Descubra quem são os concorrentes de Ursula von der Leyen. Escolha obriga a acordos políticos entre os diversos partidos.
Os Spitzenkandidaten (candidatos líderes, em alemão) são designados para liderar a Comissão Europeia pelos partidos europeus antes das eleições para o Parlamento Europeu desde 2014.
A presidência da Comissão Europeia – que integra 27 membros, um por cada país – é escolhida pelos chefes de Estado e governo e implica, ainda, o voto favorável da maioria dos 720 eurodeputados o que obriga a acordos políticos entre os diversos partidos.
Em 2014 o luxemburguês Jean-Claude Juncker assumiu a presidência da Comissão, após a vitória do Partido Popular Europeu, com 422 eurodeputados a favor, 250 contra, 10 votos nulos e 47 abstenções na votação realizada em julho.
Em 2019, o Partido Popular Europeu voltou a ser o partido mais votado, mas o seu Spitzenkandidat, o alemão Manfred Weber, não conseguiu uma maioria no Parlamento Europeu.
A então ministra da Defesa de Berlim, Ursula von der Leyen, surgiu como candidata de compromisso vindo a ser eleita com 383 votos a favor e 327 contra, um voto nulo e 22 abstenções, apenas mais 9 votos do que os 374 então necessários.
O compromisso então o Partido Popular Europeu, o Partido Socialista Europeu e o Partido da Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa (Grupo Renovar a Europa) levou a que o socialista holandês Frans Timmermans assumisse uma das vice-presidências da Comissão, cabendo a outra à liberal dinamarquesa Margrethe Vestager, enquanto o espanhol Josep Borrel ficava como Alto Representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança.
A presidência do Conselho Europeu coube, por sua vez, ao liberal belga Charles Michel que sucedeu ao conservador polaco Donald Tusk.
Quem são os spitzenkandidaten?
A atual presidente Ursula von der Leyen é candidata pelo Partido Popular Europeu (177 eurodeputadas na nona legislatura, integrando o PSD e CDS) à reeleição.
Nascida em Bruxelas, onde o pai era funcionário da Comunidade Económica Europeia, em 1958, von der Leyen é médica e militante da União Democrática Cristã desde 1990.
Iniciou a carreira política ao ser eleita para o Parlamento da Baixa Saxónia, em 2003, e ocupou o primeiro cargo federal dois anos mais tarde quando foi nomeada Ministra da Família e Juventude no primeiro governo de Angela Merkel em que a União Democrática Cristã e a União Cristã-Social na Baviera se coligaram com o Partido Social-Democrata.
Em 2009 passou para a pasta do Trabalho e Assuntos Sociais no segundo executivo de Merkel em coligação com os liberais do Partido Democrático Livre.
Após as eleições de 2013, em que os conservadores retomaram a aliança com os sociais-democratas, von der Leyen tornou-se na primeira mulher a chefiar o Ministério da Defesa de Berlim.
Primeira mulher a presidir à Comissão Europeia desde a criação da Comunidade Económica Europeia, em 1957, von der Leyen professa a religião luterana, é casada e tem cinco filhas e dois filhos.
O luxemburguês Nicolas Schmit é o candidato do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas – em que participa o PS –, segunda maior força no Parlamento Europeu com 140 mandatos na legislatura saída das eleições de maio de 2019.
O atual Comissário do Emprego e Direitos Sociais, nascido em 1953, é natural de Differdange, filiado no Partido Operário e Socialista Luxemburguês e formado em economia.
Schmit começou a assessorar o governo do Grão-Ducado em 1979, passando a integrar o Ministério dos Negócios Estrangeiros em 1983.
Em 1990 foi colocado na Representação Permanente do Luxemburgo na Comissão Económica Europeia que chefiou a partir de 1998.
