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AIEA aguarda pedido para monitorizar acordo nuclear EUA-Arábia Saudita

Uma vez submetido o pedido "de acordo" com os regulamentos da organização, será apresentado ao conselho de administração, que autorizará a sua implementação.

24 de julho de 2026 às 00:10

A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) confirmou quinta-feira estar a par do acordo de cooperação nuclear entre Estados Unidos e Arábia Saudita e esclareceu que aguarda um pedido formal dos países para monitorizar a implementação.

"A AIEA está ciente das discussões entre a Arábia Saudita e os Estados Unidos para a conclusão de um acordo bilateral de cooperação nuclear civil, bem como do plano de solicitar à AIEA a implementação de medidas de verificação relacionadas com este acordo bilateral", disse à Europa Press um porta-voz da agência da ONU.

A mesma fonte indicou que a AIEA "aguarda" a receção deste pedido e a colaboração com ambas as partes para "garantir a implementação destas medidas".

"Isto deve ser acompanhado pelas medidas de verificação correspondentes, conforme o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e o Acordo de Salvaguardas Abrangentes (ASA) aplicáveis à Arábia Saudita", afirmou o porta-voz.

Uma vez submetido o pedido "de acordo" com os regulamentos da organização, será apresentado ao conselho de administração, que autorizará a sua implementação, adiantou.

O acordo foi anunciado na madrugada de quarta-feira, em plena escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, desencadeado no final de fevereiro por ataques israelo-americanos contra Teerão, com o pretexto de impedir que a República Islâmica se dotasse de armas nucleares.

Este acordo abre caminho à construção de centrais nucleares na Arábia Saudita, que, neste momento, depende de centrais a gás e a petróleo para a produção de eletricidade.

O protocolo poderá gerar milhares de milhões de dólares para as empresas norte-americanas e constituiria uma vitória para a Arábia Saudita, de maioria sunita, face ao seu rival iraniano de longa data, liderado por xiitas.

O texto do acordo assinado pelo secretário da Energia norte-americano, Chris Wright, e pelo homólogo saudita, o príncipe Abdelaziz ben Salmane, ainda tem de ser submetido ao Congresso dos Estados Unidos, de maioria republicana.

Logo após o anúncio, as críticas centraram-se na possibilidade de Riade poder enriquecer urânio.

O Wall Street Journal tinha afirmado anteriormente que uma cláusula previa a construção de um complexo de enriquecimento de urânio no reino saudita, caso um estudo conjunto determinasse que tal se justificava.

Na quarta-feira, o secretário de Energia norte-americano limitou-se a declarar que o acordo lançava "as bases jurídicas para uma parceria de várias décadas" e respeitava "os mais elevados padrões em matéria de segurança nuclear e não proliferação".

Também o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou esta quinta-feira que Riade pretendia desenvolver um programa nuclear "pacífico e civil" e garantiu que o acordo incluía "garantias para assegurar que não possa ser transformado num programa de armamento".

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