Para o candidato presidencial, este é o momento de dar resposta às pessoas afetadas pelo mau tempo e só depois deve haver um tempo "para apurar responsabilidades".
O candidato presidencial António José Seguro considerou esta sexta-feira que o momento é de "acudir às pessoas" afetadas pela tempestade Kristin, mas que a "culpa não pode morrer solteira" e, reposta a normalidade, "é preciso ter uma conversa séria".
"Foi uma catástrofe. E, portanto, aquilo que eu considero importante neste momento não é discutir quem é que tem culpas. Neste momento o que é preciso é acudir às pessoas, aos empresários e repor o mais rapidamente possível a normalidade. Agora, a culpa não pode morrer solteira", respondeu aos jornalistas Seguro após uma visita à Simoldes, Oliveira de Azeméis, distrito de Aveiro, usando a mesma expressão do ex-ministro socialista Jorge Coelho quando caiu a ponte de Entre-os-Rios em 2001.
Para o candidato mais votado na primeira volta das presidenciais, este é o momento de dar resposta às pessoas afetadas e só depois deve haver um tempo "para apurar responsabilidades".
"Passada esta situação, o país tem de ter uma conversa séria sobre a forma como pode e deve reagir a estas situações que já não são novas. Também acontecem nos incêndios", defendeu.
Seguro comprometeu-se a, caso saia vencedor da segunda volta de 08 de fevereiro, mesmo antes de tomar posse como Presidente da República, irá "reunir com as pessoas que foram afetadas" por esta tempestade, desde logo com os autarcas "para se fazer uma avaliação e precaver situações futuras" e, principalmente, "para que haja uma resposta muito rápida às pessoas que precisam".
"Este é um momento em que é necessário uma grande convergência de esforços para ajudarmos as pessoas que estão a passar mal e empresários que estão em dificuldades", disse, dando como exemplo uma mensagem que tinha recebido de um empresário da Marinha Grande a dar-lhe conta que tinha ficado tudo destruído.
Desde que a tempestade Kristin assolou Portugal, na madrugada de quarta-feira, o candidato presidencial apoiado pelo PS tem ido sozinho, e sem avisar previamente a comunicação social, as zonas afetadas para ver os estragos e estar junto das comunidades locais, o que tem levado a cancelamento de ações de campanha previstas, como aconteceu esta manhã.
"Não há campanha paralela absolutamente nenhuma. O que há é uma decisão minha de querer ir ao terreno, ver com os meus próprios olhos e ouvir com os meus próprios ouvidos aquilo que se está a passar. E dar uma palavra de solidariedade e de coragem. E quero que isso fique claro, que não há daí nenhum aproveitamento político nem nenhum aproveitamento eleitoral", enfatizou.
Questionado sobre se iria distribuir comida com o seu adversário André Ventura, Seguro respondeu apenas: "não sei o que é isso de distribuir comida. A Proteção Civil está a fazer isso, não é?".
"A minha agenda é muito simples. Eu peço a vossa compreensão, eu cancelei ontem à noite uma sessão, cancelei hoje de manhã outra visita, porque considerei que o meu dever é estar junto das pessoas e ir ver as zonas afetadas. Portanto, fiz isso. Sempre que se justificar, continuarei a fazer isso. E farei um equilíbrio, designadamente sessões fora das zonas que são afetadas", assegurou.
Para Seguro, "não houve uma consciência clara desde o primeiro minuto da devastação e das consequências desta catástrofe".
"Agora, o que é preciso é, em vez de andar a discutir o passo a culpas tradicional, é que se responda às pessoas nesta situação de emergência. Isso para mim é claro. E a seguir, é necessário avaliar e tirar lições desta situação, para prevenir situações futuras", insistiu.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
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