"Europa será mais forte": Antiga vice-presidente da Comissão Europeia pede que políticos falem "com pessoas reais"

Vera Jourová, antiga vice-presidente da Comissão Europeia, diz que a "Europa tem de assumir um papel menos dependente dos EUA".

02 de agosto de 2026 às 01:30
Antiga vice-presidente da Comissão Europeia Vera Jourová Foto: Oliver Hoslet/EPA
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A antiga vice-presidente da Comissão Europeia Vera Jourová considera que a UE enfrenta um momento decisivo da sua história e deve reforçar a sua autonomia estratégica perante um contexto internacional cada vez mais instável. Em Paris, em entrevista exclusiva ao ‘Europa Viva’, a ex-comissária defendeu uma Europa mais unida, menos dependente dos EUA e capaz de proteger os seus valores democráticos.

“A Europa é um projeto de paz”, afirma Jourová, recordando que a UE nasceu para garantir estabilidade no continente. Entre as principais ameaças, destaca a Rússia, mas também a mudança da política norte-americana. “O Presidente Donald Trump e o seu exército tecnológico” representam, na sua perspetiva, uma nova realidade, criticando ainda a postura de Washington perante Bruxelas. “Os EUA têm um nível de arrogância absolutamente sem precedentes”, afirma, considerando “inaceitável” a forma como responsáveis norte-americanos contestam as regras digitais europeias. Apesar deste cenário, Jourová não defende um afastamento da parceria transatlântica, mas sim uma Europa mais autónoma. “A perda de confiança na relação atlântica é realmente dolorosa. Precisávamos de um amigo nos Estados Unidos, o que não é o caso. Por isso, teremos de encontrar uma solução”, sustenta, que pode passar por investir na soberania tecnológica, reforçar a capacidade de defesa e consolidar a indústria europeia. “Vai demorar anos, mas já começámos”, refere.

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Jourová considera, ainda, que o futuro da União depende da proximidade entre os decisores e os cidadãos. “Os políticos têm de falar com pessoas reais, em tempo real”, alertando para o risco de a democracia perder apoio quando deixa de responder às preocupações e necessidades das pessoas.

Em relação aos próximos cinco anos, deixa uma mensagem de confiança: “A Europa será mais segura de si, mais forte em todos os aspetos e menos dependente de atores estrangeiros.” E conclui com um apelo a todos os europeus: “Temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para preservar a Europa, para que continue a ser o melhor destino do Mundo.”

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