Médicos Sem Fronteiras acodem diariamente entre 300 e 400 crianças, metade das quais vítimas de doenças contagiosas.
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O número de mortos não pára de crescer na guerra que se trava no Médio Oriente. Na madrugada deste sábado foram mais 30 vidas que se perderam em mais um ataque israelita na Faixa de Gaza, elevando o número de vítimas mortais no enclave para 40 600, a maioria mulheres e crianças, desde a ofensiva de Telavive contra o Hamas, a 7 de outubro do ano passado. Há, ainda, registo de 94 800 feridos, num território onde as condições de vida se tornam cada vez mais difíceis de dia para dia.
A sucessão de ordens de evacuação dadas pelas forças israelitas obrigam a constantes mudanças de milhares de palestinianos, que se vão concentrando em zonas do terreno cada vez mais pequenas. “A sobrelotação, a grave falta de água e a escassez de serviços de saneamento estão a alimentar a propagação de doenças. Não somos capazes de lidar com o grande número de necessidades”, confessou o um coordenador dos Médicos Sem Fronteiras.
A organização médico-humanitária internacional trata diariamente entre 300 e 400 casos numa clínica na zona de Al Mawasi, dos quais 200 estão relacionados com doenças de pele contagiosas, que afetam sobretudo crianças. De referir que, de acordo com a UNICEF, cerca de 700 mil crianças palestinianas já foram forçadas a deslocarem-se várias vezes devido ao conflito na Faixa de Gaza, estando no topo das principais vítimas da guerra.
Os ataque de sexta-feira à noite e madrugada deste sábado incidiram, sobretudo, na zona ocidental do campo de refugiados de Nuseirat, onde morreram pelo menos 17 palestinianos. Outras quatro pessoas sucumbiram na sequência de um bombardeamento ao último andar de um edifício pertencente à família Hamad, e outras quatro foram mortas no ataque a uma casa da família Zaqout na zona de Al-Hasayna. No meio da tragédia, um sinal de esperança: a Organização Mundial Saúde arrancou este sábado com a campanha de vacinação de 640 mil crianças contra a poliomielite.
Travão à ajuda humanitária
A ONU denunciou que o número de recusas israelitas às missões e movimentos humanitários na Faixa de Gaza duplicou em agosto em relação a julho, num contexto marcado por uma grave crise social resultante da ofensiva militar em curso. No Norte da Faixa de Gaza, as autoridades israelitas rejeitaram 68 pedidos de agentes humanitários, em comparação com 30 recusas em julho, o que significa que apenas 74 deslocações puderam ter lugar, ou seja, 37% do total.
No Sul, os vetos aumentaram de 53 para 99 num mês, segundo um relatório do gabinete de coordenação dos assuntos humanitários da ONU. A organização também observou que “os ataques contra o pessoal e as missões humanitárias estão a aumentar o risco de limitar o acesso e a distribuição da ajuda”, como ficou patente esta semana com o disparo contra um veículo do programa alimentar mundial.
A agência suspendeu “até nova ordem” a deslocação do seu pessoal. O Exército israelita também reconheceu um ataque, na quinta-feira, a um comboio de ajuda humanitária no Sul da Faixa de Gaza, embora tenha afirmado que o alvo eram homens armados que tinham tomado o controlo de um dos veículos.
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