Torna-se Ministro-Delegado dos Negócios Estrangeiros e Imigração em 2004 e assume, em 2009, a pasta do Trabalho, Emprego e Imigração no executivo de coligação com o Partido Popular Cristão-Social, chefiado pelo conservador Jean-Claude Juncker.
Na sequência das eleições de 2013 mantém a pasta que passa a ser denominada Ministério do Trabalho, Emprego e da Economia Social e Solidária, no governo do liberal Xavier Bettel do Partido Democrático que conta ainda com a participação dos Verdes.
Eurodeputado desde junho de 2019, entrou em funções como Comissário em dezembro de 2019.
Schmit é casado e tem quatro filhos.
A francesa Valérie Hayer, eleita pela primeira vez para o Parlamento Europeu em 2019, é a escolhida pelo Grupo Renovar a Europa (102 eurodeputados de 24 países) a que preside desde janeiro deste ano, sucedendo à compatriota Stéphane Séjourné, nomeada Ministra dos Negócios Estrangeiros.
Nascida em 1986, em Château-Gontier, numa família de agricultores, licenciou-se em direito e iniciou a carreira política em 2008 como conselheira municipal pelo partido centrista A Alternativa.
Apoiante de Emmanuel Macron filia-se no partido A República em Marcha (atual Renascimento), em 2017, não consegue ser eleita deputada, nem senadora nas eleições desse ano, mas chega ao Parlamento Europeu em 2019, como décima nona candidata na lista do partido presidencial.
A deputado do terceiro maior grupo no Parlamento Europeu, a que pertence a presidente maltesa Roberta Metsola, é solteira e não tem filhos.
Os Verdes/Aliança Europeia Livre, quarto maior grupo com 72 deputados de 17 países, entre eles Francisco Guerreiro, apresenta dois Spitzenkandidaten: a alemã Terry Reintke e o holandês Bas Eickhout.
Reintke nasceu em Gelsenkirchen, em 1987, formou-se em Ciência Política e milita na Aliança 90/Os Verdes.
Foi eleita pela primeira vez para o Parlamento Europeu em 2014, não tendo anteriormente ocupados cargos políticos na Alemanha.
Vive em união de facto com a senadora ecologista francesa Mélanie Vogel e não tem filhos.
Nascido em 1976, Eickhout é natural de Groesbeek e milita na EsquerdaVerde.
Com formação em química e ciências do ambiente, Eickhout é eurodeputado desde 2009.
É pai de uma rapariga.
Entre os sete grupos políticos no Parlamento Europeu, cuja constituição requer um número mínimo de 23 deputados e uma representação de, pelo menos, sete Estados-Membros, apresentam-se ainda como Spitzenkandidaten o dinamarquês Anders Vistisen (Vridsted, 1987) do Partido do Povo Dinamarquês, pelo Grupo Identidade e Democracia (59 deputados de 9 estados a que se pretende juntar o Chega) e o comunista austríaco Walter Baier (Viena, 1954) pelo Grupo da Esquerda (37 eurodeputados de 18 países, incluindo o Bloco de Esquerda e PCP).
O Grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus (68 deputados de 9 países) não apresenta candidato à presidência da Comissão.
Entre os 10 Partidos Europeus reconhecidos pela Autoridade para Partidos Políticos Europeus e Fundações Políticas que não formam Grupos Políticos no Parlamento Europeu dois apresentam Spitzenkandidaten.
A Aliança Livre Europeia, um partido europeu de formações regionalistas com 8 deputados, apresenta dois Spitzenkandidaten: Maylis Roßberg (Westerland, 2000), da minoria dinamarquesa na Alemanha, e o catalão Raül Romeva (Madrid, 1971).
O pastor baptista romeno-moldovo Valeriu Ghile?chi (Pînzareni, 1960) é candidato pelo Movimento Político Cristão Europeu que contava com dois deputados holandeses, um alemão e um romeno na legislatura.
Os centristas do Partido Democrático Europeu, por fim, estão integrados no Grupo Renovar a Europa.
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