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Governo norte-americano avisa que aliados que não apoiem isolamento de Teerão estarão contra EUA

Estas declarações reforçam as palavras do Presidente norte-americano, Donald Trump, que na véspera anunciara "um dia D" numa ofensiva "sem precedentes" contra a economia iraniana.

20 de agosto de 2026 às 18:36

O secretário do Tesouro norte-americano avisou esta quinta-feira que os aliados que não apoiem a guerra económica contra o Irão estarão contra os Estados Unidos (EUA) e apontou a queda do "regime assassino" de Teerão como objetivo desta ofensiva.

Em entrevista à estação norte-americana CNBC, Scott Bessent indicou que a administração norte-americana vai começar a falar com os seus aliados "para implementar o esforço de isolamento económico mais forte da história" e deixar-lhes uma mensagem: "Ou estão connosco ou contra nós".

Estas declarações reforçam as palavras do Presidente norte-americano, Donald Trump, que na véspera anunciara "um dia D" numa ofensiva "sem precedentes" contra a economia iraniana.

"Isto vai funcionar no Irão e vamos derrubar este regime", previu esta quinta-feira Scott Bessent.

Além dos aliados de Washington, o titular das finanças norte-americanas instou também a China a tomar medidas se quiser "o estreito [de Ormuz] reaberto" e que "os preços da energia voltem a cair", ao destacar a dependência energética da segunda maior economia mundial dos países fornecedores no Médio Oriente.

"Os chineses compram 50% da sua energia aos países do Golfo. Por isso, apoiar o isolamento económico do Irão seria prestar-lhes um grande serviço", acrescentou.

Durante a entrevista, Scott Bessent sustentou ainda que as sanções económicas contra Teerão tornam menos provável o reatamento das operações militares em grande escala contra a República Islâmica.

"Se aplicarmos a máxima pressão económica, isso significa que provavelmente não haverá uma retoma das operações militares em grande escala, mas quero sublinhar que isso é por enquanto", declarou à CNBC.

Scott Bessent acredita que esta pressão limitará a capacidade dos iranianos em "projetar poder através dos seus aliados" quando enfrentarem "uma inflação substancial" e "já não possam pagar aos seus soldados"

O representante norte-americano remeteu detalhes desta operação de "pressão económica máxima" para uma conferência de imprensa na segunda-feira.

"Há quem diga que nunca funciona. Mas funciona. Funcionou na Venezuela quando o bloqueio foi implementado e está a funcionar agora em Cuba. Também funcionará no Irão e derrubaremos o regime", concluiu Scott Bessent, que, na semana passada, já tinha ameaçado Teerão com um isolamento económico "como o mundo nunca viu".

Apesar de uma diminuição recente das hostilidades entre Estados Unidos e Irão, a tensão na região permanece elevada no sexto mês de conflito iniciado pela ofensiva militar israelo-americana em 28 de fevereiro, com as negociações diplomáticas caídas num impasse.

"Nenhuma conversa ou discussão está a ter lugar neste momento nem está programada com a República Islâmica do Irão", declarou na quarta-feira Donald Trump, que anteriormente tinha admitido que "talvez a qualquer altura" Washington e Teerão pudessem retomar negociações para pôr fim à guerra.

As partes assinaram um memorando de entendimento em 17 de junho, que implicou um cessar-fogo imediato e a abertura de negociações durante 60 dias para um acordo definitivo de paz, prazo que terminou na segunda-feira.

Os dois lados voltaram entretanto aos confrontos pouco depois da assinatura do memorando e o Irão repôs as restrições que mantinha à navegação comercial no estreito de Ormuz -- por onde passavam 20% dos bens petrolíferos mundiais antes da guerra --, enquanto os Estados Unidos voltaram a aplicar um bloqueio naval aos portos iranianos.

Trump observou na quarta-feira que a atual situação no estreito de Ormuz "é muito boa" e que muitos petroleiros o estão a atravessar sem problemas.

Dados da plataforma da MarineTraffic indicam porém que o tráfego no estreito de Ormuz ficou-se pelas dez travessias na terça-feira, muito abaixo das mais de cem diárias anteriores à guerra.

O anúncio da guerra económica de Washington está a ser interpretado pelos mercados como um atraso ainda maior no rápido regresso ao fluxo normal de petróleo através do estreito de Ormuz, levando, mais uma vez, à pressão sobre os preços internacionais.

As ameaças em Ormuz obrigaram os países exportadores de petróleo da região a procurar rotas alternativas, nomeadamente no mar Vermelho, onde os rebeldes Huthis do Iémen, apoiados por Teerão, impuseram por sua vez um bloqueio naval à Arábia Saudita.

O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu esta quinta-feira que o estreito de Ormuz não será reaberto enquanto Washington não cumprir os compromissos previstos no protocolo assinado em junho.

Ao mesmo tempo, o Irão e Omã, países vizinhos nas duas margens do estreito, debatem há várias semanas a futura gestão desta passagem, num acordo negociado à margem do processo de diálogo entre Washington e Teerão.

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