Declarações surgem depois de o líder do Likud ter denunciado tentativas da oposição de “roubar as eleições”.
O partido do principal rival de Benjamin Netanyahu acusou esta terça-feira o primeiro-ministro de “preparar o terreno” para contestar os resultados em caso de derrota, após o líder do Likud ter denunciado tentativas da oposição de “roubar as eleições”.
“Netanyahu está em pânico e a preparar o terreno para contestar os resultados”, declarou o Yashar, o partido centrista de Gadi Eisenkot.
“Precisamos de ultrapassar o Likud [partido liderado por Netanyahu] com uma margem considerável, pois só assim não haverá espaço para semear dúvidas", acrescentou, depois de o também primeiro-ministro ter renovado os ataques aos partidos árabes.
Netanyahu afirmou, depois de votar, que alguns partidos árabes tentaram “roubar as eleições”, após o anúncio da detenção de pessoas suspeitas de comprar votos.
Dos candidatos aos resultados, esclareça aqui as suas dúvidas.
O líder do Likud, que ao longo de toda a campanha eleitoral visou os partidos árabes israelitas, afirmou que “três altos responsáveis” do partido Raam (sigla que significa “Lista Árabe Unida”, em hebraico) foram detidos no sul do país na posse de envelopes com dinheiro.
O diretor-geral interino da Comissão Eleitoral Central, Dean Livneh, deu conta de um incidente “invulgar” durante uma conferência de imprensa, indicando que “a polícia tinha intercetado”, ainda antes da abertura das assembleias de voto, “indivíduos que tentavam comprar votos”.
Livneh acrescentou que os suspeitos, cuja identidade não foi divulgada, tinham sido detidos perto das respetivas residências e que estava em curso uma investigação.
“Não foi registado qualquer outro incidente deste tipo no país”, garantiu.
A polícia confirmou posteriormente que três pessoas tinham sido detidas durante a noite, por suspeita de tentarem subornar eleitores para votarem no partido Raam, força política que, até agora, ainda não reagiu às acusações.
“Os investigadores do distrito Sul apreenderam mais de 24 mil shekels (cerca de 6.950 euros) em numerário, incluindo envelopes com dinheiro previamente preparados, bem como apontamentos, durante buscas às residências dos suspeitos”, indicou a polícia, em comunicado.
“Não podemos deixar esta batalha nas mãos da esquerda e dos partidos árabes que querem pôr fim ao Estado judaico. Por isso, nada de churrascos, não vão à praia: vão votar no Likud”, afirmou Netanyahu.
O Raam, que espera conquistar oito lugares no Knesset, o parlamento israelita, composto por 120 deputados, poderá desempenhar um papel decisivo na formação de uma coligação liderada pela oposição, caso os resultados eleitorais sejam tão renhidos como previsto.
Vários partidos da oposição denunciaram também atos de vandalismo e o desaparecimento de boletins de voto desde o início da votação.
A organização israelita de defesa dos direitos humanos Adalah deu conta de denúncias segundo as quais as mesas eleitorais estavam a atrasar a votação dos cidadãos árabes israelitas, colocando-lhes “perguntas irrelevantes” ou até “fechando as portas” das assembleias de voto.
A organização denunciou ainda a falta de boletins de voto em árabe em várias assembleias de voto e incitamentos ao ódio contra esta minoria por parte de “altos responsáveis” do Governo, incluindo o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, que considerou “louca” a participação dos eleitores árabes, segundo a organização não-governamental.
“Nada indica, nesta fase, que os boletins de voto estejam a ser alvo de manipulação sistemática”, afirmou a Comissão Eleitoral Central, citada pelo jornal Times of Israel, acrescentando que todas as denúncias estão a ser tratadas no imediato.
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