Da abstenção aos eleitores "à solta" e quantos votos valem uma vitória

Na primeira volta das presidenciais o candidato António José Seguro teve 1.755.563 votos (31,1%) e André Ventura 1.327.021 votos (23,5%).

31 de janeiro de 2026 às 10:17
António José Seguro e André Ventura Foto: Lusa
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Os portugueses são chamados a votar, pela segunda vez em meio século de democracia, numa segunda volta das presidenciais, em 08 de fevereiro.

Na primeira volta das presidenciais, em 18 de janeiro, o candidato António José Seguro (apoiado pelo PS) teve 1.755.563 votos (31,1%) e André Ventura (Chega) 1.327.021 votos (23,5%). Como nenhum deles teve mais de 50% dos votos, haverá uma segunda volta.

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Pelo caminho, ficaram nove candidatos que recolheram, no total, 2,4 milhões de votos.

Seguro e Ventura desafiam, agora, a abstenção e "disputam", nesta segunda volta, os mais de dois milhões de eleitores que os candidatos derrotados deixaram "à solta". Uns mais do que outros, dado que houve candidatos a fazer o "endosso" dos seus apoios e outros não.

No total, há mais de 11 milhões de eleitores inscritos para esta segunda volta. Em 18 de janeiro votaram 52,39%, ou seja 5.768.536 pessoas. Mais de 47% optaram por não votar e abstiveram-se.

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Para ganhar -- e partindo do cenário de uma abstenção idêntico à primeira volta -- os candidatos precisam mais um milhão de votos, mas esse número dependerá sempre da abstenção.

Quantos são os votos "à solta" dos candidatos derrotados na primeira volta?

António José Seguro e André Ventura vão "disputar" mais de 2,4 milhões de eleitores dos candidatos derrotados na primeira volta.

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Ao todo, segundo os resultados provisórios da Secretaria-geral do Ministério da Administração Interna, à direita há cerca de 1,5 milhões de eleitores em disputa - Cotrim Figueiredo, apoiado pela IL, teve 903 mil (16%) e Marques Mendes, apoiado pelo PSD e CDS, 637 mil (11,3%). Destes dois, só Mendes declarou apoio a Seguro. Cotrim não apoia ninguém, embora vários dirigentes da IL tenham optem por Seguro.

Gouveia e Melo, o candidato sem apoios partidários, teve 695 mil votos (12,3%) e também declarou o seu apoio ao ex-líder do PS.

À esquerda, todos os candidatos e partidos declararam o apoio a Seguro contra Ventura.

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Na primeira volta, os candidatos da esquerda tiveram 247 mil votos: Catarina Martins, apoiada pelo BE, 116 mil (2%), António Filipe, apoiado pelo PCP e PEV, mais de 92 mil (1,6%) e Jorge Pinto, do Livre, 38 mil (0,68%).

Os restantes tiveram votações marginais: Manuel João Vieira teve quase 61 mil votos (1%), André Pestana perto de 11 mil (0,19%) e Humberto Correia 4.600 (0,08%)

Com quantos votos se vencem as eleições?

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Com a abstenção a ser uma grande incógnita para a segunda volta das presidenciais, é impossível saber com quantos votos pode ganhar o futuro Presidente, em 08 de fevereiro.

A abstenção em 18 de janeiro foi 47,61%, o número de votantes cifrou-se em 5.768.536 eleitores e os votos validamente expressos 5.642.696, segundo o edital de apuramento geral do Tribunal Constitucional.

Nesse cenário, e dado que a lei eleitoral determina que o candidato vencedor é aquele que tem metade mais um dos votos, a vitória aconteceria com cerca de 2,8 milhões de votos.

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Em 18 de janeiro, Seguro teve 1.755.563 votos, pelo que precisaria de 1.065.786 votos. Ventura, 1.327.021 votos, precisaria de mais 1.494.328 votos.

Se a abstenção aumentar, reduzindo o número de votantes, diminui também o número de votos necessários para vencer, pelo que os cálculos são difíceis de fazer.

E com quantos votos venceram os outros presidentes

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Na única vez que os portugueses foram chamados a votar numa segunda volta, em 1986, o país dividiu-se ao meio, entre a esquerda e a direita. Freitas do Amaral teve, na primeira volta, 2.629.597 votos (46,31%) e Mário Soares 1.443.683 votos (25,43%).

Soares partiu em desvantagem e cresceu 1.567.073 votos para bater Freitas com 51,18%. E o candidato da direita cresceu 242.467 votos, ficando a 138.692 de Soares.

Desde 1996, na eleição do sucessor de Soares, Jorge Sampaio foi eleito com 3.035.056 (53,9%) e reeleito em 2021 2.401.015 votos (55,5%).

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Em 2006, Cavaco Silva chegou ao Palácio de Belém com 2.773.431 votos (50,54%) e foi reeleito cinco anos depois com 2.231.956 votos (52,9%).

Já Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito com 2.413.956 votos e (52%), sendo reeleito em 2021 com 2.534.745 votos (60,7%).

Fontes: Resultados Provisórios da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna - Administração Eleitoral e apuramento geral dos resultados do Tribunal Constitucional

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