Conselheiros demonstraram frustração por, "mais uma vez", os portugueses no estrangeiro apenas poderem votar presencialmente nas eleições presidenciais de 18 de janeiro.
Os conselheiros das comunidades portuguesas na Alemanha demonstraram frustração por, "mais uma vez", os portugueses no estrangeiro apenas poderem votar presencialmente nas eleições presidenciais de 18 de janeiro, alertando que contribui para a abstenção.
Em reunião este sábado com a embaixadora de Portugal na Alemanha, Madalena Fischer, três dos quatro conselheiros das comunidades mostraram preocupação com o facto de apenas ser oferecida a opção de voto presencial, o que acaba por condicionar os resultados.
"São quase sempre as mesmas pessoas que vão votar. Por exemplo, de Guterslöh, onde vivem muitos portugueses, a Dusseldorf, o consulado mais próximo, são quase duas horas de viagem. As pessoas têm de estar mesmo muito motivadas, o que acaba por não acontecer", revelou Manuel Machado em declarações à agência Lusa.
Para o conselheiro, não há interesse do Governo nem dos partidos em abrir a possibilidade de desdobramento das mesas, ou do voto eletrónico.
"Isso implica que cada mesa de voto tenha um computador, um programa específico, funcionários, e isso custa tudo dinheiro. A embaixadora e os cônsules não decidem, apenas fazem cumprir as leis, mas vemos que o Governo, os partidos, não têm interesse em fazer mudar a lei", comentou, depois do encontro em Berlim.
"Fiz uma proposta à alteração à lei eleitoral que sugere eleições uniformizadas com voto eletrónico, presencial, e por correspondência. Ou, pelo menos, que o voto por correspondência fosse dirigido às embaixadas e consulados dos países para que fosse feita uma contagem imediata e enviada depois para Lisboa", adiantou.
Apenas dois partidos responderam, mas nada foi feito.
"Não temos força que chegue na Assembleia da República. Enquanto só tivermos quatro deputados [pelos círculos da emigração], não há muito a fazer", lamentou.
Manuel Machado manifestou ainda a preocupação com a possibilidade de os boletins não chegarem a tempo da segunda volta, caso esta aconteça, visto serem apenas duas semanas entre as duas votações. Foi-lhe respondido que, nesse caso, seriam usados os boletins da primeira volta.
"Causa alguma desconfiança porque vêm os mesmos nomes, mas há apenas dois candidatos. Convém avisar as pessoas. Vamos correr o risco de ter muitos votos nulos. Por mais que se queira convencer as pessoas de que não havia outra solução, isso vai criar alguma raiva", expressou.
Para o conselheiro das comunidades da Alemanha, o governo deveria fazer um esforço maior para motivar os portugueses que vivem no estrangeiro a votar.
"Podia alterar-se algumas leis pequenas, não muito prejudiciais para o orçamento, como os impostos ou o apoio depois do regresso a Portugal. Dar-nos mais deputados na Assembleia da República para nos representar. Mas o que funciona realmente mal é o modelo de votação, é inadequado. Temos países onde as pessoas têm de andar horas de avião para votar. Não faz sentido nenhum", confessou.
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