Ventura desafia Seguro a dizer se quer mudar Constituição e acabar com duplicação de subvenções vitalícias
André Ventura falava aos jornalistas nas Caldas da Rainha, onde participou numa arruada com mais de 100 apoiantes.
O candidato presidencial André Ventura desafiou este domingo António José Seguro a clarificar se quer ou não mudar a Constituição para acabar com a duplicação de subvenções vitalícias de antigos detentores de cargos públicos, como Armando Vara.
"Queria lançar aqui o apelo e a pergunta ao António José Seguro: ele concorda que continuem a receber subvenções vitalícias pessoas que exerceram cargos públicos há não sei quantos anos, algumas delas estão presas, como é o caso de Armando Vara, [que] recebe não uma, mas duas subvenções vitalícias", afirmou André Ventura, nas Caldas da Rainha, desafiando o adversário na segunda volta das eleições presidenciais, em 08 de fevereiro, a clarificar se "faz sentido que isto aconteça no sistema político hoje".
Aludindo a uma notícia publicada no Correio da Manhã sobre políticos que acumulam duas pensões vitalícias, como é o caso de Armando Vara, Ventura considerou que este é "um bom tema para o candidato [António José Seguro] poder falar, em vez de estar calado o dia todo", desafiando-o a responder se "faz sentido mudar a Constituição".
O também líder do Chega justificou que "é para evitar que situações como a do Armando Vara se continuem a repetir" que quer "mudar a Constituição".
"Mas, parece que estou a falar sozinho e parece que sou só eu que o quero fazer", salientou.
Pois, continuou, António José Seguro "se calhar, tem muita gente na campanha dele que está a receber subvenções vitalícias e é por isso que não se quer comprometer com isso".
André Ventura falava aos jornalistas nas Caldas da Rainha, no distrito de Leiria, onde participou numa arruada com mais de uma centena de apoiantes.
A iniciativa, anunciada como "uma visita ao comércio local para ouvir os comerciantes", começou com uma concentração de apoiantes de Ventura junto à estátua da Rainha D. Leonor, mote para o candidato manifestar se dúvidas sobre se a mobilização seria a mesma para receber António José Seguro, que vive nas Caldas da Rainha.
"Acho que as pessoas, mesmo na terra de António José Seguro, querem uma mudança", afirmou Ventura, acusando o opositor de "desprezar os debates [...] porque tem medo, porque não tem nada para dizer e porque sabe que qualquer confronto, agora, será mostrar ao país aquilo que é", ou seja, "uma pessoa sem ideias nenhumas, uma pessoa que está na mão do sistema de interesses nacional, sobretudo o sistema de interesses bipartidário PS -PSD, uma pessoa que não tem nada a acrescentar".
Confessando sentir-se numa campanha consigo próprio, o candidato acusou o opositor de fazer uma campanha de "eu já ganhei, eu não preciso mais de ninguém, eu posso desprezar o país, as pessoas comuns, a informação, as redes sociais, a imprensa, eu não preciso de mais nada".
"A história de Portugal mostra que quando desprezamos o povo, o povo não gosta e o povo responde", afirmou, acrescentando que as sondagens que dão a vitória ao antigo secretário-geral do PS resultam da junção na segunda volta de "todos contra aquele que no fundo é o único que quer fazer mudanças no sistema".
Reiterando que a luta que agora começa até dia 08 de fevereiro é a "do espaço socialista com o espaço não socialista", André Ventura salientou que "é preciso que o candidato que está do outro lado perceba que é uma campanha e não um desfile".
Porém, nas Caldas da Rainha, foi precisamente um desfile que fez Ventura, entre a estátua da Rainha e a principal rua do comércio, com todas as lojas encerradas na tarde de domingo.
Num percurso de pouco mais de uma hora, Ventura ouviu pedidos de brasileiros 'bolsonaristas' para "não deixar Portugal ficar igual ao Brasil", abraçou ex-combatentes, tirou dezenas de 'selfies' e ainda deu uma "voltinha" numa bicicleta que pediu emprestada a uma criança.
A arruada terminou com Ventura ao lado da estátua de "Zé Povinho" a prometer "fazer como ele", porque "Portugal é dos portugueses" e toda a comitiva a entoar o hino de Portugal.
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