Cinco jornalistas mortos em ataque israelita a hospital no sul de Gaza
Pelo menos 20 pessoas morreram. Israel confirma ataque e diz que não tem como alvo jornalistas.
Pelo menos cinco jornalistas morreram esta, esta segunda-feira, na sequência de um ataque israelita ao Hospital Nasser no Sul de Gaza. Há registo de dezenas de feridos.
De acordo com a Al Jazeera morreram pelo menos 20 pessoas. Inicialmente a Sky News, que cita autoridades do Ministério da Saúde, disse que morreram pelo menos 15 pessoas. Já a Al Jazeera dizia que as autoridades de Gaza confirmavam cinco jornalistas entre 14 mortos.
Entre as vítimas mortais está um repórter da Al Jazeera. De acordo com o gabinete de imprensa do governo de Gaza, os jornalistas mortos durante o ataque foram Hussam al-Masri, fotojornalista da agência de notícias Reuters, Mohammed Salama – fotojornalista da Al Jazeera, Moaz Abu Taha – jornalista freenlancer da rede NBC e que trabalhou ocasionalmente para a Reuters, Mariam Abu Daqa – jornalista de vários meios de comunicação, incluindo The Independent Arabic e Associated Press e Ahmed Abu Aziz - jornalista que trabalhava para a Quds Network e outros meios de comunicação.
"Os colegas jornalistas foram mortos quando a ocupação israelita cometeu um crime horrível ao bombardear um grupo de jornalistas que estava em missão de cobertura jornalística no Hospital Nasser, na província de Khan Younis, e muitos mártires foram vítimas deste crime", lê-se no comunicado emitido pelo governo de Gaza, citado pela Al Jazeera.
A Associated Press (AP) já confirmou a morte da jornalista Mariam Abu Daqqa, de 33 anos. Segundo a AP, Mariam fez reportagens sobre a luta dos médicos do Hospital Nasser para salvar crianças desnutridas.
População chora morte de Mariam Dagga, jornalista palestiniana ao serviço da AP em Gaza
AP
Além dos cinco jornalistas mortos, entre os feridos está o fotojornalista Hatem Khaled que tem documentado a guerra em Gaza para a agência Reuters. A informação foi avançada pela agência de notícias que na mesma publicação confirma a morte de Hussam al-Masri.
Israel confirma ataque e diz que não tem como alvo jornalistas
De acordo com Ministério da Saúde de Gaza, o ataque incluiu dois momentos. O primeiro teve como alvo principal o quarto andar do edifício hospital e o segundo ocorreu durante as operações de resgate. O local atacado pelo 'drone' israelita, o pouso da escada de incêndio no último andar do Hospital Nasser, era frequentemente usado por jornalistas para filmagens e transmissões ao vivo devido à vista de Khan Yunis a leste e às boas conexões de energia e Internet.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) admitiram o ataque ao hospital. Segundo a defesa israelita "o Chefe do Estado-Maior ordenou que fosse realizada uma investigação inicial o mais rápido possível". Em comunicado, as IDF acrescentaram que lamentam "qualquer dano causado a indivíduos não envolvidos" e alegam que as tropas "não têm como alvo jornalistas".
"A IDF age para mitigar ao máximo os danos a indivíduos não envolvidos, mantendo a segurança das tropas da IDF", lê-se no mesmo comunicado.
O hospital em Khan Younis resistiu a ataques e bombardeios durante os quase dois anos de guerra entre Israel e o Hamas. No passado mês de junho, um ataque israelita ao mesmo hospital matou três pessoas.
Recorde-se que no dia 10 de agosto, as Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram a morte de Anas al-Sarif, de 28 anos, jornalista da Al Jazeera, durante um ataque na cidade de Gaza.
Segundo os militares, citados pelo The Times of Israel, Anas al-Sarif era um "terrorista a operar sob o disfarce de jornalista".
Desde o início da guerra, em outubro de 2023, já morreram pelo menos 244 jornalistas e profissionais de comunicação social em ataques israelitas a Gaza, de acordo com o gabinete de imprensa do governo de Gaza.
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