Convite para adesão à NATO é passo para a vitória da Ucrânia sobre a Rússia
Presidente ucraniano apresentou no Parlamento a sua estratégia para alcançar a vitória sobre a Rússia “já no próximo ano”.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu esta quarta-feira um “convite incondicional e imediato para a adesão da Ucrânia à NATO” como passo essencial do seu ‘Plano de Vitória’ para acabar com a guerra “já no próximo ano”.
O plano, desvendado pela primeira vez em público no Parlamento de Kiev depois de ter sido apresentado em privado aos EUA e a alguns parceiros europeus nas últimas semanas, inclui cinco pontos essenciais e três “adendas” que Zelensky optou por manter secretas.
Sobre os pontos principais, o primeiro é o “convite incondicional” para a adesão da Ucrânia à NATO. Tal convite, embora só viesse a concretizar-se após o final da guerra, permitiria à Rússia perceber que os seus objetivos geoestratégicos estão “votados ao fracasso” e que o futuro da Ucrânia está no Ocidente.
Já o segundo ponto diz respeito ao “reforço irreversível” das capacidades militares ucranianas, incluindo o desejado levantamento da proibição de usar os mísseis de longo alcance fornecidos pelo Ocidente para atacar a Rússia e a “continuação das operações militares em território russo”.
Já o terceiro ponto, intitulado ‘Dissuasão’, apela aos aliados para instalarem na Ucrânia um denominado “pacote de dissuasão estratégica não nuclear” para proteger o país de qualquer agressão russa.
O quarto ponto diz respeito à reconstrução do país e à exploração conjunta entre Kiev e os aliados ocidentais dos recursos naturais ucranianos “avaliados em triliões de dólares”, incluindo “urânio, titânio, lítio e grafite”.
Finalmente, no quinto ponto do plano, Zelensky propõe usar as Forças Armadas ucranianas para “reforçar a segurança da NATO”, incluindo através da substituição de alguns dos contingentes norte-americanos atualmente estacionados na Europa.
“Juntamente com os nossos aliados, podemos alterar as circunstâncias e acabar com a guerra independentemente da vontade de Putin. Se avançarmos com este plano agora, podemos acabar com a guerra já no próximo ano”, afirmou Zelensky, que hoje viaja para Bruxelas para apresentar o seu plano no Conselho Europeu.
"Zelensky quer empurrar a NATO para a guerra" A Rússia denunciou o plano de Zelensky como "uma tentativa para empurrar a NATO para uma guerra com a Rússia" e afirmou que a estratégia apenas irá causar "mais miséria para o povo ucraniano". "Os parceiros de Kiev sempre mostraram qual é a sua visão sobre a sua arquitetura de segurança: é a Ucrânia num caixão", acusou a porta-voz do MNE, Maria Zakharova. Já o Kremlin diz que Zelensky precisa de "ficar sóbrio e perceber a futilidade da sua estratégia". Secretário-Geral da Aliança mostra prudência O Secretário-Geral da NATO, Mark Rutte, reagiu com cautela ao ‘Plano de Vitória’ de Zelensky, afirmando que se trata de um "sinal forte e positivo" mas sem se comprometer com um apoio incondicional. "Não posso dizer que apoio o plano na sua totalidade porque ainda há muitos pontos que têm de ser clarificados", afirmou Rutte, lembrando que os estados-membros já concordaram que a caminho de Kiev rumo à adesão é "irreversível".
Zelensky acusou esta quarta-feira a Coreia do Norte de ser um “participante de facto na guerra”, depois de o regime de Pyongyang ter enviado armas e militares para ajudar a Rússia. O Presidente ucraniano descreveu ainda a aliança entre a Rússia, a China, o Irão e a Coreia do Norte como “uma coligação de criminosos”.
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