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Prosa: Recensão à obra: "A confissão de Lúcio" de Mário Sá-Carneiro

A obra "A Confissão de Lúcio" de Mário de Sá-Carneiro inicia-se com uma espécie de introdução.
1 de Setembro de 2015 às 18:00
geração arte, prosa
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A obra "A Confissão de Lúcio" de Mário de Sá-Carneiro inicia-se com uma espécie de introdução, onde apresenta um possível motivo da escrita da mesma, e segue com a narrativa composta por oito grandes capítulos, nos quais a personagem principal é Lúcio. Faça-se uma breve apresentação: no primeiro capítulo fala sobre os seus tempos de estudo em Paris e das suas vivências com o amigo escultor Gervásio, as quais continuam no segundo capítulo com um novo amigo (o poeta Ricardo de Loureiro), terminando no terceiro capítulo em que se muda para Lisboa e "vira-se" para a mulher de Ricardo (Marta), vindo a obra no quarto e quinto capítulos ganhar um fulgor carnal/libidinoso. No sexto capítulo Lúcio descobre que Marta tem ainda um outro amante e decide espiá-lo, acabando por regressar a Paris, retomando a Lisboa no sétimo capítulo onde "Marta tombou inanimada no solo" e Lúcio acorda do pesadelo "preso num calabouço do governo civil", e por isso o oitavo e último capítulo narra inicialmente a sua vida no cárcere, encerrando a ação com o relato dos últimos dias do protagonista. Com isto, esta narrativa mostra-se ser inteiramente biográfica (refira-se que Mário de Sá-Carneiro iniciou os seus estudos em Direito na cidade de Coimbra, tendo partido depois para Paris, em 1912, para cursar também Direito) e escrita na primeira pessoa, tendo apreciado a mesma, não só por ser intimista, mas também por causa de falar sem qualquer pudor da sua vida pessoal. Assim, a obra efetivamente assume um caráter polémico na medida em que se torna num devassar autorizado e imposto da alma do autor que assim abala os alicerces de uma sociedade portuguesa supostamente respeitável e civilizadíssima. Por fim, não podemos também deixar de sentir as influências da literatura finissecular no espírito dandista que o relato assume e esse mal "du siècle" que contamina a realidade e que faz constatar a inevitabilidade da morte e as falhas humanas, porque simplesmente o homem é falível e jamais perfeito.

Texto enviado pelo participante Francisco Gabriel Ribeiro Pais, 21 anos, Caldas de São Jorge

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