Seguro quer "cultura de organização" e melhor articulação entre poder local e central
Candidato afastou para já discutir a regionalização.
O candidato presidencial António José Seguro defendeu, esta terça-feira, a necessidade de uma "cultura de organização e planeamento" em Portugal, com avaliação da ligação entre o poder municipal e central, mas afastou para já discutir a regionalização.
"Este país não é assim tão grande que não se permita esse planeamento e essa organização. Nós temos que passar de uma situação de improviso e de acudir para uma situação de organização e de planeamento", disse, esta terça-feira, o candidato apoiado pelo PS numa visita ao Parque Empresarial de Proença-a-Nova (PEPA), no distrito de Castelo Branco, com danos significativos na sequência da tempestade Kristin.
Acompanhado pelo presidente da Câmara Municipal e Assembleia Municipal de Proença-a-Nova, e ouvindo também as preocupações de trabalhadores e empresários afetados, Seguro focou-se sobretudo na ajuda imediata às famílias e empresas, mas começou já a pensar nas avaliações futuras.
"Há uma outra coisa que eu julgo que vale a pena também avaliar, que é como é que o nível municipal se relaciona com o nível nacional. Isto é, antigamente havia os governadores civis que de alguma forma articulavam. Num cenário destes em que não há comunicações, em que as pessoas não podem dizer o que é que está a acontecer, como é que a nível nacional se tem conhecimento de uma catástrofe desta natureza?", perguntou.
Questionado sobre se a regionalização poderia entrar nesse debate posterior, Seguro disse que não "misturava as duas coisas" pois "neste momento a urgência é mesmo o planeamento e a organização dos nossos recursos".
Já sobre os Governos Civis, que foram extintos em 2011 pelo Governo de Pedro Passos Coelho (PSD/CDS-PP), Seguro lembrou que acabaram mas chamou a atenção que "é necessário haver uma articulação mais fluida entre aquilo que é a dimensão municipal e a dimensão nacional".
"Entre os municípios e a dimensão nacional nós temos as comunidades intermunicipais e as CCDR [Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional], mas verdadeiramente a capacidade que um Presidente de Câmara tem de agir sobre o terreno é muito maior, conhece o seu território, tem os instrumentos, é o responsável pela Proteção Civil, conhece todos os cantos do seu concelho", assinalou Seguro, para quem a "questão essencial" é como se organizam "estas competências".
Já questionado sobre se a falta de organização é uma questão também cultural, Seguro vincou que "neste momento o que é importante é prevenir situações futuras, para que elas não aconteçam, é o que todos nós desejamos, mas prevenir".
"E a melhor prevenção não é 'logo se vê', é ter mesmo os meios organizados, as competências, comando, operacionalização, para que seja rápido", frisou, bem como "trabalhar para que se encontre essa cultura de organização e de planeamento para acudir a tempo e horas às famílias e às empresas".
Para o candidato presidencial, "depois do mediatismo que estas situações geram, naturalmente que há uma tendência para o esquecimento", algo que garantiu que não irá permitir caso seja eleito.
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