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Teerão recusa participação de França na desminagem de Ormuz

Nos últimos dias, as tensões entre Teerão e Washington têm aumentado, com ataques iranianos contra vários navios e bombardeamentos norte-americanos dirigidos a instalações militares na costa sul do Irão.

29 de junho de 2026 às 20:05

O Irão declarou esta segunda-feira que não permitirá a participação da França em operações de desminagem mo estreito de Ormuz, anunciadas anteriormente pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, em conjunto com Omã.

"Macron afirmou que irá cooperar na remoção das minas no estreito de Ormuz em coordenação com os seus parceiros. De acordo com o memorando de entendimento de Islamabad, a remoção das minas cabe exclusivamente ao Irão e a mais nenhum país. Em princípio, não permitimos uma operação deste tipo", reagiu na rede X o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros para os Assuntos Jurídicos e Internacionais iraniano.

Kazem Gharibabadi aludia ao memorando assinado por Irão e Estados Unidos, com mediação do Paquistão, que prevê o fim imediato do conflito iniciado pela ofensiva israelo-americana em 28 de fevereiro contra a República Islâmica, e a abertura de negociações para um acordo final de paz.

O entendimento preliminar inclui também a reabertura do estreito de Ormuz, colocado sob ameaça militar do Irão nos últimos meses, atingindo 20% do comércio global de produtos petrolíferos.

"A situação é delicada e complicada. Recomendamos sinceramente que a França não a complique ainda mais com as suas provocações", acrescentou o vice-ministro iraniano, em resposta ao anúncio de Macron de uma missão militar conjunta com o Omã para a desminagem do estreito de Ormuz.

"Estamos a trabalhar em conjunto para reduzir as tensões no Médio Oriente. Decidimos colaborar, juntamente com os nossos parceiros, na desminagem do estreito de Ormuz para garantir as rotas marítimas e assegurar o trânsito livre e incondicional", declarou o líder francês.

Esta parceria foi revelada durante a visita a Paris do sultão de Omã, Haitham bin Tariq, com o qual a França concordou com a necessidade de "navegação livre" no estreito de Ormuz, "sem condições ou restrições".

Nos últimos dias, as tensões entre Teerão e Washington têm aumentado, com ataques iranianos contra vários navios e bombardeamentos norte-americanos dirigidos a instalações militares na costa sul do Irão.

Teerão respondeu posteriormente com ataques contra bases norte-americanas no Kuwait e Bahrein.

Estes foram os primeiros ataques trocados entre as partes, desde o memorando de entendimento assinado pelos presidentes dos Estados Unidos e do Irão em 17 de junho.

Ao abrigo do memorando, os dois lados vão prosseguir negociações com um prazo de 60 dias, centradas no futuro do estreito de Ormuz e no programa nuclear iraniano, bem como no levantamento das sanções contra a República Islâmica e dos seus bens congelados no exterior.

Além da tensão em torno do estreito, o diálogo encontra-se também ameaçado pela continuação da ofensiva de Israel contra o grupo xiita Hezbollah no Líbano, país abrangido pela trégua por exigência de Teerão.

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