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Poesia: Outono

O luar enforca-se num impiedoso retrato
2 de Março de 2015 às 18:00

O luar enforca-se num impiedoso retrato

E uma brisa cortês sussurra o comando das árvores

Entretanto, a meia-noite atropela os sonhos

Medo e dor, sem lágrimas num pesadelo morto

 

Lamenta-se o sol sobre tal inanimado lago

Onde se dispersa secretamente um fino nevoeiro

Irrequieto a um canto, perplexo ao sabor de um canto

A vida de um pássaro neste instante traiçoeiro

 

Céus azuis e celestiais tornam-se cinzentos

Folhas de Outono caídas pelo florido solo

Tão coloridos e incolores corvos pretos

Cantam em silêncio o seu desconsolo

 

Esconde-se na chuva o uivar de lágrimas

Percorrendo-lhe a face, preenche-lhe o rosto

Mais um gélido dia de Dezembro, apenas uma rosa

Como reconforto de um eterno desgosto

 

Sagram-se palavras ensanguentadas de eterna penúria

Descendendo uma neve sobre o luto agora vestido de branco

Segreda o viúvo a um único amor uma última lamúria

"Quem olhará por mim? E me tornará forte, se não te alcanço?

O vento sopra-me o coração, arrepia-me uma última vez

Espero voltar a tocar-te a mão e arrancar-me-ás os pêsames

Com aquela doce voz que me faz falta

Nesta dor… Cruel dor que me maltrata."

 

Cerra-lhe as palavras a angústia que lhe serra o coração

E percorre-o livremente como um cervo, servo de tal aflição

Melancólico espetador por prosperidade expectante

Certamente inserto num incerto futuro distante

 

De um dia a um ano, assemelha-se a um instante

Em que anjos carregaram nos braços

O seu bendito coração silenciosamente cintilante

Roubando-lhe aqueles sufocantes abraços

 

Ouve o fogo a voz da água no sopro do vento

Procurando-te no meio desse denso nevoeiro

Tenta encontrar seu coração d’oiro em seu peito

Em vão, veste a neve vestes de tormento

Uma tempestade salinizada omite-lhe o rosto

Fogosamente seu coração ardente grita:

"O teu sabor fugitivo cobre-me os lábios

Gosto cego que observo sem precisar ver.

Se a tua partida nos torna eternos desconhecidos

Pensarei em ti sem nunca te esquecer."

Texto enviado pelo participante Tiago Cardoso, 24 anos, Caldas da Rainha

Votação fechada. Vê os resultados na fanzine publicada com o Correio da Manhã de dia 26 de março. Entretanto, recordamos que o concurso é mensal e contamos com os teus trabalhos (vê aqui o regulamento).

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