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WORKAHOLICS: RICOS TRABALHADORES

António Champalimaud. Belmiro de Azevedo. Soares dos Santos. Joe Berardo. Américo Amorim. Os homens mais ricos de Portugal são ‘workaholics’ assumidos.
27 de Abril de 2003 às 00:00
António Sommer Champalimaud é o homem mais rico de Portugal. O industrial de 85 anos herdou um império milionário, ampliando-o vertiginosamente em poucas décadas graças à sua teimosia, inflexibilidade, mau feitio e suor. Aos 24 anos, era já administrador da Cimentos Leiria. Mais tarde, venceu o braço-de-ferro com o irmão, Carlos e herdou a fortuna do tio, Henrique Araújo Sommer. Fugiu para o Brasil, depois da ‘revolução dos cravos’, onde tem terras a perder de vista e muito cimento. Regressou e voltou a fugiu, depois de ter dado que falar com as reprivatizações. Hoje, o português mais amado e detestado de sempre está na lista dos ‘Bilionários’ da revista ‘Forbes’ e é uma das maiores fortunas do mundo.
A história de Belmiro de Azevedo também é feita de grandes ódios e paixões. O tripeiro de 65 anos é quase tão rico e forreta como o Tio Patinhas. A sua ‘caixa-forte’, a Sonae, factura três milhões de contos por dia e dá emprego a 35 mil pessoas. Há quem garanta que um dos seus segredos é o de não ter medo de desafiar o ‘status quo’ vigente.
Mas Belmiro é igualmente um madrugador nato e tem um ritmo de trabalho infernal. Ficou célebre o episódio recente no Parlamento, onde ‘obrigou’ os deputados a acordar um pouco mais cedo de que o habitual para uma audiência com o ‘sr. Sonae’ às oito em ponto.
Não menos temido e respeitado é Elísio Alexandre Soares dos Santos. Mas ao contrário de Belmiro, o mais novo membro do clã da família Soares dos Santos, é um homem discreto. O dono da Jerónimo Martins não gosta de frequentar as festas do ‘jet set’ e só cai nas bocas do mundo quando os negócios lhe correm bem (ou mal). Em comum, os dois magnatas apenas têm o império faraónico de supermercados e o vício incorrigível do trabalho. N
SELF-MADE-MAN
José Berardo, 58 anos, é um ‘self-made-man’ por excelência. O madeirense, também conhecido pelo diminutivo de Joe, tem a impressionante capacidade para detectar o filão e transformá-lo em ouro. Compra e vende. Vende e compra. Compulsivamente.
Na África do Sul começou garimpeiro e acabou dono de minas de ouro e diamantes. Depois, teve participações num clube de futebol, na Triunfo, na Vidago, na Investec, no BCP, no BES e no Banif. Hoje, tem um dos museus mais prestigiados do País.
Américo Amorim é outro dos nossos ricos em intuição. Deste empresário nascido a 21 de Julho de 1934, em Mozelos, no seio de uma família modesta, conta-se que só conheceu os primeiros sapatos quando fez a quarta classe. O início da fortuna alicerça-se numa das poucas riquezas naturais do País, a cortiça, herdando do avô um pequeno negócio. Aos 69 anos, nutre o sonho de construir uma fábrica por dia.
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