UE acelera rearmamento

Bruxelas vai disponibilizar 150 mil milhões de euros para reforçar a defesa europeia. Portugal já aderiu ao plano e deverá receber 5,8 mil milhões de euros até 2030 para modernizar as Forças Armadas.

22 de fevereiro de 2026 às 01:30
SAFE 2030 vai permitir a Portugal adquirir viaturas blindadas, fragatas e munições Foto: Luis Vieira / Movephoto
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A UE acelera o rearmamento em tempos de guerra. Com o programa SAFE 2030 (Instrumento de Ação para a Segurança da Europa), Bruxelas vai disponibilizar 150 mil milhões de euros para reforçar a defesa europeia, num momento marcado pela invasão da Ucrânia, pelas ameaças de Putin e pela postura imprevisível de Trump. Portugal já aderiu ao plano e deverá receber 5,8 mil milhões de euros até 2030 para modernizar as Forças Armadas e reforçar a sua capacidade militar.

As crescentes tensões geopolíticas e a nova atitude dos EUA obrigaram a Europa a acelerar um debate que já vinha de trás: como garantir a sua segurança sem depender totalmente de Washington. A guerra na Ucrânia e a instabilidade no Ártico, com Trump a sugerir o controlo da Gronelândia, aumentaram a pressão sobre os 27.

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A eurodeputada socialista Ana Catarina Mendes admite que a Europa vive “uma sensação de insegurança” inédita desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Lembra que a visão de Trump rompe com décadas de cooperação transatlântica e põe em causa o multilateralismo. “Há protecionismo, guerra tarifária e até ameaças de conquista territorial”, diz. “Não bastam 27 exércitos nacionais: é preciso uma força comum europeia e uma voz única em matéria de defesa”, alerta.

O eurodeputado Hélder Sousa e Silva, do PSD, que faz parte da Comissão de Segurança e Defesa, admite que as capacidades militares europeias têm sido frágeis após anos de desinvestimento. No caso português, o SAFE 2030 permitirá investir nos três ramos das Forças Armadas, incluindo a aquisição de fragatas, viaturas blindadas e munições.

Helder Sousa e Silva explica que “o objetivo não passa por criar um exército europeu paralelo à NATO, mas reforçar o pilar europeu dentro da Aliança Atlântica, equilibrando a dependência histórica face aos Estados Unidos, sobretudo depois de Trump ter exigido um aumento drástico do investimento em defesa”. Para Portugal, o Instrumento de Ação para a Segurança da Europa, representa uma oportunidade histórica: modernizar capacidades militares, reforçar a indústria de defesa e ganhar maior peso estratégico dentro da UE. Num mundo mais instável, com guerra na Ucrânia, tensões no Ártico e uma relação transatlântica menos previsível, Bruxelas quer mostrar que está pronta para agir. Resta saber se os 27 estarão realmente unidos quando a pressão aumentar.

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