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Centenário capital

Os cem anos da morte de Sá-Carneiro são ASSINALADOS NA IMPROVÁVEL VILA MINHOTA DE PAREDES DE COURA nA MOSTRA Do ESPÓLIO de UM COLECIONADOR PRIVADO
1 de Maio de 2016 às 14:14
A 26 de Abril de 1916, em Paris, Mário de Sá-Carneiro punha fim à vida tomando cinco frascos de arseniato de estricnina e deixando um bilhete de despedida para o seu amigo Fernando Pessoa: "Um grande, grande adeus do teu pobre Mário de Sá-Carneiro. Paris, 26 abril 1916". Este comovente documento pode ser visto na exposição ‘Mil Anos Me Separam de Amanhã – Viagem ao Universo de Mário de Sá-Carneiro no Centenário da Sua Morte’ no parque de estacionamento subterrâneo do Largo Hintze Ribeiro, bem no centro de Paredes de Coura, no âmbito da primeira edição do Realizar: poesia, encontros sobre poesia organizados pela câmara local e comissariados por Isaque Ferreira, que decorreram entre 21 e 25 de Abril.
Mário de Sá-Carneiro, como é do conhecimento geral, foi um dos impulsionadores da geração ‘Orpheu’, a revista modernista que, apenas com dois números publicados, colocou Portugal no âmago das vanguardas europeias do início do século XX. Nascido em Lisboa a 19 de Maio de 1890 numa família abastada, foi, com a morte da mãe e o pai militar colocado em Moçambique, viver para Camarate aos dois anos de idade, para a quinta dos avós paternos. Em 1911 ruma a Coimbra, onde se inscreve em Direito, transferindo-se para Paris, para dar continuidade ao curso, que nunca viria a concluir, na Sorbonne. Nesse ano de 1912 conhece Fernando Pessoa, com quem mantém uma intensa correspondência. Em 1913 e 1914, com o início da I Guerra Mundial, passa longas temporadas em Lisboa, onde, por sugestão de Luís de Montalvor e subsidiado pelo pai, edita com Fernando Pessoa os dois números da Orpheu. Também nestes anos começa a publicar os primeiros livros, como o conjunto de novelas ‘Princípio’ em 1912, o romance ‘A Confissão de Lúcio’ e os 12 poemas de ‘Dispersão’ em 1914 e as novelas ‘Céu em Fogo’ em 1915. São estas primeiras edições das suas obras, bem como um conjunto dos originais manuscritos da sua correspondência com Pessoa, que se podem ver na exposição.

A exposição
Com curadoria de Isaque Ferreira e Susana Vassalo e cenografia desta última, ‘Mil Anos Me Separam de Amanhã’ desenvolve-se por 7 espaços, correspondendo o primeiro à entrada no parque e à imersão no universo de Sá-Carneiro. O segundo mostra imagens da sua infância, enquanto no terceiro se expõem as primeiras edições publicadas em vida. O quarto espaço é composto por um arquivo onde estão os originais de documentos manuscritos, incluindo poemas e a correspondência com Fernando Pessoa, e o quinto é um quarto escuro onde o visitante mergulha, com o auxílio de auscultadores, em cada um dos poemas que compõem as ‘Sete Canções do Declínio’ declamados ao seu ouvido. Por fim, o sexto espaço é dedicado ao do bilhete de despedida dirigido a Pessoa, terminando a exposição com a saída através de um móbil de chocalhos, numa alusão ao verso "quando eu morrer batam em latas" do poema ‘Fim’.  

Título ‘Mil anos me separam de amanhã’ local Parque de estacionamento central, paredes de coura
Até 22 de Maio

Livro
‘Como eles costumavam dizer’
Primeira colecção de poemas deste poeta de Filadélfia a ser publicada em Portugal, traduzidos por Maria Sousa a partir das recolhas ‘Bedroom Wall’, ‘Fishnet Stockings’, ‘The Morning After’ e ‘Two Second Kiss’. Uma boa iniciação à sua poesia do quotidiano, onde o realçar de pequenos detalhes provoca uma comicidade e um non-sense inesperados, em situações que se diriam pesarosas e deprimentes.
autor Hal Sirowitz
editora do lado esquerdo

DVD
‘Nonagon Infinity’
O regresso aos discos (se podemos falar de regresso quando se publicam cinco álbuns em 24 meses) dos mestres psicadélicos australianos, agora trilhando de novo as sonoridades de ‘I’m In Your Mind
Fuzz’ (2014), o álbum que os catapultou internacionalmente, a par dos conterrâneos Tame Impala, como timoneiros do novo psicadelismo. E é um frenético transe o que este oitavo álbum nos traz.
autor king gizzard and the lizzard wizard
editora Heavenly

Filme
‘A espera’
Primeira incursão na longa-metragem de Piero Messina, habitual assistente de Paolo Sorrentino, estrela do novo cinema italiano, para um filme de uma beleza rara, onde o silencioso passar do tempo
acentua o angustiante drama de uma mãe enlutada pela morte do filho, que resiste em revelá-la à namorada que o veio visitar, e cria uma dúbia cumplicidade entre as duas mulheres. Grande Juliette Binoche.
autor Piero messina
exibição cinemas



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