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A coabitação é um perigo

Em Portugal há cada vez mais mulheres a dispensar um mono sentado no sofá.
Maria Filomena Mónica 25 de Maio de 2018 às 13:23
Coabitação
Coabitação FOTO: Direitos Reservados

Há fenómenos a que devemos estar atentos. Em Portugal, há jovens que, mesmo quando mantêm uma relação amorosa, optam por viver longe dos pais dos seus filhos. Em 2006, o número de crianças nesta situação era de 6,3 por cento; em 2017, essa percentagem subiu para 17,1, o que significa que, dos 87 440 bebés nascidos em Portugal, 14 920 tinham pais vivendo em casas diferentes. Os cientistas sociais do burgo traduziram o ‘lifting apart together’ por ‘famílias solitaristas’ e incapazes de explicar o fenómeno, limitaram-se a declarar que tal não derivava da condição económica.

Há raparigas que, sendo profissionais bem pagas, optam por não viver com os maridos, por terem chegado à conclusão de que os homens portugueses são machistas. Em vez de coabitarem com um palerma cuja atenção está fixada na Sport TV consideram que, mesmo quando o amam, é preferível viverem separados. Num degrau social abaixo, algumas até gostariam de viver com o namorado mas não têm hipótese de alugar uma casa, uma vez que auferem o salário mínimo, recaindo sobre as avós o encargo de tratar da família alargada.

"Um quarto seu"

Já nos países escandinavos, a família nuclear, isto para não falar já da tradicional, está em vias de extinção. Na quase totalidade das séries ‘Nordic Noir’ que vi, e foram muitas, raramente os membros de uma família se sentavam à mesa para jantar. E, no entanto, algumas destas famílias pareciam felizes. Em países onde as licenças de maternidade são longas e as creches gratuitas, as mulheres reorganizam-se de forma a prescindir da figura masculina.

Por cá, estas facilidades não existem, o que não impede algumas jovens de optarem pelo modelo da ‘família solitarista’.

Desde sempre que a aristocracia esteve consciente que a coabitação minava as relações. Por isso, os seus membros viviam em quartos separados ou, no caso dos mais ricos, em casas separadas. Não assim para a burguesia. Foi preciso que Virgínia Woolf nos viesse lembrar, no seu ensaio de 1929, que as mulheres precisavam de "um quarto seu" para que as jovens privilegiadas tivessem decidido libertar-se do mono sentado ao canto da sala.

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