Fronteira entre Gaza e o Egito reaberta quase dois anos depois
Reabertura da passagem de Rafah permite que feridos de guerra palestinianos possam receber tratamento no Egito
A fronteira de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, reabriu esta segunda-feira após quase dois anos de encerramento imposto por Israel, permitindo que alguns feridos de guerra palestinianos possam receber tratamento no país vizinho.
A reabertura da passagem de Rafah, como é conhecida, é um passo crucial para a entrada em vigor da segunda fase do acordo de paz para Gaza, que prevê o desarmamento do Hamas, o envio para o território de uma força multinacional de paz e a transição de poder para uma administração palestiniana independente supervisionado pelo 'Conselho da Paz' criado pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
Numa primeira fase, o tráfego fronteiriço será limitado a 50 pessoas por dia em cada sentido. Trata-se de uma mera gota de água face aos mais de vinte mil feridos de guerra palestinianos que aguardam tratamento médico no Egito, que tem 150 hospitais preparados para os acolher, e aos cerca de 30 mil palestinianos que aguardam autorização para regressar às suas casas em Gaza ou ao que resta delas.
Os primeiros cinco pacientes palestinianos, incluindo crianças, deixaram esta segunda-feira à tarde o território, cada um deles acompanhado por dois familiares ou pessoas próximas, numa transferência coordenada pela Organização Mundial de Saúde. Do lado egípcio da fronteira foram imediatamente sujeitos a uma triagem médica e encaminhados para os hospitais adequados.
Os palestinianos que pretendem sair ou entrar em Gaza devem passar por rigorosos controlos de segurança israelitas e egípcios, enquanto que as formalidades fronteiriças propriamente ditas serão geridas por uma missão da União Europeia e por elementos da polícia palestiniana à paisana. Israel garante que o número de pessoas a cruzar diariamente a fronteira poderá aumentar a médio prazo, se tudo correr bem.
A passagem de Rafah, que estava fechada desde maio de 2024, é a única fronteira entre Gaza e o mundo exterior, uma vez que todas as restantes têm ligação a Israel e permanecem fechadas. É, por isso, considerada uma via crucial para a entrada de ajuda humanitária, mercadorias e materiais para a reconstrução do território.
Enviado de Trump reúne-se com Netanyahu
O enviado de Donald Trump, Steve Witkoff, reúne-se esta terça-feira com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para discutir a entrada em vigor da segunda fase do acordo de paz para Gaza, que prevê, entre outras coisas, a transferência de poder para um governo tecnocrata palestiniano sob supervisão internacional, o envio de uma força multinacional de paz para o território e o desarmamento do Hamas. Witkoff deverá ainda reunir-se com responsáveis militares israelitas antes de viajar, amanhã e depois, para Abu Dhabi, para participar nas negociações de paz para a Ucrânia, e daí para Istambul, Turquia, na sexta-feira, para negociações com o MNE iraniano, Abbas Araqchi, sobre o programa nuclear de Teerão. Recorde-se que Trump aumentou nas últimas semanas a pressão sobre o Irão, ameaçando atacar o país se o regime recusar negociar.
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