Mérito para Cavaco Silva
Antigo Presidente da República foi o único português homenageado pelo Parlamento Europeu na primeira edição da nova condecoração europeia.
Num momento em que a Europa enfrenta guerras, instabilidade política e crescentes desafios internacionais, Aníbal Cavaco Silva recebeu, em Estrasburgo, uma das mais simbólicas distinções criadas pelas instituições europeias. O antigo primeiro-ministro e ex-Presidente da República foi homenageado pelo Parlamento Europeu com a nova Ordem Europeia do Mérito, atribuída a personalidades que se destacaram pelo contributo para a integração europeia e para a defesa dos valores da União.
Cavaco Silva é o único português entre os 20 primeiros laureados da distinção, criada no âmbito das comemorações da Declaração Schuman.
No discurso de agradecimento, Cavaco Silva sublinhou que “num tempo de forte instabilidade e incerteza mundial, de conflitos armados e ameaças, em que a voz de cada país isoladamente pouco conta, a União Europeia é um ativo da maior importância para todos os Estados-membros”. Recordou também os anos em que liderou o Governo português, precisamente durante a primeira década da integração europeia de Portugal, considerando esse período decisivo para consolidar o projeto europeu. “Portugal tem sido um parceiro ativo, defensor dos valores europeus e do aprofundamento do processo de integração”, afirmou.
Na abertura da cerimónia, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, destacou o simbolismo da nova distinção. “A Europa não nos foi entregue de bandeja. Com a Ordem Europeia do Mérito, homenageamos aqueles que escolheram construir a Europa e mantiveram a nossa União em movimento”, declarou. Entre os membros do comité de seleção esteve Durão Barroso, antigo presidente da Comissão Europeia e ministro dos Executivos de Cavaco. O antigo governante considerou a homenagem “muito justa” e defendeu que a condecoração “também é uma homenagem a Portugal”.
Mas a distinção não reuniu consenso. A eurodeputada do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, acusou os Governos de Cavaco Silva de terem promovido o “desmantelamento da agricultura, das pescas e da indústria portuguesa”. Já Tânger Corrêa, do Chega, diz que “as ordens atribuídas são uma palhaçada”. Sebastião Bugalho, do PSD, acusa o partido de André Ventura de ser antipatriótico por não assistir à distinção de um português.
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