Curto perfil das personalidades envolvidas no golpe que pôs fim a 48 anos de ditadura em Portugal.
O Movimento das Forças Armadas (MFA) que derrubou o Governo de Marcello Caetano a 25 de Abril de 1974 teve como protagonistas militares, muitos deles jovens.
Curto perfil das personalidades envolvidas no golpe que pôs fim a 48 anos de ditadura em Portugal e no processo revolucionário que se seguiu.
Otelo Saraiva de Carvalho
(n. 1936-2021)
Foi o estratega do golpe e responsável pelo setor operacional da comissão coordenadora do MFA. Dirigiu as operações do 25 de Abril a partir do quartel da Pontinha. Depois, foi comandante do COPCON (Comando Operacional do Continente) e pertenceu ao Conselho da Revolução. Conotado com a esquerda radical, foi um dos membros do Diretório da revolução, com Costa Gomes, presidente, e Vasco Gonçalves, primeiro-ministro, a partir de maio de 1975. É preso na sequência dos acontecimentos do 25 de novembro e libertado depois. Concorre às presidenciais de 1976, conseguindo 16,4 por cento dos votos. Preso em 1985, em resultado do processo FP-25, organização que reclamou a autoria de vários atentados. É condenado e libertado cinco anos depois. Em 1996, o parlamento aprovou uma amnistia para os presos das FP-25. Em 2012 e 2014 voltou a defender um novo golpe militar. Morreu em 2021.
António de Spínola
(1910-1996)
É autor do livro "Portugal e o Futuro" que, já em 1974, põe em causa a política colonial do regime e abre caminho a uma solução política para a guerra de África. Conhecido pelo seu monóculo, o general foi comandante e governador na Guiné-Bissau, onde tentou uma política de integração. Após o golpe de 25 de Abril, foi presidente da Junta de Salvação Nacional (JSN) e mais tarde Presidente. Demitiu-se na sequência dos acontecimentos do 28 de setembro, uma manifestação de direita. Envolveu-se também na tentativa de golpe de 11 de março e teve de abandonar o país. Esteve em Espanha, França e Brasil, onde apoiou os grupos de direita. Quando voltou a Portugal, foi nomeado em dezembro de 1981 chanceler das Antigas Ordens Militar. Era marechal quando morreu, em 1996.
Salgueiro Maia
(1944-1992)
Foi ele, um desconhecido capitão da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, quem deu a notícia do golpe aos jornalistas dos media estrangeiros na manhã do 25 de Abril. Partiu de Santarém, onde se formou, à frente da coluna que ocupou o Terreiro do Paço e pela tarde comandou o cerco ao Quartel do Carmo, que terminou com a rendição de Marcello Caetano. Membro da Assembleia do MFA durante os governos provisórios, regressou ao quartel e nunca aceitou cargos políticos. Morreu em Santarém em 1992, vítima de cancro.
(1906-1980)
Professor catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa, fez uma carreira política longa no regime como ministro das Colónias e presidente da Câmara Corporativa. Com a doença de Salazar, em 1968, é Marcelo Caetano quem o substitui em São Bento -- um período conhecido como "primavera marcelista". É ele que personifica a queda do regime quando saiu, na chaimite "Bula", do Quartel do Carmo. Exilou-se no Brasil e nunca mais voltou a Portugal. Morreu em 1980.
Francisco da Costa Gomes
(1914-2001)
Foi subsecretário de Estado do Exército em 1958 e comandante-chefe em Angola. Costa Gomes foi o general mais votado dentro do MFA para assumir a presidência da Junta de Salvação Nacional, mas foi Spínola que assumiu a função. É, com Spínola, um dos oficiais generais que recusa participar numa cerimónia, que ficou para a história como "brigada do reumático", de subordinação dos militares com o regime. Tal como Spínola, foi exonerado do cargo de chefia militar, deixando de ser Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas. Membro da JSN, substituiu Spínola como Presidente. Em 1981, atingiu o marechalato e morreu em 2001.
[Perfis elaborados a partir do Arquivo Eletrónico da Democracia Portuguesa do Centro de Documentação 25 de Abril (Universidade de Coimbra) e Centro de Documentação da Agência Lusa].
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