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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Irão e Omã apoiam navegação livre no Estreito de Ormuz

Ministros dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, e omanita, Badr al-Busaidi discutiram em teleconferência a situação no Médio Oriente.

16 de junho de 2026 às 22:29

Os ministros dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, e omanita, Badr al-Busaidi, discutiram esta terça-feira pós-memorando de entendimento entre Teerão e Washington e apoiaram a navegação livre no Estreito de Ormuz.

Após uma teleconferência entre os chefes de diplomacia dos países que controlam ambas as extremidades do estreito estratégico para o comércio petrolífero mundial, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Omã indicou que Araghchi e al-Busaidi reafirmaram o "compromisso de Teerão e Mascate com as normas do direito internacional relativas à navegação marítima segura e livre através do Estreito de Ormuz".

A este propósito, salientou que os dois ministros "expressaram a esperança de que a próxima etapa testemunhe esforços sérios e sustentados de todas as partes para garantir um ambiente propício e sustentável para um processo político e diplomático eficaz e construtivo, a fim de preservar a segurança e a estabilidade da região".

Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão indicou nas redes sociais que os dois ministros "discutiram e trocaram opiniões sobre o Memorando de Entendimento de Islamabad, bem como sobre questões bilaterais".

Durante a chamada, também "concordaram em continuar as consultas e a coordenação para reforçar a estabilidade e a cooperação na região", afirmou a diplomacia iraniana.

Os Estados Unidos tinham imposto, a 13 de abril, um bloqueio aos portos iranianos, em resposta ao encerramento do estratégico Estreito de Ormuz por Teerão desde o início da guerra no Médio Oriente, no final de fevereiro.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão afirmou esta terça-feira que o bloqueio norte-americano aos portos iranianos foi levantado, três dias antes da assinatura oficial do acordo de paz entre Washington e Teerão.

"O bloqueio foi levantado antes da assinatura oficial", disse Majid Takht-Ravanchi, citado pelo site do Governo iraniano, que recordou que o fim deste bloqueio fazia parte dos pontos cruciais defendidos pela República Islâmica para se chegar a um acordo.

Momentos antes, a televisão estatal iraniana avançou que os petroleiros e outros navios iranianos tinham voltado a circular.

"Três petroleiros iranianos encontram-se neste momento no norte do Oceano Índico, e outros dois, que transportam mercadorias e gado, estão a caminho de portos do sul" do país, segundo indicou a emissora.

O memorando entre o Irão e os Estados Unidos será assinado na sexta-feira na estância alpina de Bürgenstock, perto de Lucerna, anunciou esta terça-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros suíço.

A Suíça acolherá a cerimónia oficial após vários dias de negociações e de contactos diplomáticos entre Washington, Teerão e mediadores internacionais, um entendimento que prevê a continuação do cessar-fogo e a abertura de uma nova fase de discussão sobre questões nucleares e de segurança regional, incluindo a reabertura do Estreito de Ormuz.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros suíço, a cerimónia terá lugar num hotel de luxo situado em Bürgenstock, uma montanha com vista para o Lago de Lucerna, no centro da Suíça.

As autoridades suíças indicaram que a escolha daquele local se deve ao facto de ser de difícil acesso e, por isso, mais fácil de proteger do ponto de vista da segurança, acrescentando que a sua utilização foi proposta pelos mediadores do Paquistão e do Qatar, bem como pelos próprios Estados Unidos e Irão.

O acordo preliminar prolonga por 60 dias o cessar-fogo em vigor desde 08 de abril e estabelece um quadro negocial para futuras negociações sobre o acordo nuclear.

Os compromissos incluem ainda um levantamento progressivo das sanções sobre Teerão.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros suíço informou que ainda não é possível fornecer informações sobre o formato da cerimónia ou outros detalhes relativos à assinatura prevista para sexta-feira.

O complexo hoteleiro de Bürgenstock, situado no pequeno cantão de Nidwald, acolheu em junho de 2024 uma conferência internacional de alto nível sobre a paz na Ucrânia, que contou com a participação do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Segundo um alto responsável norte-americano, o quadro do acordo já foi assinado eletronicamente pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo vice-presidente, JD Vance, e pelo presidente do Parlamento iraniano e principal negociador de Teerão, Mohammad Bagher Ghalibaf.

De acordo com as autoridades iranianas, Ghalibaf deverá liderar a delegação do seu país na cerimónia de sexta-feira, enquanto Washington deverá ser representado por altos responsáveis da Administração norte-americana.

O texto do acordo não foi tornado público e persistem dúvidas sobre alguns dos pontos negociados entre as duas partes após semanas de contactos diplomáticos destinados a pôr fim ao conflito.

Numa entrevista à CNN, JD Vance afirmou que o documento tem cerca de "uma página e meia" e é "muito geral", admitindo igualmente a possibilidade de Donald Trump participar na cerimónia de assinatura, depois de concluir a sua participação na cimeira do G7, que decorre em Evian, no leste de França.

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