page view

EUA impõem restrições a banco egípcio na sequência da "guerra económica" contra Teerão

Scott Bessent anunciou os pormenores da "Operação Pária Económico" contra o Irão, com o objetivo de impor sanções a todos os que façam negócios com o regime de Teerão.

28 de agosto de 2026 às 18:06

Os Estados Unidos decidiram esta sexta-feira proibir o acesso ao seu sistema financeiro à filial dos Emirados Árabes Unidos do banco público egípcio Misr, acusado de participar em transações financeiras com o Irão, no âmbito da "guerra económica" contra Teerão.

Trata-se da primeira medida concreta adotada pela administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, no seguimento do anúncio do secretário do Tesouro, Scott Bessent, de privar a República Islâmica de "todos os recursos económicos", de forma a isolar o regime de Teerão.

Esta medida vai privar as sucursais do segundo maior banco do Egito nos Emirados Árabes Unidos (UAE, na sigla em inglês), o Banque Misr, de aceder a instituições financeiras norte-americanas, numa tentativa de impedir que realizem transações em dólares.

"Alertámos que aqueles que apoiam o Irão não podem continuar a ter acesso ao dólar americano e ao sistema financeiro global. O Banque Misr UAE decidiu descobrir isso da maneira mais difícil e, hoje, estamos a dar o primeiro passo para o responsabilizar pelo seu apoio contínuo e flagrante ao regime iraniano", afirmou Bessent, citado num comunicado do Departamento do Tesouro (equivalente ao Ministério das Finanças).

"O Tesouro prometeu cortar todas as fontes de sustento económico que ainda restam a Teerão e pôr definitivamente fim à ameaça representada pelo regime iraniano", adiantou o representante norte-americano.

Na segunda-feira, Scott Bessent anunciou os pormenores da "Operação Pária Económico" contra o Irão, com o objetivo de impor sanções a todos os que façam negócios com o regime de Teerão.

Trump apelidou esta nova ofensiva económica contra o Irão como o "Dia D económico".

A medida do Tesouro norte-americano que atinge as operações do banco egípcio nos Emirados Árabes Unidos está sujeita a um período de 30 dias para comentários públicos antes de entrar em vigor, explicou o jornal Financial Times.

Os Estados Unidos (EUA) classificaram o banco egípcio como uma "fonte fundamental de financiamento do regime" iraniano e um "nó crucial para o acesso do regime ao dólar americano".

"O Tesouro estima que, entre janeiro de 2024 e junho de 2026, o Banque Misr UAE tenha processado aproximadamente 1,8 mil milhões de dólares [cerca de 1,5 mil milhões de euros ao câmbio atual] para 103 empresas que fazem potencialmente parte de redes bancárias paralelas iranianas", sublinhou a nota oficial do Departamento do Tesouro norte-americano.

As autoridades norte-americanas explicaram que, para contornar as sanções, o Irão recorre a redes bancárias paralelas para gerar receitas no estrangeiro, redes essas que "proporcionam acesso fundamental a relações bancárias correspondentes em dólares americanos".

"O Irão utiliza estas redes bancárias paralelas para branquear fundos, adquirir armas e financiar os seus grupos terroristas regionais por procuração", referiu ainda a mesma fonte.

O Tesouro norte-americano detalhou que entre os clientes do Banque Misr UAE encontram-se "empresas de fachada" utilizadas pelo Ministério da Defesa do Irão e pela Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, tanto para "contornar as sanções dos EUA", como para "branquear dinheiro em nome do Líder Supremo iraniano, Mojtaba Khamenei".

Na nota divulgada pelo Tesouro norte-americano, também foram anunciadas sanções contra o gerente da sucursal do Banco Melli no Dubai, Reza Mohammad Taeedi, e contra uma "empresa de fachada" sediada em Hong Kong que alegadamente "ajudou a branquear fundos para uma casa de câmbio iraniana sujeita a sanções".

Segundo Washington, o Banco Melii facilitou transações no valor de milhares de milhões de dólares através de contas controladas pela Força Quds, a unidade de elite da Guarda Revolucionária Islâmica.

Ainda assim, de acordo com o Financial Times, o caráter limitado da medida ilustra a relutância de Washington em atingir outros alvos de maior dimensão, nomeadamente grandes bancos e entidades apoiadas pelo Estado chinês, o principal parceiro económico de Teerão.

O jornal financeiro aponta que a razão por detrás desta relutância poderão estar receios de que medidas mais duras possam desestabilizar ainda mais a economia e os mercados globais.

Esta ação surge num momento em que Bessent se prepara para receber os ministros das Finanças do G20 (as 20 maiores e emergentes economias do mundo) na Carolina do Norte na próxima semana. Os mais recentes esforços de Washington para estrangular a economia iraniana devem estar no topo da agenda do encontro.

A guerra entre os Estados Unidos e o Irão completa esta sexta-feira seis meses sem que Washington tenha conseguido eliminar o programa nuclear iraniano ou provocar uma mudança de regime em Teerão.

O conflito deixa para já como rasto, entre outros aspetos, uma crise energética mundial, repercussões à escala global no custo de vida, um Médio Oriente ainda mais instável e um dilema político com relevância eleitoral para o Presidente Donald Trump, que disputa o controlo do Congresso norte-americano nas eleições intercalares de novembro.

A "Operação Fúria Épica" começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva aérea de grande escala contra instalações militares, nucleares e dirigentes iranianos, causando, entre outras mortes, a do líder supremo, Ali Khamenei.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8