Eurodeputados divididos
Discussão no Parlamento Europeu sobre a intervenção armada dos EUA e Israel no Irão deverá deixar a nu as divergências entre a esquerda e a direita. É longa a lista de sanções da UE aos iranianos.
O debate no Parlamento Europeu da próxima semana sobre o ataque ao Irão promete mostrar a divisão que existe entre os eurodeputados portugueses. Se à esquerda são previsíveis críticas à posição do Governo português, principalmente no que respeita à utilização da Base das Lajes, à direita deve seguir-se a posição do Executivo. O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, diz não estar arrependido do que fez até agora e que os Estados Unidos da América cumpriram a sua parte.
A relação entre a União Europeia e o Irão tem vindo a deteriorar-se ao longo dos últimos anos, com os Estados-membros a aumentarem a aplicação de sanções ao país, a três níveis. Desde logo pela violação dos direitos humanos. O Irão tem usado métodos cada vez mais violentos para reprimir manifestações. São milhares os mortos na sequência dos protestos, principalmente nos meses mais recentes, antes dos ataques dos EUA e de Israel. Depois, a questão nuclear, que tem preocupado a comunidade internacional. Por fim, a União Europeia tem imposto fortes sanções ao país devido ao apoio à Rússia na guerra da Ucrânia. Um dos exemplos mais evidentes é o uso em larga escala dos drones Shahed-136, de fabrico iraniano, por parte de Moscovo. Neste momento há dezenas de pessoas e empresas no Irão que são alvo das sanções europeias. Tal como no caso da Rússia, também aqui há ativos congelados e proibições. Por exemplo, os Estados-membros da UE não podem comprar petróleo ou gás ao Irão. Por outro lado, também não podem ser vendidas armas nem objetos que possam ser usados em ações de repressão, como é o caso dos bastões ou das pistolas ‘taser’. Ouro e outros produtos também estão na lista negra, assim como todo o tipo de componentes que possam ser usados no desenvolvimento de drones ou outro tipo de armas. O papel do Parlamento Europeu é, sobretudo, o de pressionar a aplicação das sanções, mas tudo começa em propostas da Comissão Europeia, que são discutidas no Conselho Europeu. A guerra que se trava no Médio Oriente e os seus efeitos, quer do ponto de vista da defesa, quer em termos económicos, será incontornável na reunião de chefes de Estado e de Governo dos 27, em Bruxelas, prevista para o próximo dia 19 deste mês.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt