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Correio da Manhã

Domingo
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Calouste Gulbenkian 1869-1955

Em Lisboa, o estuário do Tejo ter-lhe-á trazido à memória a Constantinopla da sua infância.
Maria Filomena Mónica 31 de Março de 2019 às 12:30
FOTO: Lusa

Comemora-se agora o 150.º aniversário do nascimento de um arménio, Calouste Gulbenkian, um dos homens que mais me ajudou ao longo da vida. Foi a fundação que ostenta o seu nome que me levou a poder frequentar a Universidade de Oxford como foi ela quem subsidiou a tradução da biografia que escrevi sobre Eça de Queiroz.

Calouste Sarkis Gulbenkian nasceu em 1869 em Scutari, na margem asiática do Bósforo, o estreito que atravessa Istambul. Foi entre a plutocracia cosmopolita de Constantinopla que passou a juventude. Terminado o liceu, conseguiu que o pai lhe pagasse uma estada no King’s College, em Londres, onde se licenciaria brilhantemente. No ano seguinte, com o diploma de engenheiro, começou a trabalhar. O pai decidiu enviá-lo a Bacu, no sul do Império Russo, onde havia gente a esburacar o solo para dele retirar um líquido. O que viu, o petróleo, marcá-lo-ia para a vida. Do dia para a noite, Gulbenkian passou de estudante brilhante a conselheiro político do sultão Abdul Hamid II.

Veio a I Guerra Mundial e a disputa pelos poços petrolíferos do Médio Oriente. Dividiu tudo e todos e, no fim, passou a ser o "Mr. 5%", o que o tornou detentor de lucros inconcebíveis. Em julho de 1940, seguiu Pétain até Vichy, não por apreciar o velho marechal, mas por não estar para aturar as más-criações dos soldados alemães que haviam invadido Paris. Quando, em abril de 1942, os persas optaram pela causa dos Aliados, Gulbenkian foi forçado a deixar Vichy.

Na primavera de 1942, chegava a Lisboa. Em 1945, durante um passeio com o seu amigo K. Clark, veio à baila o sítio onde localizar a fundação que desejava criar, tendo mencionado os portugueses com simpatia: "São preguiçosos e incapazes de aproveitar uma oportunidade, mas gosto deles."

Que era um homem inteligente, ninguém discute. Mas, no sentido rigoroso do termo, não era um ser amável. Se algum traço está presente nos testemunhos deixados por gente que o conheceu é o autoritarismo. O perfil altivo do falcão, representando o deus Horus, deve ter-lhe agradado. E é assim que, nós, portugueses, o recordamos, na estátua erguida entre a Avenida de Berna e a Praça de Espanha.

Investigação
Nem todos se vergam ao poder

O procurador Robert Mueller III ( note-se que é um republicano) acaba de provar que nem todos se vergam ao poder político. Apesar das pressões, liderou a investigação às suspeitas sobre a campanha eleitoral de Trump com total independência. Sejam quais forem as conclusões, é isto que importa.

Obras no conservatório

Já só falta o visto do tribunal de contas

Sempre lamentei não ter tido uma boa educação musical. Por isso, fiquei contente quando li que o Conservatório Nacional de Lisboa, há anos em ruína, aguarda o arranque de obras estimadas em 10 milhões de euros. Falta "apenas" o visto do Tribunal de Contas. Se não for positivo, deixo de pagar impostos.

Titulares de cargos políticos

Parabéns ao deputado antónio filipe

O PCP irá votar contra a lei relativa ao exercício de funções dos titulares de cargos políticos. A medida é atentatória da dignidade dos deputados, que passariam a ser tratados como um bando de meninos marotos. Quero dar os parabéns a António Filipe por ter afirmado que tal lei denotava um "paternalismo demagógico".

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