Porteira portuguesa luta pelos direitos da mulher
Lurdes Fonseca recorda o que encontrou quando chegou a Paris, no século passado: “Parecia que vínhamos de outro mundo. Falávamos por carta, íamos a casa uma vez no Natal, era tudo caro”.
Lurdes Fonseca é porteira em Paris há quase 40 anos. Enquanto fala connosco na capital francesa, pega no telefone: “Estás em casa? Posso ir aí à porta?”. Está a falar com outra porteira, também ela portuguesa, no mesmo bairro. São dezenas, se não centenas, as mulheres portuguesas que partilham a profissão.
“Eu sou a porta-voz da rede nacional de porteiras portuguesas. Nos anos 60 do século passado, os homens iam para a construção civil quando chegavam cá. Depois, no passa-palavra do nosso trabalho, as mulheres acabaram por ir ocupando este lugar”, explica Lurdes Fonseca, enquanto cumprimenta outros portugueses.
Também está na política. Ocupa um cargo no que pode ser comparado às nossas juntas de freguesia. Mas nem sempre foi assim. Quando chegou a Paris era tudo diferente. “Vim para cá tratar de uma criança de uma família francesa. Não tinha documentos”, começa por recordar. “Na altura, parecia que vínhamos de outro mundo. Falávamos por carta, íamos a casa uma vez no Natal, era tudo caro. Éramos mesmo de outro mundo. Passar a fronteira era muito difícil”, explica, enquanto nos leva a um clube português local.
Como é domingo, há famílias inteiras na rua. “Depois da missa, as pessoas vão beber café e as crianças vão à catequese”, conta Lurdes Fonseca, enquanto fala da verdadeira luta política que trava. “O maior desafio é manter os nossos direitos. Houve muitas mulheres que lutaram pelo que temos hoje e temos de manter isso para as nossas filhas”, exemplifica com um sorriso.
Entramos no clube português. “Nestes locais eram só homens. Agora não. Vimos para cá, principalmente em dias de jogo.” Lurdes Fonseca jogava futebol e o bichinho ficou. Aparece sempre que há jogos da Seleção.
A comunidade portuguesa é das maiores em França. Os números apontam para que, só na região de Paris, haja perto de meio milhão de portugueses.
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