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Prosa: Brisas de Domingo

Aos domingos desespera-se a semana que se avizinha.
1 de Setembro de 2015 às 18:00
geração arte, prosa
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Aos domingos desespera-se a semana que se avizinha e, em jeito de "dia do Senhor", o descanso é celebrado com um saudoso retorno à casa de quem nos viu nascer como novos filhos, quem nos trata por "meus netos"!

Era eu, de tenra idade, por altura da escola primária, recebido pelos meus avós com dois lentos beijos, devido às maleitas nos ossos, e um vigoroso aperto de mão, como fora instruído na mocidade portuguesa. O meu avô perguntava-me sempre: "Então atleta?". Porque diabo de convicção haveria ele de me atribuir tal alcunha, sabendo sempre ter sido, eu, uma criança tão calma?

De seguida, o meu avô recolhia do frigorífico duas grandes cervejas, uma para ele e outra para o meu pai. Uma boa dose, ao estilo da Alemanha em que estivera emigrado. No mesmo compasso, aparecia a minha avó com uma travessa de brisas. A revelação assemelhava-se ao cair das rosas do regaço de Dona Isabel.

Fazia-as, a minha avó, com as gemas caseiras iguais às que haviam servido de suplemento que o meu avô tomara de manhã, sob a forma de gemada, para dar força para o ofício de madeireiro, trabalho difícil, mas fonte de sustento para grande parte da população, que herdara, de Dom Dinis, o pinhal de Leiria.

Mais uma vez se denota o embalo da onda do genesis da nossa geração na oferenda dessa iguaria, que constituía uma representação de um regalo divino do sétimo dia.

As excecionais qualidades, como o aroma, ou a textura, daquele feito gastronómico, eram de paradeiro desconhecido, contudo o seu teor de doçura indicava que se tratava efetivamente de uma manifestação de afeto que se coadunava com a necessidade de conforto para o acarreto das peripécias da seguinte semana de escola.
Até hoje, voaram as brisas como assim o vento mandou e moldei-me à figura delas. Cresci e amadureci, sou pai e sou marido. Tenho uma família doce e reluzente em base forte como rocha e amêndoa. Atleta? Bem,… tive que o ser! Com tanta fonte de energia em forma de caloria, o que me valeu a mim… foi mesmo correr!

Texto enviado pela participante Daniel Pedrosa da Silva, 23 anos, Leiria

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