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Correio da Manhã

Geração Arte Votação
6

Prosa: Fastio

O dia descansa-me, poeirento, nas mãos sujas da insónia.
1 de Setembro de 2015 às 18:00
geração arte, prosa
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O dia descansa-me, poeirento, nas mãos sujas da insónia.
Lembro-me do vento e de toda a cerimónia.
De todos os dias, a parcimónia, que é tentar andar
Contra o vento.
E, furioso, deixa de ter lugar.
Estou além onde estão as coisas perdidas,
O entre dois lugares, duas estâncias inventadas
No tempo.
E as mães desesperadas,
E eu a mãos com um dia poeirento.
Todos os dias são poeirentos,
Deixando de si a carga final.-
Um acumulado de meses e meses
Seguindo em trejeitos de funeral.
O dia descansa-me nas costas,
Em modos de zombeteiro.
Perdi o mealheiro
Das contas de casa.

Sinto, nas mãos, o dia
Como a pele na brasa.

Não sei quem sou
À noitinha,
Entre o inventado
E a mascarilha.
Sei que eles que dormem
No frio da almofada sem poeira
Nos dedos,
Se inventam no estagnado
Dos medos.
Mas onde vou eu
Com uma madrugada
Para entreter?
Não me socorre a idade
Que parece um lento envelhecer
Nem a ideia
A apodrecer.

Tenho na pele
A saudade do sol de Verão.
Das gargalhadas sussurradas e
Das palavras sem senão.

Agora a poeira seca-me nos poros
E turva-me a visão.
E rematam-se os versos
Por necessidade, não diversão.

Texto enviado pela participante Inês Isabel da Conceição Valadas, 22 anos, Reguengos de Monsaraz

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