Candidato presidencial visitou pela primeira vez uma área afetada acompanhado pela imprensa.
No meio de fábricas destruídas em Proença-a-Nova, o candidato presidencial António José Seguro ouviu alertas sobre a "revolta social" após a passagem da tempestade Kristin e chamadas de atenção para "as entrelinhas" nos apoios do Governo.
Após ter-se deslocado ao terreno sozinho, António José Seguro fez-se acompanhar esta terça-feira, pela primeira vez, pelos jornalistas, numa visita a uma zona afetada e esteve no Parque Empresarial de Proença-a-Nova (PEPA), Castelo Branco, onde pôde ver e mostrar a destruição deixada pelo mau tempo.
Seguro falou aos jornalistas em frente a um pavilhão com a fachada totalmente destruída e buracos no teto, numa zona industrial onde a passagem da tempestade deixou avultados prejuízos e onde decorriam trabalhos de limpeza.
Acompanhado pelo presidente da Câmara, João Lobo, e da Assembleia Municipal, João Paulo Catarino, o candidato apoiado pelo PS ouviu de um empresário de mobiliário e interiores um pedido sobre os apoios do Governo.
Carlos Silva alertou para as "entrelinhas" e a "letra pequena" dos apoios anunciados no domingo, avisando "que aquilo não é tão simples como eles ali colocam", e pediu a atenção do candidato a Presidente da República.
"Quer clareza nesse tipo de apoio para saber com o que é que conta", concretizou Seguro, e Carlos Silva completou que já contabilizava 200 mil euros de prejuízo direto, mais 300 mil de perdas devido à paragem de produção.
Em cenário desprotegido e entre recordações dos incêndios, ventos desfavoráveis e previsões de chuva intensa para os próximos dias, João Paulo Catarino alertou para a possibilidade de "revolta social".
"O meu receio é que se isto continuar assim, se a chuva continuar, se as pessoas continuarem a dormir dentro de casas onde chove, isto vai ser uma revolta social. As pessoas vão para uma indignação completa. As pessoas não podem continuar nestas circunstâncias. Isto é absurdo", vincou o também ex-secretário de Estado da Conservação da Natureza e das Florestas num Governo de António Costa.
Debaixo de tetos furados e de água onde não era suposto, Seguro frisou que o fundamental é "afastar a tradicional burocracia", pois "só que quem não conhece é que não sabe que não há uma urgência".
Ao lado, uma cerâmica continuou a laborar apesar da destruição e, para lá chegar, o socialista teve de entrar por uma porta lateral e pisar restos de telhado, numa paisagem cinzenta marcada por árvores tombadas, tendo-lhe sido mostrado Alice Rodrigues, responsável da unidade, os gabinetes improvisados.
Seguro foi navegando entre loiça recém-fabricada e zonas de trabalho improvisadas, falando com os trabalhadores, num negócio duplamente atingido pela intempérie, já que o patrão detém também várias empresas na zona de Leiria, incluindo de metalomecânica e serralharia, também afetadas pela tempestade.
O presidente da Câmara de Proença-a-Nova, que contabilizou 20 milhões de euros em prejuízos, acabou por relembrar Seguro das lonas doadas na véspera pelo candidato a bombeiros da região Centro, que eram inicialmente para cartazes de campanha.
"Foram seis rolos que vão ser distribuídos equitativamente entre Castelo Branco, Proença-a-Nova e Sertã, os que estão mais afetados", à razão de 250 metros para cada um, disse João Lobo a Seguro, detalhando que, no seu concelho, irão para duas explorações agropecuárias e uma carpintaria.
O autarca também relembrou a importância da limpeza dos terrenos florestais e dos caminhos, já a pensar na época dos incêndios, algo que já foi defendido por Seguro.
"Nós somos muito bons no improviso, mas fenómenos desta natureza precisam do contrário, de organizarmos as nossas competências e os nossos recursos", insistiu.
À saída, Alice Rodrigues apontou que o candidato "não se tem esquecido desta zona" do país.
"Não, não me esqueço. Sou um beirão, isso para mim tem bastante valor", assinalou o ex-líder do PS, que aos jornalistas tinha já prometido voltar a estas zonas na semana da tomada de posse, caso vença.
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