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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Bombardeamento de escola no Irão que matou quase 200 crianças resultou de erro do Exército dos EUA

Donald Trump tinha negado qualquer envolvimento dos EUA e atribuído a culpa ao Irão, antes de recuar parcialmente e afirmar que “aceitaria” o resultado da investigação.

11 de março de 2026 às 17:56

Um erro do Exército norte-americano nas coordenadas do alvo originou o bombardeamento de uma escola no Irão, que fez mais de 150 mortos, a 28 de fevereiro, noticiou hoje o diário The New York Times.

O jornal nova-iorquino cita conclusões preliminares de uma investigação militar interna.

Segundo as autoridades iranianas, a explosão em Minab, no sul do país, ocorreu no primeiro dia da ofensiva aérea dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, 28 de fevereiro, e matou mais de 150 pessoas -- não tendo até agora sido possível verificar de forma independente o número de mortos e as circunstâncias do incidente.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, tinha negado qualquer envolvimento dos Estados Unidos (EUA) e atribuído a culpa ao próprio Irão, antes de recuar parcialmente e afirmar que “aceitaria” o resultado da investigação.

De acordo com o The New York Times, que cita responsáveis norte-americanos e fontes próximas do inquérito, o míssil Tomahawk foi mesmo disparado pelo Exército norte-americano.

“O ataque de 28 de fevereiro ao edifício da Escola Primária Shajarah Tayyebeh resultou de um erro de direcionamento por parte das Forças Armadas dos EUA, que estavam a atacar uma base iraniana adjacente, da qual o edifício da escola outrora fizera parte, segundo as conclusões preliminares da investigação”, escreveu o diário nova-iorquino.

“Os oficiais do Comando Central norte-americano criaram as coordenadas do alvo para o ataque utilizando dados desatualizados fornecidos pela Agência de Informações da Defesa, de acordo com pessoas familiarizadas com a investigação”, acrescentou.

O jornal sublinhou que estas conclusões são apenas preliminares e que há ainda dúvidas, em especial sobre a razão pela qual as informações obsoletas não foram novamente verificadas.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade do regime político da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação, o Irão condicionou o tráfego no estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre, na Turquia e no Azerbaijão.

Desde o início do conflito, foram contabilizados no Irão mais de 1.200 civis mortos, entre os quais o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, para cujo cargo foi entretanto escolhido o seu segundo filho, Mojtaba Khamenei.

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