e mudança de sexo. Apesar da modernidade das infra-estruturas, a OMS alerta para riscos como a sida e a dengue
15 – TUNISÍA
Formados em França, os especialistas recebem sobretudo clientes gauleses, ingleses e dos países vizinhos, como a Líbia e a Argélia. Rosto, abdómen, seios, orelhas, nariz e genitais são as áreas mais trabalhadas
16 – UCRÂNIA
Serviços de dentista e anestesista com preços bem mais baixos do que os praticados na Rússia e no ocidente europeu. Talassoterapia e cirurgias estéticas são outras ofertas
ALGUNS DOS MUITOS ASPECTOS A TER EM CONTA
- A maioria das inúmeras agências que encontra na Internet oferecem pacotes completos de viagem que incluem voo, tranfers, alojamento em hotel de topo e operação. Em Portugal, a Liberis é pioneira na oferta e acompanhamento de todo este processo ao nível do turismo estético, mas é possível encontrar vários sites de clínicas estrangeiras com idioma em português.
-Consulte previamente um médico no seu país. Poderá expor a sua situação e ouvir conselhos na sua própria língua, para além de poder comparar preços e condições. É possível que tenha que realizar exames a enviar previamente à cirurgia.
- Informe-se sobre os objectivos da cirurgia, duração, tipo de anestesia, idade aconselhável, processo de cicatrização, tempos de internamento e recuperação e outras dúvidas sobre a fase pré e pós-operatória.
- Cartão de crédito e traveler checks são as opções mais recorrentes para o pagamento destes serviços.
- Certifique-se que elege hospitais, clínicas e profissionais reputados e acreditados por entidades externas
- O acompanhamento pós-cirurgia costuma ser escasso no país de destino. É provável que tenha que consultar um médico no seu país após o regresso.
-Lembre-se que em muitos dos países de eleição deverá ponderar vários aspectos: eventuais tensões internacionais, conveniência de domínio de uma língua estrangeira (inglês, francês, espanhol são as mais faladas), dificuldade de recurso jurídico caso algo corra mal, risco de doenças infecciosas, etc.
- Realizar uma longa viagem logo após a intervenção pode aumentar os riscos de complicações. Se for para um destino com muito sol, lembre-se que ao expor as cicatrizes estas poderão ficar mais visíveis
- Uma das grandes vantagens da viagem, para além do preço, é a possibilidade de conciliar as férias com a intervenção cirúrgica, gozando ainda de discrição e anonimato, muito apreciados pelos pacientes.
- Para mais informações em terreno nacional consulte a Ordem dos Médicos e a Sociedade Portuguesa de Cirurgia Plástica Reconstrutiva e Estética www.spcpre.org
O PROCESSO EM DIRECÇÃO ÀS 'BELAS FÉRIAS'
Carla Curto, responsável pela Liberis, sintetiza o funcionamento do processo. “As pessoas explicam-me os objectivos, juntos preenchemos o processo clínico com dados pessoais, análises e fotografias. Envio para uma colaboradora na Tunísia, que submete à apreciação do cirurgião.
Quando há aval fazemos o orçamento em conjunto em função da cirurgia, época do ano... Eventualmente podemos recorrer a um sistema de crédito. Entre este processo e a viagem, o tempo depende da pessoa. Tive clientes que me telefonaram de manhã para partirem de tarde! Aí é impossível. Chegando ao país, dependendo da data da cirurgia, a paciente vai para o hotel ou directamente para a clínica. No dia seguinte tem uma consulta com o cirurgião e o anestesista. No final, assina um termo de responsabilidade.
É operada e internada uma noite ou duas, variando com o tipo de intervenções. Nos dias que sobram, tem duas consultas com o cirurgião para se avaliar a evolução e consultas pontuais com um enfermeiro, já no hotel.
O REGRESSO AO TRABALHO NA PADARIA
Um mês e meio depois da estada de dez dias na capital tunisina, Lucibel está de regresso ao balcão da sua pastelaria em Ovar.
O inchaço no corpo não desapareceu de vez e as zonas afectadas ainda se ressentem das dores inerentes às intervenções no abdómen, pescoço, braços e costas, mas as limitações físicas vão sendo atenuadas.
A cicatriz semelhante à de uma cesariana é uma das marcas mais visíveis da deslocação ao norte de África. Também os planos que partiram com ela e regressaram intactos. “Danças de salão e natação”, são dois projectos à medida de uma injecção de auto-estima que a fez regressar mais leve no corpo. E no espírito.
OPERAÇÕES E PREÇOS CÁ E LÁ FORA: ANTES E DEPOIS DA CIRURGIA ESTÉTICA
Otoplastias, implantes capilares, rinoplastias, abdominoplastias, lipoaspirações, liftings faciais são as principais solicitações dos pacientes. Em alguns casos manifestam-se mesmo antes da maioridade, mas a faixa etária mais recorrente situa-se entre os 20 e os 40 anos.
As mulheres constituem a esmagadora maioria, mas os homens não ficam indiferentes à tendência. A diferença entre os valores praticados em Portugal e nos países em vias de desenvolvimento, como a Tunísia, é abissal. Cá, uma abdomenoplastia ronda os 6 mil euros, lá fica-se pelos 3500 (preço apenas da intervenção).
Um aumento de seios varia entre os 2500 euros no Magrebe e o dobro em solo lusitano. Um lifting facial pode atingir os 6 mil euros em Portugal, custando apenas 4 mil no exterior. Com 2000 euros corrige-se o nariz.
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